quinta-feira, 2 de março de 2017

a roda quadrada e a resistência à mudança

 


 


 


 


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Andaram anos a fio a repetir que os professores eram resistentes às mudanças, e que as escolas precisavam de reformas, e agora indignam-se com as mudanças escolares da Geringonça? Mais: só as aceitam sem o vocábulo reforma? Ou seja: Crato reformou contra tudo e quase todos e o seu legado é o fim da história?


O ex-ministro da Educação insistiu na ideia das disciplinas essenciais (ficaram de fora as ciências, a história, a filosofia, a geografia, as línguas estrangeiras, as disciplinas da área de expressões e por aí fora). Foi uma questão de fé, já que, e a exemplo do número de alunos por turma, não apresentou qualquer fundamento empírico. As teorias não saíram do domínio da crença ou dos preconceitos. Francamente, não esperava um discurso desse teor. A invenção da roda estava distante, mas era seguro que sem a forma circular os solavancos aumentariam o atrito.


A concentração nas essenciais inscreveu horas curriculares e exames, para além de mais horas de formação que não saíram da intenção e que terminaram com o que existia em nome do ajustamento nos do costume. Um governante pode achar que faltam horas de ensino aqui ou ali e que quer examinar esses saberes muitas vezes. Mas quando enuncia publicamente que o seu achamento divide as disciplinas em mais e menos, dá um péssimo sinal à sociedade e acrescenta ruído no ensino das não essenciais; institui o tempo da roda quadrada, digamos assim. Ler agora que esse estado de recuo civilizacional é imutável é o que mais me surpreende.




(Já usei parte deste texto noutro post)

2 comentários:

  1. Paulo,

    Tens elementos públicos - para além do perfil - que te permitam discutir seja que "reforma" curricular seja?

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  2. Não. Nada. Por isso refiro as "mudanças escolares da Geringonça". O que tenho lido é o contrário. Ou seja: agora não se pode "reformar" porque as pessoas estão tão cansadas de mudanças. Ou seja: já não é um defeito resistir às mudanças.

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