Por mais que os professores militantes socialistas se esforcem por justificar, é evidente a negação mental dos dirigentes do PS, actuais e anteriores, quando se trata de professores como grupo profissional: não comentam ou estão contra.
Até me pode ter escapado alguma declaração favorável às acções recentes dos professores. Mário Soares, que em qualquer intervenção exige a demissão do Governo, referiu-se ontem à "fúria dos professores por causa do dinheiro"; quis dar razão aos professores, mas não sabe, naturalmente, do assunto.
Dos primeiros da estrutura, Seguro mantém o mesmo silêncio do tempo de Lurdes Rodrigues (não sei se continua, ao que se dizia, crítico veemente em off), António Costa é contra as greves às avaliações e aos exames e baralha-se na argumentação, Assis vai mais longe e parece um "Rosalino" a bombardear argumentos ultraliberais, Lurdes Rodrigues é a favor duma escola pública sem a praga de professores livres (diz que que não faz sentido "a discussão sobre a mobilidade ou dispensa de professores", mas legislou-a) e Sócrates conseguiu, no Domingo na RTP1, não emitir uma linha sobre as greves de professores embora tenha sido suficientemente maquiavélico: o Governo quer é despedir funcionários públicos.
Há um qualquer buraco negro que suga a escola pública das mentes até dos mais acérrimos acusadores da actual maioria. Escapam apenas as que não dependem dos "votozinhos-mais-poderosos", as dos desprendidos e as dos Marcelos Rebelos de Sousa (os professores têm toda a razão, mas deviam fazer uma greve simbólica; não consigo descortinar o alcance da sua bi-táctica e, se calhar, nem ele).
Os tais professores militantes socialistas sentirão, naturalmente, uma certa desorientação.
Nem mais...
ResponderEliminarDe facto só ouvi a sinistra ministra comentar...Quanto aos ps mais conhecidos...calados que nem uns ratos...
ResponderEliminarNão tenhamos ilusões: quem cala, consente.
ResponderEliminarAliás, muitos socialistas até devem estar aliviados com algumas das propostas do actual Governo, como por exemplo a excepção dos professores do Ensino Superior na proposta de Requalificação (= mobilidade especial) dos funcionários da Administração Pública, uma vez que, nos períodos de nojo governativo, é no Ensino Superior que muitos se albergam, enquanto não chega a sua entrada em cena novamente.
Proposta de Lei n.º 154/XII/2.ª
CAPÍTULO II
Procedimento
Artigo 4.º
Procedimentos
[...]
4 – Na aplicação da presente lei às instituições de ensino superior públicas são salvaguardadas, quando necessário, as adequadas especificidades em relação ao respetivo corpo docente e investigador, nos termos dos respetivos estatutos.
Obrigado.
ResponderEliminarImpera um silêncio ensurdecedor. A coragem dos professores merecia outro comportamento.
ResponderEliminarExacto Ana. Obrigado.
ResponderEliminarO PS carregará mais um pedaço nos professores. É à vez...
ResponderEliminar"… no Público de hoje a uma prosa inenarrável de Francisco Assis, em que esta velha esperança do PS moderado, responsável e ávido de ser aceite como ministeriável (mesmo que em Bloco Central), considerava a greve dos professores como algo, e passo a citar, “incompreensível, indigno, inaceitável”.
ResponderEliminarOra bem, a Maria do Rosário Gama, apesar da contundência da reacção, talvez por estar paredes-meias com o dito Assis no PS para sei desgosto, não poderá ter acrescentado algumas coisas que eu assumo sem problemas:
Incompreensível é um tipo que nada de relevante fez na sua vida profissional e política para além de escapar mal a um par de estalos aparecer como se fosse um político de relevo, apesar do estado paupérrimo da nossa vida pública e do recrutamento das pseudo-elites partidárias andar restrito a jotinhas de carreira e ex-autarcas por vocação.
Indigno é toda uma classe profissional ter de aturar um tipo destes a perorar, sem especial conhecimento de causa, sobre aquilo que é legítimo fazer em defesa dos seus direitos profissionais e laborais, raramente conseguindo elaborar um raciocínio de forma factualmente fundamentada e permanecendo sempre no plano difuso das ideias vagas.
Inaceitável é que a nossa vida política e a alternância governativa esteja entregue a este gama de políticos que nada mais fizeram na vida, que aos 40 anos já quase se sentem senadores da República apenas porque desde pequeninos se pós-graduaram em canelada nas concelhias e doutoraram em cotoveladas na distrital até estarem disponíveis para ser cooptados pelos establishment."