Os alunos são determinantes nos sistemas escolares e influenciam os indicadores que regem o inferno da medição em que vivemos. Quanto mais se instala a lógica de mercado, mais se acentua a sua influência que vai dos rankings à cultura organizacional das escolas e às respectivas atmosferas relacionais.
Em Portugal existem concelhos que vivem há muito numa lógica de quase-mercado, mesmo que algo submerso; entre as escolas do Estado que estão marcadas pela história da segunda metade do século passado e mais recentemente entre as escolas do Estado e as das cooperativas de ensino, ou em casos minoritários, com o ensino privado.
Podemos associar duas variáveis muito mediatizadas: a necessidade de alunos para garantir a sobrevivência de empregos e a comprovada degradação das escolas do Estado. O segundo fenómeno acentuou-se nesta década por via das políticas ultraliberais que têm preenchido a agenda comunicacional, da comprovada má legislação e da desorientação do monstro burocrático do MEC e das suas ramificações.
Os professores das escolas do Estado, e principalmente nos concelhos onde essas instituições competem com as escolas das cooperativas de ensino, ficam emparedados entre o silêncio que visa a protecção pública da imagem da instituição que servem e a necessidade de denunciarem o desmiolo a que se submetem.
A impossibilidade de dar corpo a uma incompetente e confrangedora letra da lei estoira com a esperança e com a profissionalidade dos professores e não há sistema escolar que sobreviva nesse clima. Os tempos são o que são, os alunos portugueses estão a sofrer com a austeridade em curso e necessitavam de um sistema escolar público que, no mínimo, respondesse de forma moderna e razoável.
um gato?
ResponderEliminarSempre atento. Estava à procura de uma imagem com duas paredes e dei com este gato que foi salvo pelos bombeiros, note-se.
ResponderEliminarLembrei-me do "profissão mais linda" do Nuno Crato e não pesquisei mais. Somos todos gatos e gatas.
Brilhante a ideia do emparedado.
ResponderEliminarUm dos efeitos perversos da campanha de difamação dos últimos anos.
É por isso é que esta última da profissão "mai'linda" sabe a violência doméstica.
Obrigado Catarina.
ResponderEliminarTem sido uma campanha muito difícil de combater; é verdade.
Fizeste-me rir com a ideia da violência doméstica. Obrigado.