Parece que o Governo só consegue adiar a regulamentação do cheque-ensino. Esta alínea do ultraliberal guião da reforma do Estado é apenas um detalhe de um conjunto comprovadamente nefasto de políticas educativas que foram definitivamente abaladas com os resultados dos testes internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment, do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Até a Suécia, farol das políticas de privatização da gestão escolar, está já a discutir a nacionalização das escolas e o abandono do precipitado programa de "liberdade de escolha da escola" iniciado em 1992; e não é o único país que chega a conclusões semelhantes, uma vez que este tipo de políticas acentua a segregação social associada à quebra de resultados escolares da maioria dos alunos.
Nada disto é surpresa para quem se dedica a estudar de forma "desinteressada" a importância da escola pública.
Em Portugal há dois grupos ligados à privatização da gestão das escolas: os privados que se financiam em propinas e que não se revêem no referido guião da reforma do Estado e os pseudo-privados (que parecem "odiar" a escola pública) que vivem integralmente do orçamento do Estado, que implementam nas suas instituições regras não transparentes de contratação de profissionais associadas a regimes de precariedade laboral e que praticam a privatização de lucros. É este segundo domínio que Portugal precisa de corrigir e que uma parte da maioria que apoia o Governo pretende manter; o adiamento é puro oportunismo eleitoral.
A parte final da entrevista indicada no link é elucidativa em relação ao atraso do actual Governo na implementação do cheque-ensino. Parece que têm medo. É natural. Se a ideia é entregar o cheque às entidades privadas e não às famílias carenciadas, o cheque-ensino pode começar de forma muito perversa a servir para alimentar os tais pseudo-privados.
Resume-se a coisa assim:
ResponderEliminarUma Escola Pública: dinheiro provém do Orçamento de Estado e destina-se a custear, fundamentalmente, os salários dos profissionais que nela trabalham e as actividades desenvolvidas pelos e para os alunos. Os profissionais estão inseridos em escalões e não podem receber nem mais nem menos do que é definido por lei (apesar de cada vez ganharem menos e trabalharem mais, como todos sabemos).
Um Colégio com contrato de associação: dinheiro provém do Orçamento de Estado e destina-se, fundamentalmente, a proporcionar lucro aos directores, gestores, consultores e administradores, ficando uma pequena parte para pagar os salários dos profissionais que nele trabalham. Aqui, promove-se a precariedade e a cultura do medo, os docentes são contratados sem recurso a qualquer concurso público (na base do amiguismo, cunha mais forte ou... aceitação das condições precárias - do género: ou trabalhas mais horas ou... mais candidatos ao teu lugar).
Este governo quer destruir a Escola Pública (por variadíssimas razões, destacando-se o facto de saberem que não possui eleitores em número significativo nesta classe profissional) e proteger o negócio dos seus amigos.
Este governo, cujo Ministério da Educação foi tomado de assalto pelo CDS e pela ala mais conservadora e retrógrada de que há memória na história da democracia, perseguindo os funcionários públicos, pretende retirar direitos a quem trabalha para o bem comum e conceder regalias a uma dúzia de patos-bravos que, a par da Igreja, sabem bem onde está o dinheiro que lhes proporcionará uma vida cada vez mais luxuosa.
Tudo o resto, incluindo as campanhas publicitárias de tom falacioso e as aproximações a certos candidatos ao poder local, fazem parte de um espectáculo bem montado. É preciso cativar os encarregados de educação com "cor" e "excelência", como se a Educação não fosse um dos assuntos mais sérios e importantes para o futuro do país. Apesar das acrobacias, dos jantares de campanha, das promoções e das ofertas, não conseguem chegar aos calcanhares da Escola Pública.
Que existam encarregados de educação que caem neste logro não é de espantar - poderem afirmar que o seu filho anda num "colégio" confere-lhes um estatuto social que os outros aspectos da sua vida não confirmam. Ter um filho num "colégio" é bom para a imagem.
Sendo assim, também não espanta que o poder local continue a defender um "equilíbrio", forma de não agitar as águas entre os eleitores que se encostam a esta gente, quer como profissionais quer como "novos-ricos". Perde o interesse comum, perde a qualidade da educação.
E se o senhor presidente da Câmara ainda não percebeu como é que se constroem "rankings", para depois poder afirmar que o concelho tem "os melhores alunos do secundário", talvez estivesse na hora de alguém lhe mostrar (a ele e à comunicação social) os números relativos aos alunos que fazem exame em cada disciplina e em cada estabelecimento de ensino. Podia ser que, então, percebesse, "como as fazem as coisas".
Não é função do estado favorecer negócios para enriquecer privados ou então terá de o fazer em todos os setores: textil, calçado, restauração, agricultura... cheque para alimentação biológica, cheque saúde, cheque vestuário... Só quem for tolo é que acredita na igualdade, se for um aluno com dificuldades ou outros problemas nem o cheque ensino os salva... vão em cantigas e tentem ser felizes...
ResponderEliminarE mais: Não é função do estado favorecer negócios para enriquecer privados ou então terá de o fazer em todos os setores: textil, calçado, restauração, agricultura... cheque para alimentação biológica, cheque saúde, cheque vestuário... Só quem for tolo é que acredita na igualdade, se for um aluno com dificuldades ou outros problemas nem o cheque ensino os salva... vão em cantigas e tentem ser felizes...
ResponderEliminarA educação e a saúde não deveriam ser negociáveis. O governo demonstra favorecer interesses instalados no sector privado recorrendo ao saque que faz aos contribuintes.Começa-se a compreender porque estavam tão apressados em despedir professores e pessoal auxiliar!
ResponderEliminarÀ frente das empresas privadas da educação financiadas pelo estado encontramos ex-ministros, ex-responsáveis pelas mesmas entidades que autorizam as escolas e determinaram o número de turmas permitidas no público, até autarcas no ativo que presidem às mesmas câmaras que financiam os seus próprios colégios. Encontramos a mesmíssima promiscuidade entre o público e o privado que determinou quase todos os crimes económicos deste país: do BPN às PPP, dos Swap às privatizações ruinosas, da administração privada de hospitais públicos às concessões rodoviárias. Não são casos de polícia. Não são a exceção que confirma a regra. São o retrato da elite política e económica nacional. São, com raras excepções, a sua forma de fazer as coisas
ResponderEliminarObrigado João.
ResponderEliminarEnfim.
ResponderEliminarEnfim.
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