Arriscando-me a cair num registo redundante, mas considerando a polémica que acusa os críticos do eduquês (e excluo Nuno Crato do grupo de críticos do eduquês) de serem inimigos da inclusão e da democracia, afirmo que a má e excessiva burocracia fez mais pela exclusão de alunos do que as outras variáveis. Apenas a sociedade ausente, onde se incluíram a pobreza e a falta de ambição escolar, conseguiu níveis mais elevados.
As políticas educativas do meu espaço político, a esquerda (no caso português a coisa preencheu a mente de todos os partidos políticos que passaram pelo parlamento), convenceram-se que a burocracia seria o advogado de defesa do aluno-réu perante o todo poderoso professor-juiz e que assim se garantiria a igualdade de oportunidades.
Substituiu-se a palavra do professor pela evidência documental e nasceram inúmeras inutilidades informacionais. Os professores muito fizeram para escaparem a esse inferno. Por direito de sobrevivência, usaram a farsa para esconderem a mágoa e a saturação e apoiaram menos os alunos desprotegidos. Pelo contrário, quando encontraram ambientes organizacionais despoluídos e civilizados, mobilizaram-se para a inclusão e ajudaram a democracia a crescer.
1ª publicação em 22 de Junho de 2011.
Mais uma vez um excelente post. Parabéns! O verdadeiro "eduquês", de que NC não fala, porque o desconhece não estando no terreno, é esse mesmo: a má burocracia, a desconfiança à partida e o abandono do princípio da boa fé. Mas as organizações-escolas, ou alguns dos seus dirigentes (que não verdadeiros líderes), também cavalgaram a onda, muitas vezes complicando ainda mais as já de si complicadas exigências das DREs. E muitos professores não puderam deixar de entrar na farsa.
ResponderEliminarMais uma vez parabéns pela lucidez da análise. Vivemos o triste tempo em que a forma e os instrumentos são um fim e não um meio.
excelente
ResponderEliminarObrigado Ana, pelas palavras e pelo comentário.
ResponderEliminarou "desprezaram" os melhores alunos também?
ResponderEliminarBelíssima evidência esta a que todos devem estar atentíssimos:
ResponderEliminar"Pelo contrário, quando encontraram ambientes organizacionais despoluídos e civilizados, mobilizaram-se para a inclusão e ajudaram a democracia a crescer." Que importância esta frase tem. Leiam-na mil vezes e a coisa vai.
Brilhante.
ResponderEliminarViva Paulo,
ResponderEliminara minha crítica ao discurso anti-eduquês fundamenta-se no facto de ser um discurso redondo, estruturado em torno de um conceito difuso e não clarificado, mas sobretudo assente na enorme mistificação que é atribuir a terceiros a responsabilidade por algo que nunca se demonstrou existir, de forma cientificamente fundamentada.
Ainda por cima quando se sabe que os visados pela crítica não têm os mesmos meios de divulgação das suas posições que os acusadores.
Isso é de uma enorme desonestidade, mas na democracia controlada em que vivemos há 35 anos já nos fomos habituando a esses processos.
Abraço.
Viva Francisco.
ResponderEliminarPela minha parte, há muito que o eduquês está bem identificado e que é um inimigo que deve ser combatido com todas as forças.
Este post tb o faz e de forma sucinta. Mas para isso, é como alguém disse: é preciso estar na escola e pensar a sua cultura organizacional.
Abraço.
Os sindicalistas do Eduquês estão atónitos porque foram apanhados do lado contrário e só agora deram conta.
ResponderEliminarE descuraram os bons, os otimos alunos, o que é também um grande erro!
ResponderEliminarMagnífico texto, Paulo. Obrigada.
ResponderEliminarObrigado Zoca Perdigão.
ResponderEliminarParabéns pelo post , está excelente.
ResponderEliminarEu acrescentaria "apenas" que grande parte da burocracia nem exigida é pela tutela, a exemplo:
1. Para um projeto referente a uma determinada ação que necessite apenas de uma folha A4 (metodologicamente correta ), vem o ME e pede 10 folhas, a escola no CP soma-lhe mais 10, o departamento soma-lhe outras tantas e o professor, a resmungar dizendo que é muita burocracia, entrega 50;
2. Quando interessa recorre-se ao CPA, neste caso concreto o princípio da celeridade e da eficiência dos serviços já não interessa;
3. Nem quando a tutela escreve preto no branco, cito, "as escolas não devem pedir aos professores nada para além do que se encontre instituído nos regulamentos e na legislação vigente", tudo é pedido, ora são os planos de recuperação para quem tem mais de 3 negativas (permissa do articulado legal anterior e que o novo é omisso), ora passa o plano de turma a ser também obrigatório no secundário, com todas aquelas páginas que a mim me faz confusão (cópias de cópias e mais cópias).
E como estes mais haveriam a referir.
Abraço.
Obrigado Rui.
ResponderEliminarAcrescentas um bom exemplo.
Abraço.
Muito bom também!
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarDe vez em quando vai ao baú e recupera estas preciosidades. Obrigado!
ResponderEliminarObrigado eu.
ResponderEliminar