domingo, 26 de abril de 2020

Regresso das Aulas Presenciais a 18 de Maio?!

Captura de ecrã 2020-04-26, às 22.00.06.png


Diz o Público que as "aulas presenciais dos 11.º e 12.º anos voltam a 18 de Maio e creches abrem a 1 de Junho". Se o indicador RO da Covid-19 voltou a subir para um valor superior a 1, talvez seja, e muito infelizmente, cedo para prognósticos.

18 comentários:

  1. Qual a diferença entre 18 de maio e 18 de setembro? A menos que conheçam alguma vacina, abrir as escolas será sempre arbitrário. Como não podemos viver permanentemente confinados, as escolas deveriam abrir já!

    ResponderEliminar
  2. A sério?! Abrir já penso que seria caótico.

    ResponderEliminar
  3. Porquê? A única razão [e é profundamente subjetiva] é a preparação psicológica. De resto, não encontro qualquer utilidade em adiar a abertura das escolas e da sociedade.

    ResponderEliminar
  4. Pedro, a diferença é a seguinte: abrir em 18 de Maio ainda possibilita a realização de EXAMES no presente ano lectivo!

    A obsessão por exames é de tal ordem que estão dispostos a sacrificar todos os outros aspectos envolvidos, como a saúde dos alunos e professores que tenham que regressar, porque nada é mais importante do que a realização dos exames!

    No fundo, a mensagem que é passada pela própria Tutela diz-nos que os exames são imprescindíveis e que tudo o resto, como avaliação contínua, avaliação formativa, flexibilização (palavra tão grata para o Ministério nos últimos tempos...), na realidade não passam de "balelas" e não interessam para nada... Tudo se resume a exames... Lamentavelmente...

    ResponderEliminar
  5. Acrescento mais: A não realização de exames no presente ano letivo, devido às circunstâncias que todos conhecemos, nunca poderia significar que não existiria concurso de acesso ao ensino superior. Significaria apenas que teria que se encontrar outra "formula" de ingresso, que não a actual. E isso seria muito simples, se houvesse essa vontade...

    ResponderEliminar
  6. Entendo e concordo. Efetivamente mostra que a educação se parece reduzir a exames. No entanto, isso não afasta o problema. Não havendo condições para abrir agora as escolas, também não haverá em setembro. O que fazer então? Cancelar o próximo ano letivo? Ficar neste modelo de aulas à distância que - apesar das boas intenções e da dedicação - não são aulas adequadas [para não usar o conceito de justiça]? Temos de viver com o vírus. As escolas têm de abrir para voltarmos a uma "normalidade". Os exames são a menor das preocupações.

    ResponderEliminar
  7. As suas questões parecem-me muito pertinentes, mas, sinceramente, não arrisco respostas porque não tenho nem dados nem conhecimentos científicos suficientes para o fazer...

    Contudo, arrisco uma convicção: Neste momento, e nas próximas semanas, não existem condições de segurança nem psicológicas para as escolas abrirem e voltarmos a ter alguma "normalidade"...

    ResponderEliminar
  8. A sério?! Tudo indica que essa abertura aceleraria o número de infectados e criaria o caos nos serviços de saúde.

    ResponderEliminar
  9. Concordo, Matilde. A sacrossanta fórmula de acesso ao superior parece das poucas coisas no planeta que não tem alternativa.

    ResponderEliminar
  10. Percebo o Pedro e concordo com a Matilde. Recupero o que escrevi há um mês: Oferecer plataformas on-line não significa concretizar o ensino à distância. As plataformas são apenas o suporte; o meio. Entrar numa plataforma, e usá-la, é, em regra, tão simples, intuitivo e amigável como fazê-lo nas vulgares redes sociais. Mas esses "naturais" passos digitais não significam que se está apto para o ensino à distância no dia seguinte ou no mês seguinte. Qualquer afirmação desse género não respeita os inúmeros profissionais que se especializam nesse complemento ao ensino presencial com adultos e jovens adultos. Para além de tudo, é preciso tempo para preparar novas metodologias e não é suficiente usar os modos do ensino presencial. Altera-se a pedagogia, os estilos de ensino, os recursos mais diversos, as formas de avaliação e são muito diferentes as técnicas de captação de audiência. Por outro lado, o ensino-aprendizagem, principalmente com crianças e jovens, é analógico e uma simbiose da cognição com as emoções.

    Dissemina-se a ideia de que vamos ter uma escola do século XXI à distância em todos os lares do país. Confesso que me espanto. Mas ao contrário, o que não me espantaria era que o ano lectivo terminasse amanhã como uma decisão absolutamente excepcional. Os alunos do básico e do secundário transitavam sem notas. Ficariam poucas questões por resolver, entre elas o acesso ao ensino superior.

    ResponderEliminar
  11. Outro prognóstico bem interessante foi o do Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior que, em comunicado de dia 17 de abril, tendo acabado de ser decretada a renovação da declaração do estado de emergência até ao dia 2 de maio, se declarava:

    "Recomenda-se que... as instituições científicas e de ensino superior elaborem planos para levantamento progressivo das medidas de contenção atualmente existentes, incluindo a reativação faseada de atividades letivas e não letivas com presença de estudantes.
    (...)
    A implementação dos planos para levantamento progressivo das medidas de contenção atualmente existentes referidos nos parágrafos anteriores fica sujeita à alteração do atual estado de emergência, devendo as instituições estar preparadas para a sua concretização faseada a partir de 4 de maio de 2020."

    A 17 de abril já se dava o prazo de 4 de maio para começar a "normalizar" a situação...

    É por estas e outras que no nosso belíssimo português existe a expressão de "pôr a carroça à frente dos bois". Serve que nem uma luva aqui.

    ResponderEliminar
  12. Comungo do seu "espanto"!

    Reconheço que as circunstâncias actuais levaram a que escola à distância se constituísse como como a única via possível de comunicação.

    Contudo, se a escola que está a ser preconizada para o futuro for uma escola à distância, em que a comunicação é mediada por meios tecnológicos, deixa de haver lugar à interacção, propriamente dita.

    A relação pedagógica, estabelecida entre os alunos e os professores, também é feita de interacção pessoal e isso pressupõe a existência de proximidade física. Sem interacção pessoal ficamos com o quê?

    Ficamos com um enorme VAZIO, inultrapassável e com consequências imprevisíveis...

    (Mas isto sou eu, uma pessoa muito pouco dada a tecnologias e muito céptica em relação ao uso das mesmas, sobretudo quando, implicitamente, se veicula que as interacções pessoais podem ser substituídas por comunicações tecnológica, feitas sem contacto físico e sem a possibilidade de olhar o outro "olhos nos olhos" ...).

    ResponderEliminar
  13. Concordo. Mas mais: há muitos países em que os alunos fazem um ano de serviço cívico, ou outra coisa do género, antes de ingressarem no ensino superior.

    ResponderEliminar
  14. Há umas semanas escrevi sobre o assunto: o risco de contágio em maio não será diferente do que em setembro ou dezembro. Portanto, este critério não seria o justificável para continuar o confinamento; o que está a ser feito tem um motivo simples: não 'entupir' os hospitais em pouco tempo, por causa da velocidade de contágio e rapidez do agravamento dos sintomas. A partir de setembro (ou até antes), esperam-se contágios mas também se espera que os hospitais estejam com pouca ocupação de camas, se for necessário.
    Também já falei muito sobre a hipocrisia curricular desta 'flexibilidade' que privilegia a avaliação formativa, mas depois o sistema está sempre a exigir os 'grelhados' da avaliação sumativa, da qual a expressão máxima são os exames nacionais padronizados (e logo, 'inflexíveis'...). O regresso é exclusivamente para operacionalizar o acesso à universidade, algo já revelado na greve aos exames há uns anos atrás...
    Felizmente, a provecta idade de muitos professores, faz com que tenham a experiência de vida suficiente para ignorar a doutrinação curricular contínua e serem pragmáticos, pelo menos no ensino secundário...
    Mas, provavelmente, pior do a gripe chinesa é a calamidade social que se abateu em muita gente, e que se prolongará por tempo indeterminado, levando a consequências inimagináveis, que pouco se tem falado publicamente, mas que se começa a sentir nas escolas com os pedidos de doação de bens essenciais...
    (e já nem falo na calamidade na carreira docente, porque é politicamente incorreto falar dela perante o cenário dantesco...)

    ResponderEliminar
  15. Muito obrigado, Mário. Tinha no email um texto teu que queria publicar, mas com tanto email nos últimos tempos apaguei-o sem querer.

    ResponderEliminar
  16. Não há uma maneira de impedir a reabertura das escolas a 18 de maio? tenho um sobrinho que é uma pessoa de risco, não precisa de fazer exames e mesmo assim é obrigado a ir para a escola, pois caso falte não é avaliado. Já para não falar que a mãe é uma doente oncológica...não entendo

    ResponderEliminar