sexta-feira, 14 de junho de 2013

da aprendizagem, das greves e do momento

 


 


 


Ao contrário de outras alturas também decisivas para os alunos e para a os seus professores, os sindicatos estão a manter a discussão centrada no essencial. Se a defesa da escola pública é há muito uma luta muito desigual, desta vez é menos assim e o Governo encontra-se isolado com o desastre das políticas para além da troika. Esperamos que os próximos desenvolvimentos não voltem a quebrar a espinha dorsal de quem defende com coragem a liberdade e a democracia.


 


 


7 comentários:

  1. Colega,

    Amanhã, Sábado, dia 15, os professores podem prosseguir com a lição de luta que têm estado a dar ao governo de Passos Coelho e Nuno Crato. Este governo está com receio que a luta docente continue e deite para o lixo todo o seu plano de continuar a despedir e empobrecer a classe docente.

    Com a greve do dia 17 temos mesmo que prosseguir esta luta, que tem sido um êxito, construído pela iniciativa de cada escola e centenas de colegas que se dispuseram a organizar as greves nas escolas. Só com a democracia de base e de cada escola se pode deitar para o lixo a mobilidade - seja ela qual for -, as 40 horas, o roubo salarial e o despedimento que já duram há já alguns anos.

    Vem participar na manif de sábado com os profs do Movimento 3Rs e lutar para que a luta prossiga com a nossa participação democrática nas decisões!

    Sábado, 14,30h, Junto ao DN / Avenida da Liberdade:

    "Basta de despedir no ensino para pagar aos bancos e boys!"

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  2. A GREVE DOS PROFESSORES VISTA POR ALGUÉM QUE NÃO É PROFESSOR

    Nuno Crato e Passos Coelho têm uma enorme vantagem na próxima segunda-feira, dia 17: ao contrário da maioria das pessoas, eles sabem que não é o conflito entre os direitos dos professores e dos jovens com exames marcados que está em causa. Quem destruiu as empresas e os empregos dos seus pais, diminuindo os rendimentos das suas famílias (incluindo as reformas e pensões dos seus avós), provocando fome no presente e roubando-lhes o futuro, não está certamente preocupado com os alunos. Quem quer transformar a Escola Pública num serviço “low cost” de salas apinhadas, de docentes sem condições de trabalho, com horários de escravos e a ameaça permanente do desemprego arbitrário não está certamente preocupado com os alunos nem com os professores, até porque os seu filhos (e os dos amigos) frequentam o ensino privado (alguns subsidiados com os nossos impostos) e os colégios para as elites no estrangeiro.

    Não, o fulcro da questão na segunda-feira não é esse - é saber se a delegação da Troika em Lisboa (a que alguns, ingenuamente, chamam governo de Portugal) pode continuar a destruir as nossas vidas, a ignorar os compromissos do Estado para com os cidadãos, a desmantelar os serviços públicos e a vender o País ao desbarato, conforme as conveniências da Banca e da Finança e as instruções de Angela Merkel e Wolfgang Schäuble.

    Até hoje só a Constituição (através do Tribunal Constitucional) travou os mais gravosos aspectos desta política de terra queimada. Os reformados, agrupados na APRE, tentam defender os seus direitos, espezinhados pelos mesmos que continuam a pagar rendas escandalosas às empresas energéticas e aos lobbies das auto-estradas - os mil milhões pagos aos bancos (das SWAPs) pagavam um subsídio … Mas as eventuais acções da APRE terão dificuldade em fazer-se ouvir e os trabalhadores por conta de outrem são frequentemente mal representados por sindicatos desgastados. Este confronto é a prova de fogo, a derrota dos professores representará a derrota de todos nós, que não o somos, mas que temos sido, e continuaremos a ser, vítimas deste barbarismo sem consciência social. Pior ainda, sabemos hoje que tudo tem sido em vão e 2014 “vai ser pior do que as piores previsões” (palavras do FMI). A dívida aumentou, o PIB regrediu, o desemprego disparou, a despesa pública está descontrolada, os juros não descem (apesar das simulações de “idas ao mercado”). Empobrecemos brutalmente durante dois anos apenas para injectar dinheiro nos bancos falidos (não só no BPN ) e a situação é hoje bem pior do que então – não há luz ao fundo do túnel porque este caminho não tem túnel, só um buraco.

    E a greve dos professores serve para alguma coisa? Serve para defender a Escola Pública, a qualidade do ensino, certamente as condições de trabalho de quem a faz, mas sobretudo (para mim que não sou professor) para dizer a Cavaco Silva, Passos Coelho e os seus cúmplices que não podem continuar impunemente a sua acção. Tenho lido e ouvido muitas vozes revoltadas nas redes sociais e nos media, chegou o momento de fazer alguma coisa – os professores não podem recuar e nós não podemos abrir brechas no muro do BASTA! Lamento mas não há espaço para a abstenção nem para o descomprometimento, as trincheiras estão bem delimitadas mas demasiado próximas, quem não estiver numa estará na outra. O atropelo às leis da República, a intenção de mudar a Constituição, o medo instalado, as ameaças aos grevistas e outros opositores, o desaparecimento das vozes livres na imprensa, com a cumplicidade activa do Presidente da República, têm que ter um fim.

    “Quando eles vieram buscar os professores, eu calei-me, eu não era professor…” Quando vos vierem buscar e já não houver ninguém para protestar, lembrem-se com quem estiveram no dia 17 de Junho de 2013.

    João Jales / Caldas da Rainha, 14-06-13

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  3. Obrigado João Jales.

    Muito bom, se me permites.

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  4. Caro João. Se me permite vou divulgar este texto. Muitos parabéns pelo seu discernimento.

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