
"Os professores não podem chegar todos ao topo", é uma frase que tem mais de uma década e que regressou. Acredito que algo de sério está a acontecer quando a sociedade não se questiona sobre a perda de direitos adquiridos (sim, adquiridos; leu bem: muitos lutaram por isso) e fundamentais. Ouvi de um comentador: "se recuperarem todo o tempo de serviço, 35 mil professores chegam ao topo em 2022. Não pode ser". O homem estava incrédulo. Disse-o como uma irrefutabilidade ("e o que é irrefutável é falso"). Usou a organização militar, e as suas hierarquias como exemplo, sem raciocinar sobre as diferenças nos conteúdos funcionais. Um general não realiza as tarefas de um capitão e vice-versa, mas um professor do 1º escalão pode leccionar a mesma turma que um professor do 10º. A tarefa cimeira de um professor é a sala de aula. As progressões estimulam a carreira e o conceito de topo não existe. É uma carreira horizontal. De resto, há toda uma discussão sobre direitos e deveres a recuperar.
Imagem: torres de Bolonha. Abril de 2019.
"um professor do 1º escalão pode leccionar a mesma turma que um professor do 10º". Pois, a carreira funcional é horizontal mas a carreira remuneratória é vertical, o que sempre considerei algo desconfortável, porque foge ao principio "trabalho igual, salário igual". Dois professores a realizar a mesma função mas com salários muito díspares...
ResponderEliminarEsta é a característica da carreira que não tem fundamento técnico para existir, o que sempre foi uma potencial fonte de tensões profissionais...
Percebo. Mas é o mais sensato. Acrescente-se a dificuldade em avaliar um professor. É mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento no que se refere à forma como cada um aprende. Sabes muitos modos de ensinar um determinado conteúdo mas é muito difícil hierarquizar os métodos ou estilos de ensino.
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