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Lembrei-me do repetidíssimo clássico de Bertolt Brecht sobre a Indiferença. A intemporalidade dos clássicos sublinha o dever de olhar para a história. Espera-se que se vá a tempo de males ainda maiores, agora que já não se pensa que o algoritmo do Covid-19 era chinês, em seguida coreano, depois italiano e logo a seguir espanhol. Mas, e afinal, também é português e nem sequer é "menos perigoso do que o vírus da gripe" (como disse o porta-voz do Conselho Nacional de Saúde Pública há duas semanas).
Primeiro levaram os comunistas,
mas eu não me importei
porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
mas a mim não me afectou
porque não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
mas eu não me incomodei
porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres, mas como
não sou religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
e quando percebi,
já era tarde.
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