segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

a natalidade como mais uma epifania

 


 


 


 


O Governo afirmou-se para além da troika, anunciou o empobrecimento irreversível e convidou os jovens adultos a emigrarem. Foi assim em 2011. Tenhamos alguma memória.


 


Três anos depois, e quando se sabe que Portugal é o único país da troika a sair da crise com menos população e que está com sérios problemas demográficos, o primeiro-ministro anda por aí a corrigir o discurso. Passos Coelho teve mais uma epifania: a natalidade.


 


 


 

17 comentários:

  1. Pior do que a epifania de Passos Coelho ao querer preparar um plano de acção pró-natalidade em três meses, na conjuntura actual, é ver pessoas como o professor Joaquim Azevedo envolverem-se nela.
    Não há dúvida de que a ambição pode levar ao delírio.

    "[...] criar uma comissão multidisciplinar, chefiada por Joaquim Azevedo, da Universidade Católica, para, em três meses, preparar um plano de acção na área da natalidade."

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  2. Recordam-se das políticas de ex-ministro Relvas para combate ao desemprego jovem? Os resultados práticos foram nulos, exceto alguns que continuam a enriquecer às custas do povo.

    A Alemanha já começou a tratar desse problema. Prevê-se que os reformados ultrapassem os trabalhadores em idade ativa em 2030. No sentido de garantir a sustentabilidade da segurança social e aumentar o número de nascimentos nesse começou um forte recrutamento de jovens licenciados, mestres e doutorados nos países que estão em crise na Europa, nomeadamente Grécia, Espanha e Portugal (pagando muito bem). Julgo que isto não acontecerá em Portugal Nem sequer recuperar os 300 mil que saíram em três anos. Será criada uma medida (2 ou 3) fantoche e será apresentada como uma fórmula fantástica e depois cairá no esquecimento.

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  3. Vamos aguardar, então, pelo tal plano Ana :)

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  4. Não acredito num programa promovido por esta gente. Não foi o coelho e o irrevogavel que falaram no sucesso das suas políticas? Eu acredito neles ..ehehehehehehe. Agora com o relvas ainda vamos ficar melhor...

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  5. paulo guilherme trilho prudêncio25 de fevereiro de 2014 às 11:23

    Enfim.

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  6. Obrigado pela informação. Desconhecia esse ponto de vista.

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  7. País "da troika"? Não. País "que chamou a Troika" ou país "que pediu dinheiro emprestado à Troika". As palavras são importantes, como diria o grande Nanni Moretti

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  8. O salário mínimo na Grécia é de 870 euros x 12 enquanto em Portugal é de 570 x 12.. Além disso o governo grego tem sido extremamente lento a imlementar as medidas de austeridade mais violentas e inclusivamente as privatizações têm estado atrasadas para desespero da Troika. Nós, como sempre, temos sido os melhores alunos da Troika, como fomos no passado os melhores alunos da UE. Talvez sejam estas algumas das explicações.

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  9. Não há governo que ponha os portugueses a fazer filhos. Nem este, nem outro: o problema, mais que económico, é cultural e civilizacional. Despeje-se dinheiro em cima dos casais portugueses e, a mais do que aumento do número de crias, assistiremos a um crescimento nas vendas de automóveis e de passagens aéreas para destinos tropicais.

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  10. Haverá uma componente cultural e civilizacional, concordo. Mas o desemprego nos jovens adultos, e nos outros grupos, a supressão do futuro e a absolutização do presente, a mobilidade das pessoas (é difícil dois jovens adultos com ambição profissional viveram na mesma cidade, a menos que um abdique), os horários laborais e escolares e por aí fora não são variáveis a desprezar; pelo contrário.

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  11. Serão variáveis a considerar, por certo. Mas as mesmas, concordará, seriam também actuantes há 10, há 20, há 30 anos, sem que a mortalidade superasse, como agora, a natalidade. As variáveis mais relevantes a considerar são de outra ordem (e neste elenco não há qualquer juízo de valor): alterações sociológicas significativas na família (sua estrutura, funções, durabilidade, natureza); subalternização da maternidade em relação à carreira profissional; alteração do estatuto da mulher; centramento no indivíduo; endeusamento da criança. Este último factor, ironicamente, é determinante. De tal modo "ter um filho" a quem nada faltasse (os melhores e mais disponíveis pais, os melhores pediatras, os melhores colégios, as melhores universidades...) se tornou relevante que, a "paternidade responsável" só pode acontecer uma vez. Ou nenhuma.

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  12. Claro. "Subalternização da maternidade em relação à carreira profissional" que se acentua com a sobreposição da carreira profissional e dos horários laborais em relação ao tempo para as crianças. Nos posts sobre a obesidade infantil que tenho publicado também se refere outra variável: o desaparecimento do tempo livre para as crianças. Tanto planeamento deve assustar os adultos.

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  13. Afinal, até estamos de acordo; a "solução económica" (panaceia dos menos atentos) não é "a" solução.

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  14. Como sempre e em quase tudo: ajuda muito, mas não é tudo.

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