"Governo admite: “Não conseguimos vaga no pré-escolar para todas as crianças de 3 anos”"
"Crianças pobres são as que menos frequentam creches e pré-escolar. Acesso à saúde piorou"
Os meus textos e os meus vídeos
sábado, 7 de junho de 2025
E estamos no inverno demográfico!
sábado, 3 de janeiro de 2015
Reabram-se escolas
Aumentou a natalidade. Perante a pergunta, "devemos reabrir escolas e contratar professores?", o poder vigente responderá que o aumento só se reflectirá lá para 2020. É risível pensar que nos últimos anos a quebra da natalidade serviu para cortes imediatos e a eito.
Primeira página do Expresso de 3 de Dezembro de 2014.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
se nos ocuparem o interior, quanto tempo é que a malta de Lisboa e Porto demorará a perceber o acontecimento?
Se um dia os denominados Jihadistas recuperarem Granada e Córdoba com a ideia de dominarem a Penísula Ibérica (o Gharb al-Andalus incluía o que é hoje o território português, o Alhambra demonstra como isso foi possível e não se pode dizer que a história não se repete) do mesmo modo que estão a erguer um Califado na Síria e no Iraque, há uma interrogação que devemos colocar: com o despovomento em curso, quanto tempo é que a malta de Lisboa e Porto demorará a pereceber a ocupação do interior?
quarta-feira, 18 de junho de 2014
das políticas de (des)promoção da natalidade
A notícia diz que as "empresas obrigam mulheres a garantir que não vão engravidar durante cinco anos" e não há muito fomos informados que o Governo tinha uma comissão a promover, através de fundos europeus, políticas de natalidade.
Enfim: fundos europeus, grupos de estudos, empresas-de-vale-tudo e políticas dos governantes portugueses têm sido combinações que nos envergonham.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
e metemos 30 na mesma sala de aula
"Portugal "perdeu" quase um milhão de crianças em trinta anos", diz o INE, mas o Governo para além da troika decidiu, pela voz de Crato, que "(...)"uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade (...)" e retratou o que acontece nos países asiáticos com democracias muito musculadas. É mais um ministro que não consegue ter voz política ou que não está a defender a escola pública e a igualdade de oportunidades.
Com o empobrecimento associado à queda da natalidade e à alteração de sentido dos fluxos migratórios, exigia-se que Portugal aumentasse a qualidade do ensino e reduzisse o abandono escolar. E só quem nunca pôs os pés numa sala de aula de um país com as nossas características é que não pecebe a diferença entre 24 e 30 no limite do número de alunos por sala de aula.
terça-feira, 1 de abril de 2014
domingo, 30 de março de 2014
o clubismo repete-se
É frequente, e tolerável, a intransigência clubística no futebol, mas não podemos ter a mesma condescendência em relação aos partidos políticos. Já nos tempos dos governos de Sócrates deparámos com socialistas (muitos professores) que tardaram em aceitar, ou nunca conseguiram, o óbvio da tragédia. Essa espécie de masoquismo diz muito das limitações humanas.
Passa-se algo semelhante nos tempos que correm, embora os defensores da actual maioria sejam ainda mais dissimulados; mesmo no seio dos professores.
Um dos argumentos que mais usam para disfarçarem a incomodidade com os cortes a eito, ou até, pasme-se, com a suposta corrupção na relação público-privado, é a redução de alunos. É uma falácia. O decréscimo mais acentuado da natalidade nos últimos três anos só se sentirá no primeiro ciclo a partir de 2017. Existem, todavia, factores transversais: a emigração de 300 mil pessoas em três anos terá "levado" muitos alunos de todos os graus de ensino, há um decréscimo na imigração e existe o empobrecimento. E é bom que se repita: Portugal deve aumentar o número de alunos no 3º ciclo e no ensino secundário e deve reduzir o número de alunos por turma em todos os graus de ensino. Só não regista este argumentário quem, e repetidamente, não vê o óbvio da tragédia.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
a natalidade como mais uma epifania
O Governo afirmou-se para além da troika, anunciou o empobrecimento irreversível e convidou os jovens adultos a emigrarem. Foi assim em 2011. Tenhamos alguma memória.
Três anos depois, e quando se sabe que Portugal é o único país da troika a sair da crise com menos população e que está com sérios problemas demográficos, o primeiro-ministro anda por aí a corrigir o discurso. Passos Coelho teve mais uma epifania: a natalidade.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
quem divide
"Uns exportam, outros manifestam-se", disse o irrevogável vice-primeiro-ministro no enésimo sound bite do seu frenético magistério.
Percebeu-se desde o início que este Governo colocaria os portugueses em confronto passando a mensagem de que quem se manifesta não produz. A crescente crispação das últimas semanas é a inevitável resposta dos adversários do Governo onde se inclui o derradeiro documento papal que parece dirigido à opus dei.
O além da troika é imperdoável e os convites à emigração e ao empobrecimento dilacerantes.
Há muito que se adivinham sérios problemas demográficos e percebe-se o silêncio embaraçoso dos governantes. Mas seria sei lá o quê reduzir aos últimos dois anos essa anunciada descida ao inferno.
A quebra da natalidade agravou-se com os jovens que "exportámos", 120 mil no último ano mais os imigrantes que regressaram aos países de origem, e pelas políticas que eliminaram a preocupação com a demografia. E até nisso a frase inicial do irrevogável é imperdoável. Ouvi-a e seguiram-se imagens de professores contratados (entre os 25 e os 45) em manifestação. São os sobreviventes da "exportação" em massa e do maior despedimento colectivo da história perpetrado por este Governo tão orgulhoso do feito histórico. Dizer-lhes que não produzem é acusá-los de parasitismo e isso só pode ter origem na mente de um governante incendiário e altamente perturbado com os resultados das suas, outrora abençoadas, correrias histéricas.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
alerta vermelho
Se não contrariarmos a tendência descrita na imagem, a breve prazo os indicadores serão difíceis de reverter até porque estarão acompanhados de taxas novamente arrasadoras no abandono e insusesso escolares.
terça-feira, 14 de maio de 2013
pela enésima vez
Gráfico obtido no blogue do Arlindo Ferreira.
As palavras nunca estão gastas, mas cansa o retorno (eterno ou efémero?) do Governo à relação entre a natalidade e o número de professores, omitindo os achamentos essenciais, a estrutura curricular, a número de alunos por turma e a gestão escolar.
Se cruzarmos os dados dos dois gráficos, vemos que a natalidade desceu para cerca de metade de 1970 a 1990 (de 20,8 para 11,7), que de 1990 a 2010 teve uma ligeira quebra (de 11,7 para 9,2) e ninguém garante (a não ser o empobrecimento e o estímulo emigratório) que a curva não continue estável (o contrário levaria ao nosso desaparecimento e nem valia a pena estarmos com coisas).
Neste milénio, o número de matrículas no 1º ano de escolaridade atingiu um pico em 2006 e só agora é que esses alunos chegam ao 3º ciclo.
Ou seja, nos próximos sete a oito anos não vamos necessitar de menos professores (só se continuarmos com cortes a eito na carga curricular e com aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma que baixarão ainda mais a qualidade do ensino) nos 2º e 3º ciclos e no ensino secundário e mais se evidencia se conseguirmos que cerca de metade dos alunos não abandonem a escolaridade no 10º ano.
Também concluímos que em 2016 precisaremos do mesmo número de professores que tínhamos em 2007 já que os alunos matriculados em 2010 eram em número semelhante a 2001. Se considerarmos a razia já realizada (os números de 2013 serão concludentes), haverá justificação para a redução de professores mas em número muito inferior ao já verificado.
Aconselho a leitura de um post que escrevi num momento também fastidioso sobre este assunto.
Já usei parte destes argumentos noutro post.
e para não variar, os cortes incidirão nos do costume
Quando li que "Passos diz que as novas medidas não se aplicam "à generalidade" dos cidadãos" pensei: não tarda muito e está a afirmar qualquer coisa como "Portugal precisa de menos professores". Dá ideia que os governos "entretém" as pessoas com outros alvos para acabarem nos do costume. Há anos a fio que é assim. Veremos o que dizem os senadores da direita e da esquerda.
Por mais que se saiba que a redução da natalidade está ainda longe de influenciar o número de alunos no curto e no médio prazos, que houve um aumento do número de alunos por turma associado à redução curricular e a uma gestão escolar única no mundo conhecido, que temos ainda uma percentagem, que nos envergonha, de pessoas que não concluem o ensino secundário e mesmo o 3º ciclo, o primeiro-ministro faz estas afirmações na linha das conclusões do indizível relatório FMI.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
de i para e
Passámos de um país que recebia muitos imigrantes (de África, do Brasil e da Europa de leste) para a condição de nação que vê o seus jovens adultos emigraram em números "impensáveis". Se associarmos a esta mudança nos fluxos migratórios o despedimento das mulheres grávidas, a precarização contratual ou a ausência de horários laborais que se preocupem com o tempo precioso para educação das crianças, temos uma forte explicação para a quebra da natalidade.
Esta condição afectará o sistema escolar daqui a uns anos. Mas o que mais influencia os números é a vergonhosa taxa de abandono escolar precoce. O nosso sistema escolar terá algum decréscimo de frequência no pré-escolar e no primeiro ciclo durante esta década, mas terá de aumentar a frequência escolar nos 2º e 3º ciclos e principalmente no ensino secundário se quiser continuar a caminhar em direcção à civilização.
Há uma questão que deve ser unânime e que deve mobilizar quem se interessa pela generalização da escolaridade: o número de alunos por turma. Numa sociedade com as nossas características, definir um valor à volta de 20 deve significar um elementar sinal de inteligência, de sensatez e de preocupação com o futuro.
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