Os actos de cidadania, como as manifestações, elevam os cidadãos e um professor também ensina quando se manifesta. É isto que um governante deve salientar. Só uma estrutura de valores políticos muito questionável é que realça os excessos de uma minoria numa fantástica manifestação que envolva 150 mil pessoas. Não é aceitável que um governante vá a uma escola - e ao que se percebe "dar" uma aula de literacia financeira - e afirme que "os professores, durante muitos anos, andaram em manifestações, com razões para isso, mas o professor é alguém que é respeitado na sociedade por ser alguém que sabe, que tem autoridade, que é respeitado por gerações e gerações de alunos. Alguém que anda em manifestações perde toda essa aura", argumentou Fernando Alexandre esta terça-feira, perante mais de duas centenas de alunos da escola secundária Dr. Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, — a mesma que frequentou entre 1984 e 1990".
Quando foi conhecido o nome deste ministro, um OCS pediu-me uma opinião. Não o conhecia e pesquisei. Encontrei ideias neoliberais da gestão da coisa pública, o que pode explicar algumas posições quando se tornam públicas as opiniões sobre políticas da educação.
Nota: já agora, onde esteve este ministro nos 20 anos de contestação à tragédia escolar?
Nem mais, Paulo.
ResponderEliminarNão saímos disto, Elsa.
ResponderEliminarPerdido por cem, perdido por mil. É por essas e por outras que dia 20 faço questão de estar numa manifestação em Lisboa. Enquanto tiver pulmões para gritar, não é este ministro que me vai calar.
ResponderEliminarQuanto à aura, já ma roubaram há muitos anos e já não tenho nada a perder.
O ME deu um tiro no pé, com as suas afirmações irrefletidas, revelou falta de cultura política e geral, ficamos com medo de quem nos devia proteger, porque expôs que os seus passos não são bem fundamentados, devia ser menos espontâneo e mais ponderado nas suas declarações. Há uma coisa básica que o Sr Ministro deveria saber, cidadania e democracia não se limitam ao voto de quatro em quatro anos. A participação em manifestações é um ato cívico de empenhamento político, quando os cidadãos sentem que precisam de ser ouvidos e os filtros das hierarquias políticas fazem parte do problema e não dá solução, nesse caso os cidadãos resgatam parcialmente a sua democracia. Os cidadãos também têm direito de pronúncia e de aceder ao discurso político livremente, quando assim o entendem necessário, é um ato de participação cívica que empodera e enobrece o cidadão, não lhe retira aura, pelo contrário, acrescenta. Os preconceitos estéticos e éticos, demonstrados pelo Sr Ministro foram uma falha cultural e um mau momento, ofensivo para a sensibilidade ética e estética dos cidadãos. Quem tem medo de manifestações não tem cultura democrática. Tentar cercear esse direito, mesmo que seja ao nível inconsciente, é perigoso.
ResponderEliminarForça aí, Agostinho. Boa manifestação e sempre com a esperança num futuro melhor.
ResponderEliminarSem dúvida.
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