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terça-feira, 11 de novembro de 2025

Na educação, temos um Governo na linha do executivo de José Socrates

 


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Na educação, temos um Governo na linha do executivo de José Sócrates (ou, em geral, "na de Passos Coelho com patine José Sócrates"). E antes do mais, e para lá do primeiro-ministro ter um perfil com semelhanças que tantos não se cansam de sublinhar, também recebe a cooperação estratégica de Cavaco Silva e o apoio de toda a direita. Mas na educação, onde, objectivamente, também regista a anuência de toda a direita, o Governo não só mantém intactos quatro eixos decisivos, como tudo fará para os desenvolver. A relembrar: proletarização da carreira dos professores, autocracia na gestão escolar, farsa avaliativa do desempenho com quotas e vagas (ou prémios de desempenho) e inferno burocrático como inversão do ónus da prova. E por fim, o Governo até traz à memória a saga do computador Magalhães (uma ideia que o pato-bravismo também destruiu), ao anunciar que quer "dar a cada aluno um tutor de IA que ouve, orienta e inspira a sua aprendizagem". Veremos como é que a inteligência natural fará a compatibilização desta epifania - a telescola 3.0 - com a proibição do smartphone e com os algoritmos que viciam as crianças e os adolescentes nos discursos de ódio e na desinformação.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

terça-feira, 6 de julho de 2021

As Grandes Batalhas Escolares nas Nações Que Falham

Uma das grandes batalhas escolares nas nações que falham: metas curriculares versus aprendizagens essenciais. E não adianta tomar partido. É como a inutilidade em fazê-lo entre a culpa do professor ou das suas circunstâncias ou entre conteúdos e competências.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Mas É Isto Que As Escolas Fazem Há Décadas

 


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Afinal, o fim das reprovações no ensino básico não significa a "eliminação dos chumbos, mas um trabalho de acompanhamento mais próximo dos estudantes que revelam mais dificuldades.", disse Tiago B. Rodrigues ao Público. Mas é Isto que as escolas fazem há décadas. É saturante este discurso circular que instala ruído comunicacional. Quem não acompanha estes assuntos pensará que um professor que é crítico destas ideias não é progressista nem a favor da igualdade de oportunidades. O que os professores sabem, e se cansam de prever, é que este discurso acaba sempre nos culpados do costume: os professores. O ministro podia dizer outra coisa: a sociedade tem de acompanhar mais as pessoas e gerir melhor o território, para que as crianças sejam bem sucedidas na escola.


Há décadas que os estudos explicam o insucesso e abandono escolares, como também sublinham que não há escola na Europa com uma missão tão impossível como a nossa. A escola portuguesa é tudo. É como se não existisse sociedade. Não será por acaso que continuamos com os piores registos da OCDE no insucesso e abandono escolares (isto também se lê no PISA). Repito uma evidência que também tem "quase uma década".


As sociedades com mais ambição escolar, e com meios económicos que a sustentem, atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar as mesmas 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.


Se testássemos os mesmos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) influenciam em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

Se os mesmos 100 alunos cumprissem duas escolaridades, na mesma sociedade e organização, com 100 professores diferentes, os resultados oscilariam muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

É por isso que é um logro que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que tudo se resolve mudando o conteúdo físico dos 30%. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% não há ensino. O que é fundamental concluir é que as componentes sociedade e pobreza são decisivas. E isso não significa que a escola portuguesa tenha (ou deva) cruzado os braços; bem pelo contrário.


Nota: numa rápida pesquisa sobre o tema na actualidade, encontra-se de imediato a concordância "programática" de David Justino (um dos percursores do "tudo está mal na escola pública").

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Dos Modismos no Escolar

 


 


 


Fui parar a uma entrevista de Agosto de 2016 de quem coordenou o perfil do aluno no final do 12º ano. 


Regressei, pela enésima vez, a este post


Começa assim: 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular. 


Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.



Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.


 


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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


terça-feira, 24 de setembro de 2019

Da Interdisciplinaridade

 


É antiga a crítica à escola-industria e muito raramente as escolas escapam à normalização de horários, de currículos e por aí fora. É um assunto muito interessante, que está sempre à mercê de "cíclicos inventores da roda" e que exige muitos caracteres. Por exemplo, a ideia em curso de tentar implementar uma "interdisciplinaridade sem financiamento" é semelhante à área-escola do início da década de noventa do século XX que desaguou na área de projecto no fim dessa década para permitir sensatez e um mínimo de exequibilidade.


Recorro muitas vezes a este post (onde por ler vários remédios) que começa assim:



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se fossem novidades. Parece um percurso circular.


Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre reformas. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. 20 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo.


O remédio interdisciplinaridade diz assim:


Interdisciplinaridade.

Registo da patente: acredita-se que teve início da década de 80, mas sem registo da patente devido à provisoriedade dos diversos governos de então.

Composição: a plenitude dos saberes integrados.

Indicações terapêuticas: eliminar todos os bloqueios que impedem a comunicação entre os diversos saberes.

Contra-indicações: o seu tempo de eficácia é cirúrgico (julga-se que o medicamento é desconhecido por quem se dedica a fazer programas escolares).

Precauções especiais de utilização: quando utilizada de forma demasiado optimista pode provocar sérias indigestões aos alunos de todos os escalões etários.

Prazo de validade: resiste a várias intempéries; provoca inúmeros seminários e colóquios sobre a problemática dos prefixos, inter, trans, pluri e multi?; rapidamente pode mudar de nome e transformar-se, ainda, em algo compulsivamente quase obrigatório (área escola) ou mesmo obrigatório (área de projecto).


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O CNE e o eterno retorno

 


 


Até parece que adivinhava a mediatização do relatório "Estado da Educação 2017" que o Conselho Nacional da Educação (CNE) deu hoje a conhecer. É que ainda ontem fiz um post sobre o silêncio do CNE. Há uma preocupação com o insucesso escolar elevado. Do que li, só detecto causas na escola. Ou seja, em Portugal não existe sociedade. A educação é a escola e ponto final. Discordo. Um CNE deve reflectir sobre a educação e não apenas sobre a escola. Voltarei ao assunto no fim-de-semana. O título da notícia diz assim:



"Chumbar um aluno custa 6000 euros, ensiná-lo a estudar só 87. A retenção é uma medida “cara e inútil”, diz a presidente do Conselho Nacional de Educação. Outras opções são mais baratas e eficazes.(...)"


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O parlamento desconsidera os professores

 


 


 


No caso dos professores, nada de substancial se altera com as mudanças de geometria parlamentar no suporte dos governos. Nem sequer a hiperburocracia ou a dimensão civilizada e democrática das organizações. Mas passemos à frente.


Conclui-se que, afinal, o "Governo endurece regras para reforma antecipada". Enquanto se sucede o rol de mentidos e desmentidos de todos os universos parlamentares, anuncia-se que a "recuperação integral do tempo de serviço dos professores na Madeira começa a 1 de Janeiro". Quem viu as declarações dos partidos que suportam o Governo durante a saga OE2019, sorri com uma frase que ouvi por aí (mais ou menos assim, claro): "Enquanto a maltinha da escola Robles joga às ultrapassagens com a trupe dos fumos da margem sul, os dos olhinhos só para as Raríssimas cortam nos do costume e "emprestam" aos bancos".

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

da saga "vencê-los pelo cansaço"

 


 


 


Dá ideia que a negociação do orçamento passa por um aumento simbólico dos funcionários públicos. Será assim porque é ano eleitoral. O orçamento tem que ser aprovado e os cálculos eleitorais estão ao rubro. A oportunista oposição está à espreita. É demasiado mais do mesmo. Os funcionários públicos não mereciam mais este ónus junto do bullshit mediático. Entretanto, "Greve de professores. 75% de adesão e muitos alunos sem aulas em Lisboa, Setúbal e Santarém.".

sábado, 8 de setembro de 2018

Foi difícil encontrar os professores

 


 


 


Passei pelos principais sites dos OCS portugueses e não encontrei, nas primeiras páginas, qualquer referência às notícias de ontem a propósito dos professores. Afinal, o Público tinha uma referência. Pela imagem, que é de circunstâncias anteriores, percebe-se que não existiu grande interesse.


 


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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

E é isto: da gestão dos hospitais aos agrupamentos escolares

 


 


Houve um Governo particularmente nefasto para os serviços nacionais de saúde e escolar: incluía Correia de Campos. Talvez fosse o ministro mais decisivo para a alteração dos modelos de gestão dos dois sectores e para a ideia de agrupamentos a eito. Em 24 de Maio de 2011 escrevi assim:



(...)Há tempos fiquei estupefacto com a sua falta de rigor e com o seu populismo. Num debate televisivo, Correia de Campos estava eufórico com os últimos resultados PISA e disse que o novo modelo de gestão escolar tinha uma grande responsabilidade na melhoria. Como se sabe, os testes foram realizados em Abril de 2009 e o modelo de gestão só entrou em vigor em Maio do mesmo ano. No mínimo, a responsabilidade seria do modelo que este PSterraplenou.(...) 



A revista do Expresso (4 de Agosto de 2018) tem uma muito boa entrevista ao médico José Fragata com a seguinte passagem (pág.58):



"Falta-me agilidade de gestão, a autonomia é zero. A junção de hospitais em grandes centros hospitalares, de Correia de Campos, não foi feliz. Os hospitais perderam a sua personalidade, substituída por uma marca que não existe. As pessoas vêm para serem operadas em Santa Maria, não no Centro Hospitalar de Lisboa central. Éramos um hospital com identidade própria e agora somos uma sucursal."



Aliás, o PS ficou prisioneiro destas políticas na saúde e na educação. É uma tragédia que também capturou as forças representadas no parlamento, com as do antigo arco governativo a cavalgarem os interesses associados e as restantes a aplaudirem temerosas com a ideia de exclusão do poder.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

O "burros" não é muito inclusivo

 


 


 


Também li pelo facebook um post de um dos mentores da "nova" ideia sobre educação inclusiva. O post era sobre os professores. O Paulo Guinote fez um post no blogue dele e deixei por lá o seguinte comentário: "O "burros" não é muito inclusivo". O post começa assim:


 



"Texto no mural do David Rodrigues no fbook:


 


"Não acredito…


Asseguram-me que o Governo das Esquerdas vai perder a maioria por falta do voto dos professores.
Eu não acredito.
Só mesmo aqueles que não se lembrem do que é a alternativa ao Governo das Esquerdas lhes fez…
Eu acredito que ninguém é tão inconsciente que se suicide por vingança…
Os professores podem estar zangados mas não são burros."


(...)"


sexta-feira, 20 de julho de 2018

dos modismos e do perfil do aluno

 


 


 


 


Fui parar a uma entrevista de Agosto de 2016 de quem coordenou o perfil do aluno no final do 12º ano.


 


Lembrei-me deste post.


 


Começa assim:  


 



A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.



 


Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.


 


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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.


domingo, 15 de julho de 2018

Uma comissão técnica não é mais do mesmo?

 


 


 


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Passaram uns dias e confirmou-se: não houve um analista ou comentador que se interrogasse sobre a "criação da comissão técnica que apurará, ainda este mês, os números financeiros tão dispares da recuperação do tempo de serviço dos professores". E porquê o silêncio? Ninguém se interroga, mesmo os que opinam sobre tudo, a propósito do rigor nas contas do Estado? Ninguém se indigna por andar a discutir o que desconhece?


Se já era inaceitável no final do milénio que os portais dos diversos ministérios não disponibilizassem dados para consultas em tempo real (transparência sobre os números de profissionais, utentes, receitas, despesas e por aí fora), o que se deveria dizer por chegarmos a 2018 sem uma base de dados em que se introduza um campo com o tal tempo a recuperar e se perceba os custos nos momentos mais variados?


É a comissão técnica que vai criar a solução que nem o ministério das finanças conseguiu? As finanças apuram com rigor pagamentos. A criação desta comissão técnica confirma-o. Projectaram 100 milhões de euros para os descongelamentos já verificados nos professores e o real deu 37 milhões. E depois não querem dar razão aos que dizem que "a criação destas comissões técnicas se aprende nas Universidades de Verão e nas organizações juvenis dos partidos políticos" onde não há lugar para bases de dados, tempo real e transparência, mas futuro assegurado nos gabinetes que dirigem há décadas os diversos ministérios e os mais variados satélites.


 

domingo, 1 de julho de 2018

do suposto intervalo na saga dos professores

 


 


 


Há já uma longa história de contendas entre os professores portugueses e os governos. Não raramente, a mesa negocial é ultrapassada pela saturação dos professores e os desesperados acordos fora de horas resultam inconsistentes. Aliás, terá sido um qualquer momento do mesmo género a inspirar a célebre guerra do Raul Solnado.