quinta-feira, 25 de julho de 2019

"Fabulário Amoral de Fauna e Flora"

 


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É uma interessante obra de pequenos contos. Côta Seixas criou um fabulário amoral, de Fauna e Flora, inesperado, por vezes desconcertante, e sempre junto à margem. Os depurados símbolos, e as metáforas, levam-nos ao lugar da solidão e da liberdade. Oitenta páginas que exigem leitura repetida. Só não se deglutem num fôlego, porque cada conto acompanha-se de um significativo desenho de Tiago Seixas. Parar, respirar, contemplar e seguir. Passado e futuro intermediados pelo lápis e pela actualidade dilacerada em "O Erro Original" e na sua despedida: "(...)Na tarde mediterrânica arde um grito de sangue".


 

3 comentários:

  1. Nunca mais esqueci um episódio dos Simpsons em que a Lisa lutava contra a boçalidade do Homer e do Bart, simbolos da pusilanimidade moderna alimentada pela cultura do consumo rápido e superficial. No final do episódio, Lisa rendia-se ao tsunami de incultura que a rodeava e sentada em frente ao espelho despediu-se do seu cérebro porque era quixotesca a sua luta pela intelectualidade e também se ia vergar ao pusilânime que a rodeava.
    Também sinto a necessidade de uma despedida dessas, cansado do isolamento e do rótulo de 'intelectualoide chato' quando se demonstra gozo pela degustação de obras complexas e profundas, que abrem as portas da perceção que essa imensa turba oca não vislumbra...

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