domingo, 2 de outubro de 2022

Em Paralelo Com A Especulação Imobiliária

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Com propinas que chegam aos 20 mil euros por ano, os colégios internacionais passaram de 9 (com 3800 alunos) em 2010 para 18 (com 8400 alunos) em 2021. A expansão acelera e já não se circunscreve ao eixo Oeiras-Cascais. O centro de Lisboa é objecto de "nova onda de escolas internacionais" que vão do 1º ao 12º anos. "Os portugueses procuram também estas escolas que lhes dará acesso às mais prestigiadas universidades".


Relacionem-se estes factos com a especulação imobiliária nas mesmas zonas e com as causas da falta de professores nas escolas públicas. É óbvio que os professores que mudam do privado para o público não leccionam, em regra, nestas escolas.


Recupero parte de um texto (Do aumento brutal das desigualdades educativas) que escrevi há tempos (20.01.2022) para o Público.



"Em Nova Iorque, tutores privados para estudantes do ensino secundário cobram 600 a 1000 dólares (530 a 880 euros) por hora. Nas escolas privadas de elite nos EUA o investimento é de cerca de 75 000 dólares (66 200 euros) anuais por estudante, enquanto na escola pública é de apenas 15 000 dólares (13 200 euros). A desigualdade educacional é maior do que no Apartheid americano em meados do século XX. Nas universidades de elite é ainda mais dramático. As faculdades de Harvard, Princeton, Stanford e Yale matriculam colectivamente mais estudantes dos 1% mais ricos do que dos 60% inferiores"


Estes factos, apresentados por Daniel Markovits, professor na Universidade de Yale, são fundamentais para se perceber o aumento brutal das desigualdades educativas. Agrava-se ao concluir-se que o talento e o esforço não são tão decisivos no elevador social como o investimento financeiro. Como a elite investe quantias avultadas e inéditas na educação dos filhos, a diferença entre a classe rica e as restantes aumenta rapidamente em simultâneo com o empobrecimento da classe média; e uma classe média crescente, consistente e maioritária é decisiva na democracia.


Num assunto desta dimensão, Daniel Markovits escolhe o número de alunos por turma como a outra variável educativa que explica o aumento brutal das desigualdades. Por exemplo, a estrutura escolar que desde o pré-escolar desagua na Universidade de Princeton (financiada por uma fundação de caridade isenta de impostos mas que também usa fundos públicos) tem uma média colossal de oito alunos por turma. O primeiro passo na redução das desigualdades seria aumentar para dezasseis - um limite máximo aceitável - deixando oito vagas para os estudantes das escolas públicas da mesma zona geográfica, precedido, obviamente, do aumento do investimento na rede pública de escolas.


1 comentário:

  1. É o futuro o Privado, vê como eu tinha razão e isto é para continuar, o privado vai ser a Salvação dos alunos a nível de competências, neste texto que diz, mostra de facto a preferência por universidades até estrangeiras como mesmo ADN de aprendizagem como acontece aqui ao lado em España, propinas muito mais caras.

    Deu uma reportagem se era da SIC ou da TVI relativo à debandada de jovens das universidades portuguesas que não formam ninguém, só teóricos e andei numa e digo lhe a prática faz crescer e compreender os teoremas, sem prática do mundo de trabalho, não sabem nada.

    Tive numa empresa industrial que vendíamos para todo o mundo e tínhamos 3 engenheiros na empresa que tiveram 2 anos de estágio profissional e sabe quem eram as pessoas que lhes davam formação? eu digo lhe, senhoras com a 4 classe, e Elas, Sr. João, porquê é que temos que ensinar a estes Engenheiros estas coisas, eles não são formados? não tiveram anos de estudo, Eles é que eles deviam ensinar.

    E o Sr. João, diz, olhem D. Helena, Maria e Adosinda, o mundo está virado ao contrário, estamos numa empresa que recebe dezenas de milhares de euros por cada eng. fora os descontos no IVA e IRC, é um Portugal ao contrário.

    Outro tinha vindo de uma Universidade do Norte e com qualificações o Administrador deu lhe um lugar de desenvolver uma linha de produção, e com tratamento químico nas peças, passado 3 meses, toda a produção foi para a sucata. Também se ganha dinheiro com a sucata. É o Portugal ao contrário.



    João Felgar

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