Passos Coelho pede contributos objectivos que atenuem a decisão do tribunal constitucional. Como a Educação vai entrar no lugar cimeiro dos sacrifícios (desde 2006 que é assim), avanço de imediato com uma proposta objectiva, exequível e que, por raciocínio indutivo, resultará numa poupança estrutural e conjuntural de milhões de euros.
Nas Caldas da Rainha, onde resido, existem escolas do Estado sublotadas, com dezenas de salas de aula vazias e com professores com horários zero. Foram edificadas escolas de cooperativas de ensino, algumas dentro do perímetro urbano, a quem o Estado paga 85.000 euros por turma. Cada conjunto de 10 turmas que se transfira para as escolas do Estado significa uma poupança de 1 milhão de euros e os professores das cooperativas de ensino, que não têm qualquer responsabilidade na brutal injustiça criada, poderão concorrer aos concursos públicos que a transferência de turmas obrigará.
Imagine-se a poupança gerada com a generalização desta exequível medida, que deverá ser aplicada antes da introdução de propinas no ensino não superior ou de recurso ao aumento da área dos quadros de zona pedagógica e da mobilidade especial para os professores.
Mas as turmas no sector público passam, magicamente, a não custar nada? Convém sermos um pouco mais sérios na discussão, sob pena desta não fazer qualquer sentido...No público, o custo por aluno é tão ou mais elevado do que no privado, logo a "poupança" até poderia na prática ser um gasto maior ainda.
ResponderEliminarTem aqui no blogue vários posts sobre o custo por aluno e por turma. Por turma: em 70% das turmas das escolas do Estado (sem o secunda´rio, portanto) é inferior.
ResponderEliminarZé Manel: estou a referir as escolas do estado que têm salas vazias e professores com horário e zero e onde os alunos fazem percursos semelhantes para chegarem às escolas. É muito simples, pode crer, e representa cerca de 1 milhão de euros por ano por cada 10 turmas.
"No público, o custo por aluno é tão ou mais elevado do que no privado"
ResponderEliminarMais uma do diz-que-disse. Realmente é preciso ter uma paciência para estes energúmenos.
Os números desmentem seriamente essa frase.
E até poderiam ser superiores, só pelo facto de o corpo docente no público ter docentes mais velhos e por isso com maiores vencimentos.
Mas nem assim. Aliás, isso até um ponto bem negativo contra o privado. Só demonstra que tem bons resultados utilizando uma escolha apertada dos meninos e betinhos. Nada de outliers dentro de portas que estraga a média.
É Alt; muita paciência mesmo.
ResponderEliminarCaro Zé Manel, as contas são fáceis de fazer... Se há professores sem componente lectiva atribuída e salas vazias nas escolas públicas, o custo da educação dos alunos transferidos dos estabelecimentos privados seria... residual.
ResponderEliminarAlém disso, caro Zé Manel, não nos esqueçamos que os 85 000 euros/turma que o Estado paga aos estabelecimentos privados (dinheiro do Orçamento de Estado, ou seja, de todos nós) não é devidamente investido na Educação das crianças. E isto por várias razões:
1. Tem de haver uma margem de lucro para os donos/administradores/gestores/consultores/directores desses colégios. Essa margem de lucro não é devidamente esclarecida, podendo incluir enriquecimento ilícito.
2. A média dos vencimentos dos professores e funcionários é significativamente menor (são contratados, de forma precária, muitos docentes que aceitam trabalhar nessas condições "apenas" porque precisam de um emprego). Pode sempre argumentar-se que os professores do ensino público ganham muito, mas estas pessoas encontram-se englobadas no regime público e inseridas em escalões, segundo a lei. Além disso, nos últimos anos, ganham cada vez menos, porque a sua carreira se encontra congelada ou porque são atingidos pelos sucessivos cortes impostos pelos governos, num total desrespeito pelas suas habilitações, pela sua qualidade profissional e pelo seu mérito. Estes docentes já contribuíram para a educação de milhares de estudantes, pertencentes a várias gerações, e merecem, também por isso, ser tratados com a dignidade existente em países democráticos e progressistas.
3. Se tiver dúvidas quanto à justiça da luta dos professores do ensino público num concelho como o de Caldas da Rainha, faça o favor de visionar a reportagem da TVI ("Dinheiros Públicos, Vícios Privados"). Pode ser que perceba que o que conta para os senhores administradores dos colégios é, apenas e só, o lucro, não importando o que está na Constituição Portuguesa nem o que está consagrado nas Leis Gerais do trabalho.
E podíamos estar o dia todo a falar disto... Mas se é encarregado de educação, lembre-se que a Escola Pública é de todos, a Escola Privada é só de alguns. O resto é fumaça e tentativas de ocultar o que realmente se passa (e passa-se mesmo muito... e tudo é ignóbil).
Nos colégios, podem até servir caviar e champanhe aos encarregados de educação, mas lembre-se que o dinheiro para esse "caviar" e "champanhe" sai do bolso de todos os contribuintes e deveria estar a ser usado na verdadeira Educação dos jovens, uma Educação para os Valores e essa Educação não rima com carros de topo de gama para alguns senhores.
Obrigado ao anónimo.
ResponderEliminarBem dito, anónimo!
ResponderEliminarÉ. O anónimo diz umas verdade.
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