Este post é de 10 de Junho de 2009. Fico com a ideia que aquela inabalável ideia do safanço deve ser revista.
"É tal o estado a que chegou o sistema escolar em Portugal que não me lembro de outro ano assim (talvez aquela saga dos concursos com uma aplicação informática inenarrável tenha algumas semelhanças no domínio da incompetência técnica). Desalento, confusão, inacção e uma série de diplomas legais sem pés nem cabeça que a grande maioria não consegue cumprir e os que dizem que os executam fazem-no a fingir, por temor ou por oportunismo.
E lembrei-me de um pequeno vídeo, de cerca de 2 minutos, que nos pode dar alguma esperança e que sublinha um dos motes mais conhecidos da nossa organização: "lá nos havemos de safar"; é só ver o vídeo com atenção e dar asas à esperança.
Ora clique."
Não me leves a mal, até porque não passa de uma blague, inevitavelmente, mas este é um dos teus melhores posts de sempre.
ResponderEliminarse tu o dizes; mas o cansaço tem feito das suas: coisa de rápida recuperação.
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ResponderEliminarÉ tempo de balanço:
"Vencedores e vencidos
Ponto prévio: na política, como na guerra, não há vitórias esmagadoras. Mesmo que se julgue ter exterminado todo um povo, há sempre um recanto remoto onde sobrevivem meia-dúzia de crianças – e destas crianças há-de nascer, a seu tempo, um exército.
Vencer é, tão somente, atingir ou ultrapassar os objectivos fixados; perder é não os atingir. A derrota e a vitória medem-se pela distância a que se ficou além ou aquém dos objectivos.
E não vale a pena fazer batota: se colocamos a fasquia baixa demais no intuito de podermos mais tarde cantar vitória, alguém se a encarregará de a pôr à altura certa.
Nestas eleições europeias houve um derrotado e quatro vencedores. O derrotado foi o PS. Tinha por objectivo ser o partido mais votado, ainda que por por margem estreita, e não o foi por larga margem. Tinha por objectivo ficar bem colocado para disputar as legislativas, e não ficou. Tinha por objectivo ficar com as mãos livres para fazer o que quisesse no que resta do seu mandato, e ficou com elas presas. Sócrates sabe que está perdido se continuar no caminho que traçou, mas também sabe que está perdido se se desviar dele um milímetro.
Já o PSD ganhou, e folgadamente. Bastava-lhe ficar um pouco atrás do PS e ficou muito à frente. Previa não ter alternativa à participação num bloco central, e abre-se-lhe a possibilidade de integrar um bloco de direita. A imagem cinzenta da sua líder vai ficar de um dia para o outro bastante mais colorida, porque nothing succeeds like success.
Ganhou o Bloco de Esquerda. Queria uma votação que o pusesse na primeira liga, e obteve-a. Queria dois mandatos, obteve três. Os outros partidos vão tentar retratá-lo como um partido marginal e irrelevante, mas não vão conseguir. Tem uma boa equipa no Parlamento Europeu, e uma equipa de luxo na Assembleia da República – dedicada, inteligente, culta, trabalhadora, entusiástica, imaginativa, eloquente e fanática do trabalho de casa bem feito. Quase triplicou o número de votos em relação às eleições anteriores, e tem o eleitorado mais jovem de todos os partidos. Foi uma vitória enorme.
Ganhou a CDU. Queria sacudir a imagem de velharia ultrapassada, e sacudiu-a. Passou, como se esperava, da terceira posição para a quarta, mas por uma diferença mínima. Não tem as expectativas de crescimento do BE, mas não está em risco de definhar.
Ganhou o CDS. Derrotou as sondagens. Ficou numa boa posição para disputar as legislativas. Se a votação que teve se repetir, e se nem o PS nem o PSD tiver a maioria absoluta, pode aspirar à posição de partido-charneira.
Ganhou a sociedade civil. A classe política ficou notificada – ou pelo menos os mais inteligentes dos seus membros – que é impossível, além de ilegítimo, governar contra o Soberano. Para esta vitória, contribuiu decisivamente a luta dos professores. As duas referências que Paulo Rangel fez às classes profissionais no seu discurso de vitória mostram que compreendeu a importância e o poder da sociedade civil, mesmo que outros políticos ainda insistam em demonizá-la sob o epíteto depreciativo de “corporações.” Mas não nos iludamos: Rangel vai para Estrasburgo e nada nos garante que os seus correlegionários que cá ficam, a começar por Manuela Ferreira Leite, tenham a mesma perspicácia ou a mesma sensibilidade.
Tão importante como falar de vitórias é falar do seu preço. O preço da derrota é a própria derrota, mas o da vitória pode variar. Quem pagou o preço mais alto pela vitória foram o PSD e o CDS. Para ganhar a Europa, tiveram que enviar para lá os seus melhores generais, e deixaram mal guarnecida a frente interna. Isto poderá ficar-lhes caro em Outubro. Já ao BE ficou barata a vitória. Não lhe faltam generais brilhantes: conservam-se em Portugal Ana Drago, Cecília Honório, Francisco Louçã, Luís Fazenda.
De tudo isto vamos nós – os professores e as outras classes profissionais – ter que tirar as devidas ilações. As regras do jogo mudaram; temos mai
as palas são sempre um problema, de quem só olha para o horizonte. By Flip
ResponderEliminarMas há uma grande diferença.
ResponderEliminarCá, safamo-nos muitas vezes graças ao "chico-espertismo" e procurando explorar algumas fraquezas alheias para esconder as nossas próprias mediocridades e limitações. Também há quem opte pelo "lambe-botismo".
As imagens revelam "apenas" uma enorme ordem no meio do caos. Sem atropelos...
Concordo Carlos VC. Infelizmente é assim.
ResponderEliminarEstá boa. Ainda bem que de quando em vez há os que não se safam 😀
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