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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

"Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina", concluiu a OCDE há uma década e repetiu-o este ano em que a idade da reforma volta a aumentar

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Título: "Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina", concluiu a OCDE há uma década e repetiu-o este ano em que a idade da reforma volta a aumentar.


Texto:


"A indisciplina reina nas salas de aula e coloca Portugal no primeiro lugar do tempo perdido para começar uma aula. Os seus professores são, na Europa, os mais desgastados e os que mais preenchem burocracia inútil. São vítimas de uma organização de trabalho que os adoece, mas são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos." Estas conclusões têm cerca de uma década.


Ora, a mesma OCDE conclui em 2025 ("reportado por 62,1% dos professores, sendo muito mais alto, 73,6%, entre quem tem 5 ou menos anos de experiência"): "barulho e interrupções: Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina. A sua maior fonte de stress é o trabalho administrativo. Em nenhum país a taxa é tão alta."


E o que mais impressiona nestes 10 anos de intervalo, é o silêncio do MECI e o desprezo do mundo político. Quando muito, a direita, que inclui a extremada, finge que acompanha os protestos dos professores quando a esquerda governa e vice-versa. Logo que se passa para governo ou para suporte parlamentar, assume-se a condição de amnésico. Além disso, um manto de mutismo caracteriza as campanhas eleitorais.


Aliás, ser professor tornou-se, há muito, uma gestão do desgaste, da mágoa, da revolta contida e da possibilidade da baixa médica. Acima de tudo, uma sociedade adoeceu quando mais de metade dos professores relata "agressões físicas ou verbais por parte dos alunos”. Apesar de, e como já escrevi, ser injusto generalizar até pela dificuldade dos estudos empíricos: "cada aluno não é um potencial agressor, nem cada professor um provável agredido."


E o pior é o vigente cruzar de braços. Mas há soluções e sumarie-se duas ou três.


Mude-se radicalmente (e este radical é no mais sensato registo) o trágico, e populista, "estatuto" que fez do encarregado de educação um "cliente que tem sempre razão" na escola, com a habitual alegação indisciplinadora que os miúdos, as crianças-rei, percebem desde cedo: - Se a professora não se portou bem, diz que eu vou à escola.


Este clima é uma das consequências da burocracia, da autocracia desastrosa nos mega-agrupamentos, da avaliação dos professores e do que converteu em "castigo" as horas de redução por idade e tempo de serviço dos seus horários - é até degradante quando a "pena" cai nas mãos de pequenos tiranetes.


Na verdade, recorde-se que a maioria dos professores viu a idade da reforma passar dos 52 (pré-escolar e primeiro ciclo) ou 57 anos de idade (restantes ciclos), para os recentes 66 anos e 11 meses. E como nunca se criaram equipas educativas para leccionar o primeiro ciclo - o professor da turma finge que lecciona todo o currículo e não tem redução de horário com a idade -, infernizou-se os horários dos restantes ciclos - nivelando por baixo e estimulando a divisão da classe - com inutilidades destinadas aos excessos e aos dogmas na avaliação dos alunos, na interdisciplinaridade e nas articulações horizontal e vertical. Como tudo isto se tornou monstruoso sem sistemas de informação modernos e com avaliações externas inspiradas em meados do século XX, a redução transformou-se num "castigo" e num dos principais contributos para o desgaste que dificulta a liderança em ambientes de indisciplina e para a "fuga" ao exercício.


E, claro: se temos anos a fio de ciberbullying e dos algoritmos do ódio (as crianças crescem, desinformam-se e indisciplinam-se num país deslaçado, agressivo e violento), também temos uma maioria política desinteressada em limitar o acesso a redes sociais com o argumento surreal da censura às crianças e jovens.


Aliás, veja-se a indiferença da sociedade com a crescente doença silenciosa dos quadros de mérito académico ou de valor até em crianças do primeiro ciclo e pré-adolescentes (no desporto, já se fazem Campeonatos do Mundo para miúdos de 10 a 12 anos de idade). Para além da tensão relacional entre os miúdos após as primeiras publicações e da violação dos direitos fundamentais, a OMS já inclui o bournout precoce na prevenção da saúde pública (e, no mínimo, reflicta-se com Roy Baumeister ou Michael Sandel). E apesar desta pandemia ainda se sustentar na ditadura portuguesa, a obra fundamental "Nenhuma medalha vale a saúde de uma criança", de Jacques Personne, descreve a tragédia na União Soviética e na RDA. Os quadros e medalhas, equiparados à exploração do trabalho infantil, destinavam-se à arrepiante promoção de dirigentes, médicos, treinadores, professores e políticos, e, tantas vezes, à "sobrevivência" dos progenitores (e também ao ego).


De facto, e em síntese, a prevalecente imaturidade pedagógica, que estimula a indisciplina nas salas de aula, espelha-se em gritantes irresponsabilidades da seguinte família: publicitar informação crítica, e detalhada, sobre as formas de ciberbullying no mesmo espaço escolar onde se divulga quadros de mérito.


Nota: por falar em silêncio e mutismo, registe-se o apagão mediático quase generalizado da seguinte notícia do Público de 27 de Novembro de 2025: "Tolentino de Mendonça partilha Prémio Eduardo Lourenço com a “classe dos professores em crise". O cardeal e poeta falou da “precariedade nas condições de trabalho”, da “complexidade sempre maior dos requisitos burocráticos” e de “uma espécie de solidão social” que afectam tantos professores. Diz-se hoje que são uma classe em crise e que perdeu o prestígio social que lhe estava associada. São preocupantes, em muitas partes do mundo, os indicadores do desgaste, desmotivação e burnout entre os professores.(...)"Numa época de acelerada transformação, como a que vivemos, onde se inauguram tantas possibilidades, mas também tantas incógnitas, como o impacto da inteligência artificial, a omnipresença da tecnologia, a crescente incerteza e vulnerabilidade entre os jovens, precisamos de potenciar o papel dos professores como indispensáveis mediadores culturais e humanos.(...)O professor "não é uma profissão do passado, é uma missão indispensável ao futuro", porque é necessária a existência de "mestres e educadores, não só para encontrar respostas, mas para formular perguntas"."




terça-feira, 11 de novembro de 2025

Na educação, temos um Governo na linha do executivo de José Socrates

 


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Na educação, temos um Governo na linha do executivo de José Sócrates (ou, em geral, "na de Passos Coelho com patine José Sócrates"). E antes do mais, e para lá do primeiro-ministro ter um perfil com semelhanças que tantos não se cansam de sublinhar, também recebe a cooperação estratégica de Cavaco Silva e o apoio de toda a direita. Mas na educação, onde, objectivamente, também regista a anuência de toda a direita, o Governo não só mantém intactos quatro eixos decisivos, como tudo fará para os desenvolver. A relembrar: proletarização da carreira dos professores, autocracia na gestão escolar, farsa avaliativa do desempenho com quotas e vagas (ou prémios de desempenho) e inferno burocrático como inversão do ónus da prova. E por fim, o Governo até traz à memória a saga do computador Magalhães (uma ideia que o pato-bravismo também destruiu), ao anunciar que quer "dar a cada aluno um tutor de IA que ouve, orienta e inspira a sua aprendizagem". Veremos como é que a inteligência natural fará a compatibilização desta epifania - a telescola 3.0 - com a proibição do smartphone e com os algoritmos que viciam as crianças e os adolescentes nos discursos de ódio e na desinformação.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O Orçamento do Estado português não pára de desinvestir na Educação. Mas isso não tem qualquer interesse. O que interessa é a burqa e o niqab.

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Enquanto o vestuário de 0,0000000001% das mulheres que residem em Portugal ocupa a bolha político-mediática e as redes sociais (parece que os demagogos chefiados por mais um da escola tutti-frutti não tiveram o resultado esperado nas recentes autárquicas e usam a burqa e o niqab - "símbolos do machismo, da humilhação da mulher e do extremismo religioso que adultera as origens" - para acicatar as hostes dominadas pelos algoritmos do ódio), o Orçamento do Estado português não pára de desinvestir na educação e atinge silenciosamente cerca de 1 milhão e 340 mil alunos, mais de 100 mil professores e milhares de outros profissionais.


Se no orçamento para 2024 a percentagem do PIB para a educação foi de 3% (8 mil milhões de euros), “o Orçamento do Estado para 2026 prevê um total de 7,7 mil milhões de euros”. Ou seja, abaixo dos 2,9% que muitos consideram ser o executado em 2025 (e como o PIB cresce, 7,7 mil milhões de euros será abaixo dessa percentagem). Para esta queda contribuiu o número de aposentações que se situa, anualmente e desde 2021, entre 3.500 e 4.000, valor que se manterá até 2030. Note-se, e sem grandes detalhes técnicos, que por cada 3 aposentações (10,2 mil euros brutos) entram 2 profissionais (3,4 mil euros brutos).


A percentagem do PIB investida em educação em Portugal variou naturalmente ao longo do tempo. Mas regista-se uma tendência de subida desde 1974, decorrente da notável democratização do ensino. Já agora, o valor médio para o período de 1973 a 2021 foi de 4,23% e o valor mais baixo foi atingido em 1973 (1,63%). Os dados indicam 2021 com o valor recente mais elevado: 4,78%. Nesse ano, o investimento médio na Europa foi de cerca de 4,81%. A Islândia (8,22%) e a Noruega (6,4%) obtiveram os valores mais altos e a Irlanda (3,5%) e o Mónaco (1,42%) os mais baixos. Portugal está a tudo fazer para ultrapassar o Mónaco.


Mas tudo isso não tem qualquer interesse. Como não tem qualquer interesse que caiam as aprendizagens, que faltem professores, que as crianças e os adolescentes naveguem na selva digital, que a avaliação dos professores e a gestão das escolas continue a engrenagem diabólica que tritura a dignidade das pessoas e que, associada ao inferno burocrático e à indisciplina nas salas de aula, origine a "fuga" dos professores novos e dos menos novos. O que interessa é a burqa e o niqab.

sábado, 4 de outubro de 2025

Não são as profissões que fazem as pessoas; são as pessoas que fazem as profissões

 


Não são as profissões que fazem as pessoas; são as pessoas que fazem as profissões. Esta conclusão poética devia ser atendida por quem desvaloriza uma profissão a partir de um preconceito ou de uma experiência infeliz ou desagradável. Eleve-se um movimento inovador, como o cubismo no início do século passado, que coloque os elementos da cena em todos os ângulos possíveis (a ideia em título é minha; a parte do poema que está na imagem cubista tem outra ideia).


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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Muito interessante


"História dos portugueses ciganos entra nas aprendizagens essenciais. O caminho está a ser preparado por um projecto de várias associações de professores que visa “resgatar da invisibilidade a componente multissecular cigana da cultura portuguesa”.


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Os actos de cidadania, como as manifestações, elevam os cidadãos e um professor também ensina quando se manifesta

Os actos de cidadania, como as manifestações, elevam os cidadãos e um professor também ensina quando se manifesta. É isto que um governante deve salientar. Só uma estrutura de valores políticos muito questionável é que realça os excessos de uma minoria numa fantástica manifestação que envolva 150 mil pessoas. Não é aceitável que um governante vá a uma escola - e ao que se percebe "dar" uma aula de literacia financeira - e afirme que "os professores, durante muitos anos, andaram em manifestações, com razões para isso, mas o professor é alguém que é respeitado na sociedade por ser alguém que sabe, que tem autoridade, que é respeitado por gerações e gerações de alunos. Alguém que anda em manifestações perde toda essa aura", argumentou Fernando Alexandre esta terça-feira, perante mais de duas centenas de alunos da escola secundária Dr. Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, — a mesma que frequentou entre 1984 e 1990".


Quando foi conhecido o nome deste ministro, um OCS pediu-me uma opinião. Não o conhecia e pesquisei. Encontrei ideias neoliberais da gestão da coisa pública, o que pode explicar algumas posições quando se tornam públicas as opiniões sobre políticas da educação.


Nota: já agora, onde esteve este ministro nos 20 anos de contestação à tragédia escolar?

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Começa a ser muito tarde


"Recurso a professores sem habilitação profissional quadruplicou numa década. Falta de professores é transversal a vários países. OCDE alerta que recurso a professores não qualificados pode ter “implicações significativas” para a qualidade e para a equidade da educação."



 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Mas que coisa!


"Filhos que agridem os pais: num semestre a PSP registou 3734 queixas. Órgão de polícia criminal afinou registo e recolha de dados e encontrou mais casos de violência doméstica de filhos contra pais. Níveis são semelhantes nos últimos três anos."


terça-feira, 22 de julho de 2025

Mas está tudo ensandecido? Escolas sem educação sexual?!


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A sociedade esteve mais de uma década de braços cruzados perante a adicção tecnológica de crianças e de adolescentes, com muitas viciadas em pornografia online (a educação sexual vai, obviamente, muito para além disso). Multiplicam-se os estudos com números e factos irrefutáveis. Terão sido muito importantes, em inúmeros casos, as sessões escolares sobre o tema. Chega um Governo que nada faz de essencial na educação e distrai as atenções com a disciplina de cidadania (é risível afirmar-se que já há finalmente aprendizagens essenciais para esse tempo semanal). A exemplo da supressão mediática da falta de professores, da sua avaliação ou da gestão das escolas, é um Governo mergulhado em desnorte e inércia e especialista em marketing. ""Jovens que tiveram educação sexual começaram a ter relações mais tarde"".



 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

O que é que quero dizer com as vantagens do reconhecimento de padrões (IA) na gestão das escolas?

O que é que quero dizer com as vantagens do reconhecimento de padrões (IA) na gestão das escola? A prudência exigível na rede de recursos educativos, devia ser eliminada na de recursos administrativos. Mas há uma indústria na primeira e teias de mentalidade analógica na segunda.

sábado, 15 de junho de 2024

Articular (2)

 



 


 


 


 


 


 


Articular, o verbo, é um modismo na linguagem do sistema escolar. Conjuga-se nas situações de maior embaraço. Por exemplo, quando nada mais resta para justificar a terraplanagem de escolas, as três pessoas do plural entram em acção; embora a terceira, e no futuro do indicativo (para dar alguma folga ao bem-pensante devaneio), seja a mais requisitada.


Têm sido inúmeros os modismos: a interdisciplinaridade, a flexibilidade, a formação pessoal e social, a formação integral, a cidadania, a sociometria, os objectivos mínimos, as metas curriculares, as aprendizagens essenciais e por aí fora. Enfim, um rol de conceitos - alguns com compreensível oportunidade histórica na fantástica massificação dos sistemas escolares - que remetem a burocracia escolar para o lugar que ninguém deveria desejar: inundação de procedimentos insanos que travam a emancipação da escola; como alguém que, e depois de mil passos, tem a sensação exaustiva que não saiu do lugar ou regrediu.


Quando se espreme os arautos do articular, o que sobra é pouco mais do que a socialização dos professores.

sábado, 13 de abril de 2024

Se A=B e B=C, A=C

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Se Maria de Lurdes Rodrigues se revê no programa da AD para a Educação e se a Iniciativa Liberal e o Chega se revêm no programa da AD para a Educação, Maria de Lurdes Rodrigues revê-se nas ideias da Iniciativa Liberal e o do Chega para a Educação.


Há muitas pessoas - mas muitas mesmo; e também à esquerda - que tiveram opiniões sobre as políticas de Educação nestas últimas duas décadas, que devem estar a aprender uma lição e a beliscarem-se sobre o que andaram a defender. Mas não foi por falta de avisos.


O outro ex-ministro que está na imagem, também se revê. É uma tragicomédia, realmente.