Quando, depois da última manifestação de professores, li qualquer coisa do género "vai ser preciso que regresse a plataforma para que se faça alguma coisa em grande", sorri com a revisão da História. Só com atrevimento se consegue uma formulação destas.
Em 2008, os professores deram uma lição de cidadania e conseguiram atenuar a destruição da escola pública. Houve vitórias e muitas derrotas, apesar da mobilização inédita que se conseguiu. Quem quiser ser justo, reconhecerá que esse envolvimento deveu-se ao fenómeno da Web 2.0 - blogues, outras formas modernas de comunicação e movimentos - aos grandes sindicatos de professores e aos partidos políticos que se situam fora do arco do poder. Apesar de existirem críticas fundamentadas em factos comprovados, é verdadeiro que se considere o papel das organizações formais. Também é bom não esquecer o medo que a acção da Web 2.0 provocou no poder formal, para que se percebam os tristemente célebres entendimentos e acordos que se assinaram.
Estamos perante outra vaga de destruição da escola pública e procuramos caminhos para reerguer a barreira. Existem menos blogues activos, as redes sociais tiveram um impulso com resultados imprevisíveis (basta recordar o 15 de Setembro de 2011 e pensar no que pode acontecer no próximo 2 de Março) e surgiram novos movimentos, como o dos professores contratados ou de defesa da escola pública do Oeste que se restringem a causas particulares.
É legitimo que muitos blogues e movimentos independentes tenham cessado funções e quaisquer que sejam os motivos. Mesmo que nalguns casos tenham passado a concordar com as políticas em curso, cada um tem direito a fazer da vida o que entende.
O que considero inadmissível é o comportamento de organizações sindicais ou afins que se pautam pelo silêncio ou pela "assessoria" ao MEC. Os sindicatos devem mover-se pela profissionalidade que representam. Esse desempenho é tão inqualificável como o dos bloggers que se posicionam de forma oposta perante problemas semelhantes ou mais graves do que os vividos em 2008. Se estas estruturas entendem que é tempo de regressarem a uma qualquer plataforma, a escola pública terá a ganhar com isso. Todos seremos poucos. O que não se poderá repetir é o corte da espinha dorsal das legitimas aspirações da democracia.
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