domingo, 27 de julho de 2025

Não é por causa da escola e do que lá se ensina numa aula semanal que os jovens eleitores se apresentam misóginos, racistas, xenófobos e violentos

 




Captura de ecrã 2025-07-27, às 17.13.58.png



 

Não é por causa da escola e do que lá se ensina numa aula semanal da disciplina de cidadania que os jovens eleitores se apresentam misóginos, racistas, xenófobos e violentos. E também não é por causa do hardware (smartphones, tabletes ou portáteis). Há exemplos, e muitos, do bom uso educativo da tecnologia nas salas de aula. E se usarem os smartphones para telefonar e tirar fotografias ou fazer vídeos, por exemplo, não precisam de qualquer proibição. O que os aliena é o software. Proíba-se, até aos 16 anos, redes sociais em que se fica à mercê de influencers como Andrew Tate na série "Adolescência (violência no namoro e tantas outras pragas que têm regressado) e da ampliação do bullying, navegadores na internet que possibilitam a adicção em pornografia e jogos nos smartphones. É absurdo e ridículo advogar com o é "proibido proibir" fora da escola, como se a proibição de conduzir antes dos 18 anos, ou de adquirir álcool ou tabaco, não fizesse sentido. É tão absurdo como apontar a insensatez dos professores nas aulas de cidadania; e não se generalize. Actue-se em casos de insensatez. Sabe-se sempre o que se passa em cada sala de aula. Mas tudo isto não interessa à extrema-direita do tiktok (Trump confessou a importância desses eleitores e anulou, logo que foi eleito, a decisão de Biden sobre a proibição do tiktok). Por outro lado, quem é que colocou a disciplina de cidadania na agenda? Foi o marketing da divisão, do ódio, da dor (da dor das minorias alvo) e da ideia de caos. Mas isto só é possível porque o mainstream assistiu de braços cruzados, por interesses comercias e industriais, durante bem mais de uma década à adicção de crianças e de adolescentes ao software referido. E não foi por falta de avisos. É importante que se cruze o debate sobre a disciplina de um tempo semanal com o tempo de écran e com o seu conteúdo. Tudo se liga e as manobras de distracção são como os vírus: tomam sempre a dianteira.



Em suma, a sociedade tem que se envolver sem empurrar mais uma vez a responsabilidade para a escola.


 


 

4 comentários:

  1. Saúdo e aplaudo a assertividade do texto. Subscrevo.
    Muto bom, Paulo!
    Um grande abraço

    ResponderEliminar
  2. E eu agradeço e retribuo o grande abraço.

    ResponderEliminar
  3. Aprovado. Completamente verdade.

    Eu diria que para resolver esta questão de raiz, seriam necessárias medidas idênticas às aplicadas para o uso e porte de armas de fogo. O perigo dos telemóveis ou dos softwares não é muito inferior ao perigo do uso de armas de fogo. Por vezes até superior porque se generalizou e banalizou o seu uso. Ou então considerar com legislação própria esses softwares como pirataria. Porque é pirataria na medida em que destroem um bem comum que é a democracia.

    A ideia parece maluca, mas resolvia muita autocracia.


    ResponderEliminar
  4. Obrigado, Agostinho. Fizeste-me sorrir :))

    ResponderEliminar