Os números do abandono escolar são positivos, mas não são reveladores da qualidade nem sequer do emprego correspondente.
"Abandono escolar precoce atingiu mínimo histórico no ano passado. Taxa apurada pelo Instituto Nacional de Estatísticas foi de 8,9%, abaixo da meta europeia com que Portugal se tinha comprometido (10%). Indicador mede a percentagem de jovens com mais de 18 anos que chegam ao mercado de trabalho sem o ensino secundário completo e que não estão a frequentar um programa de formação."
"Covid-19: mais 161 mortes (o valor mais baixo desde 17 de Janeiro) e 4387 casos de infecção"
Não consigo olhar para a notícia da taxa do abandono escolar e ficar agradavelmente satisfeito. Não porque, a ser verdade, ainda existe 8,9%, quando deveria ser 0%. Para quem vive todos os dias no meio escolar sabe muito bem como a "coisa" é tratada, falo do sucesso e do abandono escolares. A pressão formal e informal que a tutela exerce sobre as escolas e, particularmente, sobre os professores é gritante. Por razões que se prendem com a sobrevivência profissional, os professores, uns mais cedo e outros mais tarde, acabam por deixar correr a "coisa". Refiro-me a quê? A ser verdade o valor da estatística, segundo o conceito de abandono escolar decretado pela própria tutela (que funciona de modo a dar-lhe razão), o meu receio tem que ver com o preço (pedagógico) que toda uma sociedade terá que pagar. Há uns anos a esta parte, anda-se a enganar toda uma comunidade relativamente a estes dois indicadores, sucesso e abandono escolar. Pergunto eu, o que poderá interessar à sociedade (e estado) um sistema de educação que reduza a 0% o abandono escolar se uma parte da população escolar não aprendeu?
ResponderEliminarRui Ferreira
ResponderEliminarPercebo, Rui. Concordo com o comentário. O post muito resumido vai nesse sentido, embora seja preferível que os alunos estejam na escola e que a frequentem cada vez até mais tarde.
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