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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Vacina Plus - Pensar o Futuro e Também As Turmas e Escolas Numerosas



Pelo Público em 2 de Março de 2021:



"As vacinas certificam o avanço da ciência e abrem espaço ao optimismo. Mas enquanto não se consegue a tão desejada imunidade de grupo, é crucial que se aprenda. Não apenas para se evitar uma 4ª vaga, mas para se pensar num futuro mais inclusivo no pós-pandemia.


Desde logo, tem sido estranha a argumentação a propósito do encerramento das escolas. Convenço-me que há alguma explicação no isolamento físico imposto pelo vírus. As pessoas não estão bem. Só pode ser. É até oportuno recordar um "sociólogo da comunicação", o alemão Niklas Luhmann, que nos interrogou sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro. Nesta fase, nem teremos que equacionar uma flagrante desonestidade. É suficiente, por exemplo, imaginar um adulto em teletrabalho com crianças e jovens em casa. É provável que seleccione e manipule os argumentos favoráveis à sua condição, como terá tendência para o fazer um professor justificadamente temeroso. E foram exactamente essas inscrições que me transportaram para os interesses inconfessáveis a que voltarei no fim do texto.


Dito isto, sublinhe-se que para além das incertezas inerentes ao processo pandémico, há surpreendentes e persistentes incursões mediáticas. Repare-se: quando Angela Merkel diz que um educador de infância, ou um professor do 1º ciclo, deve ser vacinado antes dela porque não consegue manter uma distância de segurança, é porque está bem informada em relação aos riscos de se frequentar uma sala lotada de crianças que são em regra assintomáticas. E decerto que a chanceler não partilha da grave epifania a "escola é segura".


E a perplexidade aumenta porque um cidadão medianamente informado ouviu, desde Julho, Filipe Froes, da Ordem dos Médicos, defender que os assintomáticos são uma das maiores preocupações e que o país teria de aumentar a testagem nos lares e escolas - sectores mais expostos - para evitar uma segunda vaga e mais confinamentos. Também se sabe, desde 9 de Dezembro, que epidemiologistas australianos (terão um sistema semelhante ao do Reino Unido que, e de acordo com João Paulo Gomes do Instituto Ricardo Jorge, tem uma rede de detecção epidemiológica vinte vezes superior a qualquer país europeu) escreveram que a reabertura das escolas foi uma das decisões mais relevantes para a 2ª vaga pandémica na Europa e na América do Norte. Concluíram que as crianças não são menos susceptíveis, nem menos transmissíveis, nos contágios, permanecem assintomáticas e que, em estudos mais aprofundados, são frequentemente falsos negativos não detectados pelos testes de antigénio.


Mas, por cá, os números também foram elucidativos. O encerramento das escolas foi determinante nos confinamentos. E olhe-se mais em detalhes. Nos 15 dias decorridos entre 28 de Novembro e 12 de Dezembro, as escolas fecharam 8 por causa das pontes e isso reflectiu-se na redução de infectados. E a ciência dá-nos mais dados concludentes: a abertura das escolas em Setembro fez o risco de transmissibilidade (Rt) subir cerca de 20% a 25% logo nas primeiras semanas; grande parte da transmissão fez-se através de pessoas assintomáticas ou com poucos sintomas (que quanto mais jovem mais se está nesse estado), sendo esse “o grande perigo da doença”; as escolas serviram para transmitir o vírus de agregado familiar para agregado familiar; e se o Rt ficar acima de 1,2 é quase garantido que poderá haver uma quarta vaga.


E percebe-se o receio tal a inércia registada no que levamos de pandemia nas medidas simples e eficazes que reduziriam os 3 c's (distanciamento físico, espaços lotados e aglomerações de pessoas) dentro e fora das escolas: turmas mais pequenas ou por turnos semanais, horários desfasados, pequenas interrupções a cada 4 ou 5 semanas de aulas, desconcentração de intervalos e redução temporária da carga curricular. Esta última variável seria até crucial na passagem para o ensino remoto de emergência. E, para além de tudo, perde-se também uma preciosa oportunidade para se investir na redução das turmas numerosas que é um factor determinante nas nações que falham historicamente; como é o nosso caso.





Vacina plus  em Janeiro de 2022



"Mais de uma centena dos principais especialistas mundiais na luta contra o coronavírus pediram uma mudança de rumo na estratégia de muitos países. Os investigadores, especialistas em saúde pública, enviaram uma carta aberta à revista British Medical Journal, sublinhando a importância de ajustar as medidas às provas científicas, que são cada vez mais e melhores, mas nem sempre são acompanhadas pelos decisores políticos. Em concreto, estes especialistas exigem que seja dito com clareza que o vírus se transmite por aerossóis, ou seja, partículas que expelimos ao falar ou respirar e que se mantêm no ar. “Verificou-se de forma indiscutível, e contrariamente a teorias anteriores que se revelaram desatualizadas, que o mecanismo deste coronavírus faz-se através de aerossóis”, explica José María Martín-Moreno, epidemiologista da Universidade de Harvard e professor catedrático de Medicina Preventiva e Saúde Pública na Universidade de Valência, um dos que assina a carta. “Chegou o momento de articular medidas sobre a ventilação e filtragem eficaz do ar. Temos de ir mais além que a mera abertura de janelas, e tentar mudar o paradigma para garantir que os edifícios se desenham, constroem, adaptam e utilizam de forma ótima, de modo a maximizar o ar limpo para os seus ocupantes”, acrescenta Martín-Moreno, citado pelo jornal El Mundo. A carta propõe uma estratégia global contra a pandemia baseada em cinco pontos: declaração inequívoca que a SARS-CoV-2 é um patógeno aéreo, promoção do uso de máscaras de qualidade (FFP2 e similares), recomendação de ventilação e filtragem do ar, fixação de critérios para impor ou retirar restrições segundo níveis de transmissão comunitária, e tomada de “medidas urgentes” para atingir a vacinação mundial. “Tudo isto acompanhado de mais iniciativas de apoio financeiro a todos os grupos que tiveram de fazer sacrifícios, por eles próprios e pela sociedade. Isto é o que chamamos de Vacinas-Plus, ou Vacinas e mais”, indica Martín-Moreno, que também destaca a importância do rastreamento e isolamento. “Ainda que muitos de nós tenhamos repetido estas mensagens várias vezes, não chegaram às pessoas que tinham de tomar decisões, e isso fez com que muitíssimas pessoas se tenham infetado, uma percentagem não negligenciável delas ficou gravemente doente, e uma percentagem ainda por conhecer terá Covid persistente. E o mais trágico de tudo: a morte associada ao novo coronavírus ou às consequências do colapso no sistema de saúde, que não conseguiu responder a muitas outras patologias”, descreve o médico. A carta termina com um alerta recente do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom: “Tenho de ser muito claro: as vacinas sozinhas não vão tirar nenhum país desta crise. Não são vacinas ao invés de máscaras, distanciamento, ventilação ou higiene das mãos. Façam tudo. Façam-no de forma consistente. Façam-no bem”."


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

A Confiança e a Covid-19

Prevalece, naturalmente, um clima de desconfiança com tanto discurso manipulatório. Uma coisa é a incerteza dos cientistas, outra bem diferente é o domínio opinativo sem qualquer conhecimento da realidade; e agrava-se, quando quem devia conhecer a realidade discursa em modo de inverdade com fins partidários.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

João Paulo Cotrim (1965-2021)

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Morreu o mentor e editor da Bedeteca, e fundador da editora Abysmo, João Paulo Cotrim. Pelo que se lê, a sua inesperada morte foi provocada pela covid-19.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

A Pandemia Está Dentro Do Prazo

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Antes do mais, é notória a impaciência pandémica em paralelo com o sentimento de indiferença que se iniciou antes da pandemia. Aliás, as democracias ocidentais debatem-se com problemas críticos anteriores à Covid-19: aumento da abstenção e crescimento das forças autoritárias pela sobreposição das políticas extractivas em relação às inclusivas. O ambiente que se seguiu à crise de 2007 (que foi originada por décadas de mercados desregulados e paraísos fiscais) terá um prolongamento se as democracias não aprenderem com uma pandemia que deixará um lastro económico imprevisível. Já se percebeu que o fundamental PRR é naturalmente parcelar e que é preciso agir nos pormenores que diferenciam.


E importa recordar que a pandemia, como a ciência não se cansou de avisar, está dentro do prazo. Portanto, é preocupante que "seja uma oportunidade perdida" nos sistemas de saúde, como diz, devidamente fundamentado, Nelson Pereira, director da Urgência do S. João. Do mesmo hospital e também no último Expresso, Artur Paiva, professor da FM da UP e chefe do SMI, afirma que "o vírus não vai desaparecer e que a próxima pandemia tenderá a surgir em menos de dez anos. É preciso vacinas e tratamentos eficazes para os casos graves."


E tudo indica que a educação também perderá uma oportunidade. As impensadas teses da escola segura foram uma grave perda de tempo e geraram inércia. Sabia-se que as escolas não cumpriam os 3 c's (aproximação física, espaços fechados e aglomeração de pessoas) e que eram uma plataforma da disseminação do vírus na sociedade com a agravante das crianças e jovens assintomáticas e com falsos negativos nos testes. Como já se escreveu várias vezes, há objectivos estruturantes e civilizados para melhorar os 3 c's dentro e fora da escola que devem ser perseguidos progressivamente e concretizados no curto prazo onde for possível (desde logo, uma área metropolitana tem exigências diferentes de um concelho do interior ou de dimensão semelhante): horários desfasados, turmas com um número decente de alunos ou por turnos, descentralização de intervalos e pequenas interrupções a cada seis semanas de aulas. 


E se a eliminação desta discussão nos debates orçamentais e eleitorais resulta também do silêncio comprometido das oposições democráticas (nem sequer se debate a imprudente e preocupante dependência tecnológica nas escolas e o seu ambiente democrático), era bom que a "rede" de sociólogos que arquitectou a engenharia financeira que nos levou à falta estrutural de professores e às turmas numerosas estivesse atenta ao sociólogo alemão Ulrich Beck (que já em 2016 se punha no lugar do "eleitor desorientado e perdido": “Já não entendo o mundo") e ao que escreve a jornalista e historiadora Anne Applebaum na "The Atlantic": “as autocracias são geridas por sofisticadas redes compostas por estruturas financeiras cleptocráticas, serviços de segurança e propagandistas profissionais. Os membros destas redes estão ligados em muitos países. Washington fala da influência chinesa, mas o que realmente liga os membros deste clube é o desejo de preservar e aumentar o poder pessoal e as suas riquezas”.


Se a inércia continuar a fazer escola associada a um marketing partidário desfasado do real, as democracias correrão sérios riscos e não se poderá dizer que não houve avisos.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Impressiona Como Pouco Se Aprendeu Com A Pandemia

A escola como guardadora dos alunos continuará a ser a sua principal função na totalidade do país, como se uma área metropolitana fosse igual a um concelho do interior. E nem a primeira semana de aulas no início de 2022 escapa: não há ensino à distância porque guardar é a única via e eliminam-se dias de oxigenação nas pausas essenciais.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

A Escola e a Pandemia

E por incrível que pareça, o sistema escolar português não reduziu o número de alunos por turma, não fez horários desfasados, nem sequer usou um processo de turmas por turnos. Não. Nada disso. Promove-se ainda mais o modelo de "tudo ao monte e fé numa qualquer divindade" que a pandemia é coisa do passado.