Nuno Crato elogia "exemplo" de gestão das Universidades
"O ministro da Educação e Ciência afirmou nesta quarta-feira que as universidades são um exemplo de gestão rigorosa de recursos, defendendo um reforço de verbas para o sector que tutela, no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio.(...)"
Era bom que Nuno Crato também elogiasse a gestão das escolas do Estado no ensino não superior. As reformas compulsivas, que geram despesismo, não são da responsabilidade das escolas. A gestão do orçamento do Estado tem sido feita ao cêntimo ao longo de décadas e com verdadeiros milagres de multiplicação. Há má gestão comprovada, e privatização de lucros, e aguardam-se os relatórios da IGE sobre as cooperativas de ensino.
Para além do financiamento por turma, convém recuperar um quadro elucidativo e que inseri neste post.
Então não é boa a gestão?! É sim senhor.
ResponderEliminarVejamos um exemplo.
Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa: este ano, pela primeira vez, acabou-se a 2ª fase de exames para os alunos no final de cada semestre, havendo apenas a possibilidade de cada aluno recuperar/melhorar classificação de três cadeiras em todo o ano escolar, ou seja, os desaires que os alunos possam ter facilmente serão arrastados para o semestre seguinte e por aí fora, sucessivamente, até à contingência de terem de frequentar um semestre a mais, no final da licenciatura, para concluírem todas as cadeiras (ou melhorarem classificações), pagando assim mais um semestre inteirinho de propinas.
É ou não é uma excelente gestão?
Se muitos alunos fizerem 7 semestres na licenciatura (e não 6), a faculdade receberá mais um semestre de propinas por cada um. (e quem acabar tudo direitinho não tem bónus nenhum na média final, como se ouve dizer por aí.)
Podemos sempre acreditar que o que está aqui em causa é apenas a exigência, numa das mais renomadas e melhor posicionadas faculdades do país, com elevadas taxas de empregabilidade pós-licenciatura.
Podemos sempre supor que, como diz Nuno Crato, afinal...
“Há aqui algo novo em relação a algumas práticas, uma preocupação da faculdade com o sucesso dos alunos.”
Mas o dinheirinho das propinas, pesadíssimas, é capaz de dar jeito à gestão, não?!
Era bom comparar estes números com o que acontece no resto da Europa.
ResponderEliminarJá sem falar de cursos também muito referenciados e procurados pelos alunos, em que as avaliações são feitas com base em testes de resposta múltipla e os alunos nunca saberão em que falharam e nunca poderão melhorar o seu desempenho porque, ou têm acesso à correção da prova, ou têm acesso ao que responderam, nunca poderão cruzar as duas provas simultaneamente, têm de solicitar individualmente e previamente a consulta da prova, estão proibidos de levar telemóveis para as consultas das provas e não podem tirar apontamentos, tendo apenas um período curto para apreciar a prova, dependendo apenas da sua memória fotográfica para reter 100 questões com várias alíneas. Não havendo correção pública e universal, nunca saberão se as provas dos colegas foram corrigidas com os mesmos critérios que as suas, pois embora a correção seja automática, por vezes os resultados não são publicados de imediato, havendo a possibilidade de intervenção manual, isto sem contar aquelas situações em que são publicados resultados em que um grupo de alunos aparece aprovado e três semanas depois são reprovados porque um aluno reclamou da correção e esse aluno passa a aprovado e os outros passam a reprovados sem recurso alternativo, não se surpreendam com o elevado número de óbitos nos nossos hospitais, não se deve exclusivamente às disfunções do SNS, deve-se também ao facto de neste país, nada transparente e com poucas ou nenhumas garantias para o cidadão, as oligarquias difusas terem um poder desmesurado, nada controlado e imperarem sobre o Estado de Direito. Neste país ninguém fiscaliza nada, ninguém é responsável por nada e quem denuncia esta situação passa para a lista negra do Linkedin. Claro que o Ministério pode alargar a entrada dos alunos nas universidades mas depois lá dentro há taxas de reprovação fixas para afunilar as entradas na profissão de modo a garantir suficientemente a carência de profissionais.
ResponderEliminarObrigado pelo comentário.
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