quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Do após Nuno Crato

 


 


 


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Do exercício de Nuno Crato ficam duas variáveis a corrigir (faliram na fundamentação, se é que ainda era preciso): alunos por turma e empobrecimento curricular. O seu ministério acentuou duas componentes críticas: degradação do estatuto dos professores (que se pagará durante muitos anos) e modelo, mega, de gestão escolar.


 


Lembrei-me da entrevista, na imagem, ao ex-MEC (12 de Julho de 2014) publicada no Observador. Andava-se à volta do elevado número de professores, uns 4 mil, que solicitaram a rescisão contratual; com um programa favorável a "fuga" atingiria uns 30 a 40 mil.


 


Crato culpou a indisciplina, mistificou assuntos sérios e contraditou-se. Foi óbvia a interrogação do jornalista: não devia então diminuir o número de alunos por turma em vez de aumentar? Crato tergiversou e revelou-se adepto do mercado escolar. Devia saber que onde esse mercado se instalou em Portugal (e pode ir à Suécia e afins), e considerando que o eduquês de Crato olha para os encarregados de Educação (EE) como "clientes-tout-court", os EE que mais contribuem para a indisciplina impõem a sua cultura e isso alastra-se numa sociedade ausente como a nossa.


 


A destruição do estatuto dos professores foi, é e será, a causa da "fuga" e só não concluiu assim quem nunca pôs os pés numa sala de aula. A profissionalidade, e a confiança democrática, dos professores não recebeu uma notícia positiva na última década e só com uma boa dose de cinismo se conseguiu argumentar com o "desgaste de uma profissão difícil".


 

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