"AIMA dá ordem de expulsão a imigrantes com filhos portugueses. Governo diz que notificações por causa de alerta SIS não reconhecem se as pessoas têm filhos e que imigrantes podem recorrer. AIMA afirma que cidadãos podem pedir agendamentos."
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sexta-feira, 12 de setembro de 2025
Falhas do algoritmo
sábado, 9 de agosto de 2025
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
O preço da desigualdade
1ª edição em 27 de Março de 2014.
Só o tempo ditará o alcance da última obra de Joseph Stiglitz (Prémio Nobel da Economia de 2001 - o que dá logo outro crédito -) "O preço da desigualdade". Mas o diagnóstico é tão certeiro, que se fica com a sensação, e à medida que o tempo passa, que o livro se tornará num clássico da economia política.
Na página 38 podemos ler uma asserção cada vez mais óbvia (o "Se tal não for feito...", refere-se a "(...)os mercados têm de ser mais uma vez domados e moderados.(...)")
Na mesma página, podemos precisar um recuo civilizacional que vai, como se constata, acentuando as desigualdades.
Na página 41 percebemos a quebra de um contrato.
Na página 42 reconhecemos os ingratos que não param de desmerecer a escola pública.
Na página 44 somos confrontados com um dilema de Joseph Stiglitz. Embora o autor considere a prevalência das forças económicas, acaba por imputar ao poder político a responsabilidade pelo estado a que chegámos e cujo preço total a pagar ainda é desconhecido.
Na página 50 encontramos o parágrafo escolhido para a contracapa do livro e que começa na frase que sublinhei com uma seta vermelha. O editor escolheu assim. Penso que não teria tido um escolha pior se tivesse começado pela frase que seleccionei com um seta verde.
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
Desigualdades e Incertezas
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A analítica de uma actualidade tão incerta integra os efeitos da guerra e da pandemia e clarifica a consistência dos problemas sociais. Aliás, as crises sublinham as desigualdades que estão na génese da tensão política.
Mas teme-se que se diluam na espuma dos dias. Pense-se, por exemplo, na tensão provocada pelas diferenças salariais: a maioria das pessoas situa-se pouco acima do salário mínimo e há executivos premiados apesar dos prejuízos das empresas e do recurso ao Estado. A velocidade mediática, regulada por audiências e sensacionalismos, anestesia a massa crítica e abre espaço à prevalência dos mais fortes e ao fatal triunfo do fútil.
domingo, 2 de outubro de 2022
Em Paralelo Com A Especulação Imobiliária
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Com propinas que chegam aos 20 mil euros por ano, os colégios internacionais passaram de 9 (com 3800 alunos) em 2010 para 18 (com 8400 alunos) em 2021. A expansão acelera e já não se circunscreve ao eixo Oeiras-Cascais. O centro de Lisboa é objecto de "nova onda de escolas internacionais" que vão do 1º ao 12º anos. "Os portugueses procuram também estas escolas que lhes dará acesso às mais prestigiadas universidades".
Relacionem-se estes factos com a especulação imobiliária nas mesmas zonas e com as causas da falta de professores nas escolas públicas. É óbvio que os professores que mudam do privado para o público não leccionam, em regra, nestas escolas.
Recupero parte de um texto (Do aumento brutal das desigualdades educativas) que escrevi há tempos (20.01.2022) para o Público.
"Em Nova Iorque, tutores privados para estudantes do ensino secundário cobram 600 a 1000 dólares (530 a 880 euros) por hora. Nas escolas privadas de elite nos EUA o investimento é de cerca de 75 000 dólares (66 200 euros) anuais por estudante, enquanto na escola pública é de apenas 15 000 dólares (13 200 euros). A desigualdade educacional é maior do que no Apartheid americano em meados do século XX. Nas universidades de elite é ainda mais dramático. As faculdades de Harvard, Princeton, Stanford e Yale matriculam colectivamente mais estudantes dos 1% mais ricos do que dos 60% inferiores"
Estes factos, apresentados por Daniel Markovits, professor na Universidade de Yale, são fundamentais para se perceber o aumento brutal das desigualdades educativas. Agrava-se ao concluir-se que o talento e o esforço não são tão decisivos no elevador social como o investimento financeiro. Como a elite investe quantias avultadas e inéditas na educação dos filhos, a diferença entre a classe rica e as restantes aumenta rapidamente em simultâneo com o empobrecimento da classe média; e uma classe média crescente, consistente e maioritária é decisiva na democracia.
Num assunto desta dimensão, Daniel Markovits escolhe o número de alunos por turma como a outra variável educativa que explica o aumento brutal das desigualdades. Por exemplo, a estrutura escolar que desde o pré-escolar desagua na Universidade de Princeton (financiada por uma fundação de caridade isenta de impostos mas que também usa fundos públicos) tem uma média colossal de oito alunos por turma. O primeiro passo na redução das desigualdades seria aumentar para dezasseis - um limite máximo aceitável - deixando oito vagas para os estudantes das escolas públicas da mesma zona geográfica, precedido, obviamente, do aumento do investimento na rede pública de escolas.
sexta-feira, 8 de julho de 2022
Os Rankings no País das Desigualdades (e Sem Remédio, Tal a Febre)
1ª página do Expresso em 8 de Julho de 2022.
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terça-feira, 31 de maio de 2022
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Mude-se a escola para que regressem os professores
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Pelo Público em 1 de Fevereiro de 2022 com um texto com o título "Mude-se a escola para que regressem os professores". Por lapso perfeitamente compreensível tal o imaginável volume de trabalho dos jornalistas na cobertura das legislativas, este texto teve uma segunda publicação e com uma troca de título que até se adapta. A 1ª publicação em 20 de Janeiro fez-se com o título certo: "Do aumento brutal das desigualdades educativas". O título, "Mude-se a escola para que regressem os professores", é do penúltimo texto publicado em 3 de Janeiro de 2022.
Quem não leu o texto de hoje na 1ª publicação, pode fazê-lo também no blogue ou de seguida.
Título:
Do aumento brutal das desigualdades educativas
Texto:
"Em Nova Iorque, tutores privados para estudantes do ensino secundário cobram 600 a 1000 dólares (530 a 880 euros) por hora. Nas escolas privadas de elite nos EUA o investimento é de cerca de 75 000 dólares (66 200 euros) anuais por estudante, enquanto na escola pública é de apenas 15 000 dólares (13 200 euros). A desigualdade educacional é maior do que no Apartheid americano em meados do século XX. Nas universidades de elite é ainda mais dramático. As faculdades de Harvard, Princeton, Stanford e Yale matriculam colectivamente mais estudantes dos 1% mais ricos do que dos 60% inferiores"
Estes factos, apresentados por Daniel Markovits, professor na Universidade de Yale, são fundamentais para se perceber o aumento brutal das desigualdades educativas. Agrava-se ao concluir-se que o talento e o esforço não são tão decisivos no elevador social como o investimento financeiro. Como a elite investe quantias avultadas e inéditas na educação dos filhos, a diferença entre a classe rica e as restantes aumenta rapidamente em simultâneo com o empobrecimento da classe média; e uma classe média crescente, consistente e maioritária é decisiva na democracia.
Num assunto desta dimensão, Daniel Markovits escolhe o número de alunos por turma como a outra variável educativa que explica o aumento brutal das desigualdades. Por exemplo, a estrutura escolar que desde o pré-escolar desagua na Universidade de Princeton (financiada por uma fundação de caridade isenta de impostos mas que também usa fundos públicos) tem uma média colossal de oito alunos por turma. O primeiro passo na redução das desigualdades seria aumentar para dezasseis - um limite máximo aceitável - deixando oito vagas para os estudantes das escolas públicas da mesma zona geográfica, precedido, obviamente, do aumento do investimento na rede pública de escolas.
E centramos o debate se cruzarmos o que Joseph Stiglitz, Nobel da economia em 2001, descreveu no início do milénio como a exportação da "corrupção ao estilo americano que resultou na luta de classes contra os mais pobres, na depravação moral e na crise de 2007" com a tese de Daniel Markovits que conclui que o ideal meritocrático bloqueou a igualdade de oportunidades e criou uma aristocracia baseada no investimento em educação. Desde os anos oitenta do século XX que os EUA criaram uma hierarquia económica através de uma armadilha meritocrática sustentada em competições na escola e no trabalho que se alastrou às democracias ocidentais. Ou seja, o investimento financeiro acrescentou experiências curriculares mais prestigiadas que, num registo de bola de neve, tornaram a educação no factor determinante do aumento brutal das desigualdades.
Dá ideia que, no mundo global e com o peso das instituições norte-americanas, é muito difícil evitar que outras nações não caiam na desigualdade meritocrática. Mas nada se perde em discutir o assunto. Aliás, o que história nos ensina é que para onde caminharem os sistemas dos EUA irão mais lentamente os europeus. O Reino Unido já navega há muito nos mesmo mares das desigualdades educativas e da falta de professores e a França e a Alemanha vão-se aproximando. Por cá, a contaminação por estas políticas iniciou-se no início do milénio com mudanças bem identificadas na trágica quebra da solidariedade no ambiente escolar: avaliação, e precarização, dos professores numa degradante farsa meritocrática; modelo autocrático de gestão das escolas; rankings de escolas que serviram os interesses comerciais do ensino privado de elites; aumento do número de alunos por turma.
Chegados aqui, impõe-se a interrogação. E nada há a fazer?
Obviamente que há. Há mudanças sustentáveis que se devem dirigir a eixos nucleares com efeito aglutinador: alunos por turma, falta estrutural de professores e requalificação de escolas. Desde logo, eliminar a armadilha meritocrática na organização da avaliação e da gestão das escolas e perseguir a redução de alunos por turma como critério decisivo da avaliação da municipalização.
Por outro lado, pensar o futuro inclui a vigente pandemia. Uma centena dos principais especialistas mundiais em coronavírus exigem outro rumo, que denominam por Vacinas-Plus numa carta aberta à revista British Medical Journal, afirmando com clareza que o vírus se transmite por aerossóis - partículas expelidas ao falar ou respirar e que se mantêm no ar - e que é crucial ventilar e filtrar o ar. E se a pandemia destapou as desigualdades educativas, também o fez em relação à capacidade de sobreviver ao vírus. As zonas geográficas que concentram mais pobreza foram mais atingidas, porque estar horas a fio numa sala de aula com 8 ou 16 alunos é mais seguro do que fazê-lo com 30. Daí a inexactidão do discurso da escola é segura, quando o fundamental era a precaução em relação aos célebres 3 c´s (distanciamento físico - close-contact settings, such as close-range conversations -, arejamento dos espaços - closed spaces with poor ventilation - e aglomeração de pessoas - crowded places with many people nearby -) que aumentava em proporcionalidade directa com o rendimento financeiro.
Por fim, anunciou-se recentemente um investimento de 6 000 euros anuais por estudante na escola pública portuguesa. Foi de imediato considerado elevado e despesista com o argumento de que há empresas privadas de educação que conseguem um valor próximo dos 4 000 euros anuais por estudante, omitindo que o fazem com turmas numerosas (cerca de 30 alunos) e precarização de professores como eternos contratados com turmas sem fim - práticas que se alastraram à escola pública e que contribuíram para a falta estrutural de professores -. Por incrível que ainda pareça, esse argumentário inclui um dos instrumentos educativos mais desiguais: o datado e comprovadamente desastroso cheque-ensino.
Como se conclui, no mundo global é decisivo aplicar políticas que reduzam as brutais desigualdades educativas. Considerar em Portugal 18 alunos por turma no pré-escolar e no primeiro ciclo, 20 nos 2º e 3º ciclos e 22 no secundário (objectivos que devem ajudar a nortear a municipalização), e um investimento de 8.000 euros por estudante até 2030, é não só razoável como elementar para combater as desigualdades, e a fuga a ser professor, e consolidar a democracia.
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
O Preço Da Desigualdade
1ª edição em 27 de Março de 2014.
Só o tempo ditará o alcance da última obra de Joseph Stiglitz (Prémio Nobel da Economia de 2001 - o que dá logo outro crédito -) "O preço da desigualdade". Mas o diagnóstico é tão certeiro, que se fica com a sensação, e à medida que o tempo passa, que o livro se tornará num clássico da economia política.
Na página 38 podemos ler uma asserção cada vez mais óbvia (o "Se tal não for feito...", refere-se a "(...)os mercados têm de ser mais uma vez domados e moderados.(...)")
Na mesma página, podemos precisar um recuo civilizacional que vai, como se constata, acentuando as desigualdades.
Na página 41 percebemos a quebra de um contrato.
Na página 42 reconhecemos os ingratos que não param de desmerecer a escola pública.
Na página 44 somos confrontados com um dilema de Joseph Stiglitz. Embora o autor considere a prevalência das forças económicas, acaba por imputar ao poder político a responsabilidade pelo estado a que chegámos e cujo preço total a pagar ainda é desconhecido.
Na página 50 encontramos o parágrafo escolhido para a contracapa do livro e que começa na frase que sublinhei com uma seta vermelha. O editor escolheu assim. Penso que não teria tido um escolha pior se tivesse começado pela frase que seleccionei com um seta verde.
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
Porque se Falha na Redução das Desigualdades e dos Efeitos Pandémicos
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As desigualdades emergem nas pandemias, reflectem-se nas respostas colectivas e são um espelho das nações. E recorde-se, ainda como ponto prévio: o rating dos países é essencial para os desafios de curto e médio prazos, porque, se for bom, permite dívida a juros favoráveis e estimula défices baixos ou superavits. No entanto, não admite repetidas recessões. Responde melhor nas crises se decorrer da consistência histórica na transformação de políticas, empresas e instituições extractivas (que acumulam a riqueza em oligarquias e “elites”) em inclusivas (que distribuem a riqueza e reduzem as desigualdades). Apesar das regiões europeias serem historicamente diversas neste domínio, espera-se que os erros cometidos na crise de 2008 não se repitam na covid-19: para salvar vidas, recuperar economias e manter a paz.
Estamos num período de quebra consentida do rating porque atingiu todos. Mas essa tolerância contrapõe o não encerramento das escolas nas regiões em que o seu papel central é assegurar a força laboral das classes média e média baixa e dos pobres. É, infelizmente, pouco rigoroso convocar a urgência das aprendizagens. Essas escolas só são vitais no curto prazo para a economia; apesar de se temer que influenciem a subida dos contágios.
A pandemia expôs o fenómeno. As turmas, e escolas, numerosas são um dos indicadores extractivos que comprometem a redução das desigualdades e dos efeitos pandémicos. Olhemos para outros três: a escola a tempo inteiro e a falta de professores, onde se espera uma "vacinação" no quadro europeu até 2030, e a gestão do território que exige uma "terapêutica" mais prolongada.
A escola a tempo inteiro substitui valências assistencialistas, sociais e culturais que nas nações com bom rating consolidado estão cometidas à sociedade. É por isso que essa "impossível" missão falha na redução das desigualdades. Basta reparar no calendário escolar. É sensato interromper as aulas a cada seis semanas para recuperar energias; mais ainda em tempos de pandemia. É um modelo usado em regiões da Europa com mais sociedade. Em tempo normal, as interrupções podem ser usadas para semanas de teatro, cinema, conferências e exposições da responsabilidade da sociedade para a emergência de novos públicos. Por cá, nem a pandemia questionou o que existe. O Governo anunciou, como se a covid-19 fosse assunto em via de resolução, mais dias lectivos e menos dias de interrupção sem qualquer contraditório das restantes forças parlamentares.
Já a falta de professores reflecte o desprezo por um dos pilares da escola democrática. Agora que a pandemia evidenciou que está longe a substituição de professores por máquinas, olhemos para o tal exemplo finlandês, também na pandemia, para se perceber o que nos falta fazer. A Finlândia tem um século de independência e "mandatou" os professores para a construção da identidade nacional. Confiam nos professores. Desconhecem a lógica desastrosa do "cliente tem sempre razão" aplicada à escola. Não há avaliação do desempenho. A carreira tem dos mais elevados índices remuneratórios do sector público. A formação inicial é prestigiada. Não existe inspecção. E há estabilidade. Os excessos ideológicos das políticas educativas dos governos de Sócrates e Passos Coelho eram impossíveis na Finlândia. Os bons resultados internacionais mediatizaram um ensino centrado no professor. Em 2012, começaram a estudar a flexibilização curricular e só em 2016 deram os primeiros passos. A opinião dos professores conta. As escolas têm uma dimensão civilizada e desburocratizada. Perceberam que o imobilismo é uma irresponsabilidade perante a quarta revolução industrial. Mesmo que os professores não constem das tabelas (Klaus Schwab (2017:39), "A Quarta Revolução Industrial") das profissões mais ou menos propensas à automatização, existem alunos com futuros profissionais. Foi o que os levou a pensar em mudanças devidamente testadas.
Por fim, a boa gestão do território é um factor estruturante para a redução das desigualdades. Em 2001, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira criticava o facto de Portugal ter trinta e oito quadros de divisão administrativa do território e não um como seria moderno e razoável. Esse número estará agora próximo da meia centena. As correcções são cada vez mais difíceis. A (des)organização do território em Portugal inscreveu aglomerados populacionais (estude-se, por exemplo, o comportamento da cintura industrial do grande Porto na tragédia vigente) que anulam a necessária "miscigenação" escolar dos grupos sociais e comprometem o elevador social que fortalece a classe média. O que temos, acentua a guetização dos desfavorecidos. Os grupos sociais mais fortes conseguem, naturalmente, que a frequência das escolas fique entre pares e provocam a auto-exclusão dos mais fracos; e é também por isso que se falha na redução das desigualdades e dos efeitos pandémicos.
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Desigualdades
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Se a analítica da actualidade integra os efeitos da pandemia, também clarifica a consistência de problemas sociais. Aliás, as crises sublinham as desigualdades. Escolhi dois factos que estão na génese da tensão política, e que a crise apenas trouxe à superfície do debate, mas que se diluirão na espuma dos dias: enquanto "nos lares e nos hospitais - onde a maioria dos trabalhadores são mulheres - e na generalidade da linha da frente a maioria dos trabalhadores ganha pouco mais que o salário mínimo," é inadmissível que no Novo Banco se atribuam "2 milhões de euros de bónus aos administradores executivos apesar do banco ter prejuízos e recorrer ao Estado."
Por outro lado, a velocidade mediática desautoriza a massa crítica e amplia o insensato que inquieta as emoções. Percebe-se que a diluição das desigualdades na espuma dos dias, numa mediatização regulada por audiências e sensacionalismos e "patrocinada" por órgãos institucionais, abre espaço, quando muito e a exemplo doutras latitudes, à prevalência dos mais fortes e ao fatal triunfo do fútil.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Mário Centeno Tem Razão
Repitamos: a história da distribuição da riqueza é política e lê-se em dois clássicos: "Riqueza das Nações" de Adam Smith e "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Mário Centeno tem razão: "“O governador do Banco de Portugal é um actor político da maior relevância”. Ministro das Finanças traça, em entrevista à Visão, o perfil do próximo governador: não precisa de ser um técnico, mas alguém consciente de que o Banco de Portugal tem “uma relação com a sociedade”."
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Explicações
A acumulação de riqueza numa minoria associada à impossibilidade de taxação do capital, impede a justa redistribuição dos ganhos económicos e a atenuação das desigualdades. Se conjugarmos o que foi dito com o sistemático "varrer para debaixo do tapete" das pequenas e grandes corrupções, temos uma explicação para a perigosa crise das democracias ocidentais.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
dos exames e das desigualdades
"Apenas os jovens do agrupamento de escolas público pior classificado no ranking afirmaram não recorrer a explicações porque “a sua condição socioeconómica não lhes permitia”, conclui ainda o estudo.
O que a realidade nos mostra, é que é um imperativo de consciência treinar os alunos para que "tudo tenha sido feito" na tal décima que pode faltar no sacrossanto acesso ao superior; e isso influencia o sistema desde a entrada na escola. Aliás, as crianças já integraram as explicações como uma rotina tão óbvia como a frequência escolar e o "impensado" de as sujeitar a quadros de mérito, e a outras publicitações semelhantes, sobrecarrega a competição e acentua uma teia "invisível" de conflitualidade, indisciplina e desigualdades.
É um universo tão tristemente contraditório, que nem se trata de discutir se os alunos aprenderão mais com tecnologias e interdisciplinaridades. Só em escolas sem secundário, ou que, tendo-o, grande parte dos alunos não se imagina no ensino superior, é que há espaço para reduzir o treino disciplinar em favor de uma suposta "escola do século XXI" (um sombrio século XXI, se ficasse apenas por estes espaços). E mesmo aí, a máquina do ME, e a hiperburocracia dos excessos das ciências da educação cruzada com os atavismos das ciências da administração, tenta de imediato eliminar qualquer ousadia com uma pesadíssima quadratura do círculo que nos devia envergonhar.
Já usei esta argumentação em inúmeros posts.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
das agências de raiting (as AR)
Quando as AR baixaram as classificações de Portugal, muitos consideraram-nas, e bem, instrumentos da ideologia política responsável pelo aumento das desigualdades. Ou seja, enquanto uns viam as AR ao serviço dos 1%, das multinacionais e dos offshores, outros defendiam a sua existência. Nesta fase, os primeiros elogiam as contas do país e os segundos perderam voz.
Na selva financeira vigente, Portugal recuperará alguma soberania se reduzir a dívida e melhorar a opinião das AR.
terça-feira, 20 de setembro de 2016
dos impostos e das desigualdades
A partir da revolução tecnológica (RT), a produtividade de cada pessoa triplicou mas aumentou o desemprego estrutural. É um dado fundamental para a discussão sobre impostos e desigualdades. A RT originou outra discussão fundamental: os robots devem descontar para a segurança social? Num nível mais imediato, temos a taxação dos mais ricos, os tais 1%, que, surpreendentemente, origina sempre uma contestação inflamada de uma parte dos 99%.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
falemos de coisas óbvias
A ausência de perspectivas de melhoria da qualidade de vida tem-se revelado fatal para as sociedades democráticas. Ou seja, o elevador social é um oxigénio da democracia. A insistência nas conhecidas, estudadas e históricas causas das desigualdades tem evidências óbvias que devem ser repetidas à exaustão. Como diz o FMI, temos estado a "espalhar" a riqueza para cima e não para baixo (basta estudar os EUA da década de 90 do século XX - a desregulação da economia - para encontrar causas). E o que mais se teme é que os tais 1% demonstrem "que acabam sempre a destruírem-se uns aos outros". Para além disso, provou-se que a ideia de que o "crescimento é uma maré enchente que faz subir todos os barcos" precisa de quem faça do combate às desigualdades um objectivo primeiro.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
dos "soldados" dos 1%
Aumentam as desigualdades, os tais 1% vencem a guerra (e confessam; lá isso) em modo proporcional à ganância e isso é irrefutável (e se calhar "compreensível" numa sociedade de mercado quase sem limites morais). Não é isso que mais me impressiona e não é de agora. O que mais me intriga (digamos assim porque não me intriga nada) é o apoio fervoroso que os 1% encontram em grupos numerosos dos 99%; são verdadeiros soldados que votam, discutem e sei lá mais o quê. Normalmente acabam como o soldado da imagem, mas o problema é que costumam acordar demasiado tarde.
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O discurso, em Davos, de Mark Carney, PM do Canadá, é corajoso. O texto - a prosa é mesmo sua e publico a tradução como recebi por email de...
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O cartoon "One year of Trump" é de Gatis Sluka. Encontrei-o na internet sem restriçoes de publicação. Sabemos que o centro de gr...
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O Correntes mudou de casa. A nova morada é em https://correntesprudencio.blogspot.com/ A mudança da SAPO para o Blogspot deve-se ao encerr...





