Há tempos, quando se lançou a passagem para 40 horas na função pública, um jornalista, quiçá assessorado, fez contas: se o horário de um professor é de 35 horas, passa a ter mais 5 horas lectivas (o impreparado pensou que se leccionavam 35 horas ou a assessoria era encomendada). A primeira página do seu jornal fez eco e parece que um canal de televisão ampliou o desassossego que invadiu as redes sociais.
Hoje, dá-se conta de um relatório do FMI que determina o despedimento de 50000 a 60000 docentes e não docentes (a banca foi eliminada do léxico desta gente e as benesses ilimitadas, do género gabinetes ministeriais, continuam na categoria dos amendoins). Tem sido hábito a troika desdizer o Governo. Não me admirava que desta vez acontecesse o mesmo. Às tantas, pretende-se com esta notícia branquear os 10000, ou mais, professores já despedidos, dar um ar de Governo aquém da troika e apontar o dedo aos diversos funcionários públicos para se continuar a legitimar a revolução ideológica em curso.
É muita desorientação, realmente.
Eu não me interessa o que diz esse retório ready-made.
ResponderEliminarA troyka tem servido de despulpa a essa "gente" que está no governo para esbulhar a nação.
Tem aí uns quantos lacaios a fazer coro,uns chamam-se jornalistas,outros comentadores.
Pedro: li o relatório antes de escrever o post e, na página 60, diz assim: "(...)Even a mildly ambitious education sector reform that would bring student–teacher ratios closer to the prevailing EU averages for primary and secondary education (Table 6.3) would imply that 50–60,000 staff (teachers and non- teachers) would have to be cut.(...)"
ResponderEliminarParece-me que o Donatien tem razão.
O senhor Pedro está obcecado com o rácio de professor/alunos. Deve ser dos que consideram que tem de ser, custe o que custar, desde que não seja um dos atingidos. A continuar com essa defesa, o senhor Pedro ainda vai ter direito a um caramelo.
ResponderEliminarContinue, irá, mais dia menos dia, parar a um gabinetezinho de estudo:(
Abraço Paulo prudêncio.
Tenho inveja da tua paciência, da tua educação e da tua assertividade. O teu blogue merece um 20!
Bem hajas!:)
Senhor Pedro, também me parece, modesta opinião, que a sua desinformação é muita... Chega a ser penoso ler os seus comentários.
ResponderEliminarQuanto ao rácio, aqui lhe deixo o meu: um professor de Português para 130 alunos (durante cerca de 3 semanas, devido a uma substituição temporária de uma colega esse rácio foi de 1/160...). Quer isso dizer, Pedro, que quando os meus alunos, de 10.º e 11.º ano, realizam qualquer ficha ou teste de avaliação, aqui o professor tem 130 fichas ou testes para corrigir... Não são testes de escolha múltipla ou com questões de verdadeiro e falso. São perguntas de compreensão e de expressão escrita, com critérios bem definidos e rigorosos para a sua correcção e que exigem muita atenção e dedicação. Além disso, ainda fazemos a avaliação de trabalhos de casa, testes de compreensão oral e de expressão oral (obrigatória por lei), além de portefólios e outros trabalhos, como a preparação de aulas ou o acompanhamento de alunos com dificuldades. Assim como eu, há dezenas de milhares de docentes que têm de fazer este trabalho. Para o fazerem, sacrificam muitas horas de descanso ou de convívio com a família.
Nas últimas quatro semanas do primeiro período, este professor não beneficiou de um único dia livre ao fim-de-semana. Não houve, portanto, um dia em que este professor não tivesse de trabalhar... Nem um (sabe o que isso significa de desgaste psicológico?).
Tendo tudo isto em conta, sabe o que lhe digo? Antes de comentar, saiba a realidade e dê valor aos docentes porque eles não são números nem são dispensáveis!
E... já agora: Que se lixe o rácio! Devolvam-me (nos) a minha (nossa) vida!
João, um professor de Português ter a seu cargo 130 alunos é penoso. Tem toda a razão. E é uma realidade que não é de agora. Se voltar atrás 30 anos um professor de Português também tinha 130 alunos ou até mais...
ResponderEliminarPior estão os colegas que apenas têm um bloco semanal por turma. Pode chegar a dar um total de 10 turmas para ensinar (250 alunos ou mais). Por isso, defendo a concentração curricular!
Mas, se o seu argumento é o de que os rácios não interessam, então não vale a pena contra-argumentar. É que se nos queremos comparar com os outros países temos de utilizar rácios...
João Daniel: o Pedro é professor e podia ter respondido à pergunta. Espero, sinceramente, que o Pedro não sinta, um dia, na pele os efeitos do que defende.
ResponderEliminarConcordo com o João Daniel: por vezes, parece que o Pedro não está informado ou que usa uma qualquer cor partidária nas suas análises.
Obrigado Maria.
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