quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Do jogo infinito

 


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No seu grave recanto, os jogadores
Deslocam os peões. O tabuleiro
Tem-nos até à alva do altaneiro
Âmbito em que se odeiam duas cores.


 


Dentro irradiam mágicos rigores
As formas: torre homérica, ligeiro
Cavalo, alta rainha, rei postreiro,
Oblíquo bispo e peões agressores.


 


Quando os jogadores se houveram ido,
Quando o tempo os tiver já consumido,
Nem por isso terá cessado o rito.


 


A leste se ateou uma tal guerra
Que hoje se propaga a toda a terra.
Como o outro, este jogo é infinito.


 



Jorge Luís Borges,
poemas escolhidos.

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