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Recebi, com a imagem e por mensagem devidamente identificada, um pequeno texto de Côta Seixas.
"Lua que estás no Céu, coxeias como um manco....
Maria traz a escada, não lhe chego com o banco."
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"Lua que estás no Céu, coxeias como um manco....
Maria traz a escada, não lhe chego com o banco."
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Recebi, com a imagem e por mensagem devidamente identificada, um pequeno texto de Côta Seixas.
"O rendimento.
Quando me preparava, na semana por vir, para apanhar o autocarro das 8 para o emprego das 9, aproximou-se de mim, saracoteando-se um burro. Já não era novo, mancava, faltavam-lhe dentes e pelo. Em saracoteado modo propôs-me, com voz proteica e prosódica, substituir-me no emprego em troca de feno regular e 2 albardas, uma para a semana, outra para missa de Domingo. Aceitei. Agora, todos os dias acordo com o chiar dos travões do autocarro das 8, viro-me para o outro lado e continuo a dormir. Aos domingos a minha cabeça temente ainda treme com o sino da igreja, mas volto-me para o outro lado e continuo a dormir. O Mundo vive sem mim e eu sem Mundo. Côta Seixas"
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Recebi, com as imagens e por mensagem devidamente identificada, um pequeno texto de Côta Seixas. Tem que clicar em continuar a ler para ver as duas imagens.
"Aquilo que nunca aconteceu há-de um dia acontecer. Ontem, quando regressava a casa, abordou-me um desconhecido. Apresentou-se, tirou o cigarro da boca, ou a boca do cigarro, não me lembro bem, e pediu-me para o seguir. No pátio interior de um prédio já ruinoso, mostrou-me, suspensos do céu, o Sol e a Lua. Está a construí-los, disse-me, para substituir os existentes, já muito velhos e desalumiados. A minha boca e mais ainda os meus olhos abriram-se muito. O desconhecido, acendeu novo cigarro e voltou para a parede do prédio onde vive pintando. Os sensatos querem o mundo que há, os loucos criam Outro. Autor: Côta Seixas"

É uma interessante obra de pequenos contos. Côta Seixas criou um fabulário amoral, de Fauna e Flora, inesperado, por vezes desconcertante, e sempre junto à margem. Os depurados símbolos, e as metáforas, levam-nos ao lugar da solidão e da liberdade. Oitenta páginas que exigem leitura repetida. Só não se deglutem num fôlego, porque cada conto acompanha-se de um significativo desenho de Tiago Seixas. Parar, respirar, contemplar e seguir. Passado e futuro intermediados pelo lápis e pela actualidade dilacerada em "O Erro Original" e na sua despedida: "(...)Na tarde mediterrânica arde um grito de sangue".