Os últimos dias no sistema escolar sobreaqueceram, como se previa, a temperatura continuará elevada até Dezembro e depois se verá. São muitos os que concluem, e com razão, de que o MEC se balcanizou e que transpira em bica com tanta incompetência.
Todavia, manifestaram-se as intenções do tipo nem public management que não são mais do que a implementação da precarização e da mão-de-obra barata dos funcionários públicos com particular incidência para os da saúde, educação e justiça.
Os orçamentos das áreas sociais são "elevados" para a paciência dos descomplexados competitivos (no caso do sistema escolar, vai dos relvistas aos lurdistas d´oiro) e a compressão das classes médias interessa a quem se revê na suspensão das democracias. Tem sido assim na Europa do sul e não é por acaso.
O tipo de precarização, com o recurso a empresas de outsourcing que fazem a contratualização dos profissionais, que recentemente se mediatizou com os médicos e enfermeiros, chegou há algum tempo ao sistema escolar e deu agora sinais evidentes.
O processo dos professores DACL não foi inocente e está ligado às outras medidas polémicas que estabelecem os achamentos essenciais que estes ultraliberais (um senador, e recentemente, perdeu a paciência e chamou-lhes corruptos o que deverá ser injusto apenas para uns quantos) não conseguem precarizar desde já.
Mesmo o que fica como essencial, e que ainda tem que ser derrotado, será entregue paulatinamente a cooperativas de ensino que se encarregarão, e encarregam, de precarizar.
Quando se anuncia que as vagas de alunos no IEFP passam de 18.000 para 30.000 pensa-se na componente lectiva que se destinaria aos DACL e aos professores contratados. Não é preciso detalhar para que se perceba que a lógica quatro euros à hora se imporia com facilidade. Como amortecedor, vamos lendo aqui ou ali que os professores do quadro até podem, se quiserem, vejam bem, leccionar no IEFP.
Não é preciso pensar muito para perceber que deste modo se perderá qualidade pedagógica e que a cultura organizacional das escolas voltará à lógica de repartição-terminal-do-poder-central e que, a prazo, o ensino de qualidade só estará ao alcance de famílias endinheiradas.
Está implícito em tudo isto um fanatismo ideológico misturado com uma série de preconceitos e com a corrupção.
Os professores, e a sociedade em geral, têm um longo combate pela frente em defesa da escola pública. Tanto têm de combater o ultraliberalismo descrito como ficam à mercê da má burocracia férrea travestida de accountability como se viu nos últimos governos socialistas em Portugal. São as duas faces da nova gestão pública e não adianta aos arrependidos de 2007 e 2008 virem agora com tergiversações.
Completamente de acordo com esta análise.
ResponderEliminarEstá inspirado. Bom, não será bem isso, é mais estar-se atento ao que se passa.
A ideia de incompetência do MEC é só uma faceta e nem sequer a mais grave. O que é grave, quanto a mim, é a destruição a todo o vapor da escola pública de qualidade e a privatização e/ou semi-privatização de tudo o que mexa, nesta área.
O outsourcing e toda uma série de intermediários /empresas de trabalho temporário têm aqui uma boa janela de oportunidades para o negócio.
O Estado "poupa" assim, na saúde e educação.
Não fosse este um país de cunhas, corrupção, procura de lucro fácil e rápido e de empreendedorismo bacoco, e até poderia ser....mas não é.
acrescento, e não fosse este um país cada vez mais pobre e desigual.
ResponderEliminarConcordo com as duas.
ResponderEliminar