O inevitável está a acontecer. Já por aqui dei conta que apoio todas as formas de combater o monstro (e mesmo que não apoiasse, claro).
Posso até estar mais ou menos em acordo com os detalhes de cada um dos gestos. Na maioria das situações nada sei sobre os seus promotores. Mas qualquer que seja o modo escolhido, será, com toda a certeza, mais sustentado que a argumentação esfarrapada que sempre justificou o assombro.
Depois, existe um dado que respeito muito: cada escola é um universo e só quem lá está é que conhece o melhor modo de se posicionar. Numas (onde se tenta que impere uma atmosfera mais obstinada doentia e desconhecedora, parece-me) já se pede a suspensão, noutras nem isso: não se pode pedir para suspender o que não existe.
De uma coisa estou seguro: a divulgação na blogosfera ajuda a espantar os medos provocados e instalados.
Então, vamos a isso: "esboroar do monstro" é uma nova rubrica neste blogue. Não publicarei todas as posições porque não consigo ter tempo útil para o fazer. Escolherei algumas num critério baseado em intuições: apenas isso.
Ora leia:
O Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares pediu ao Ministério da Educação a suspensão do processo de avaliação de desempenho. Segundo o Conselho Executivo, o modelo é “inexequível” e os professores estão “sem tempo” para os alunos.
Numa carta enviada à ministra da Educação, a que a Lusa teve acesso, 116 dos 130 professores daquela escola pedem a “revogação imediata” do despacho que institui a avaliação de desempenho e de toda a legislação “conexa”.
Os docentes consideram que a aplicação do modelo é “inexequível, por ser inviável praticá-lo segundo critérios de rigor, imparcialidade e justiça” e que “não contribui nem para o sucesso dos alunos, nem para a qualidade do trabalho pedagógico que os professores pretendem”.
“Assenta numa perspectiva desmesuradamente burocrática, quantitativa e redutora da verdadeira avaliação de desempenho dos docentes. Pela sua absurda complexidade, não é aceite pela maioria dos professores deste país, não se traduzindo, por isso mesmo, em qualquer mais-valia pessoal e/ou profissional”, lê-se na missiva.
Em declarações à agência Lusa, a presidente do Conselho Executivo afirma que os professores já andam “deprimidos, extremamente cansados e desmotivados”, garantindo que o tempo disponível para os alunos “é diminuto”.
“Se esta burocracia traduzisse no final um benefício para a educação fazíamos um sacrifício ainda maior. Mas pensamos que o que se passa é o contrário. Isto é acabar com o ensino porque os professores estão sem tempo para os alunos”, garantiu Maria Eduarda Carvalho.
Segundo a responsável, os problemas começam logo com a divisão da carreira em duas categorias: professor e professor titular. Naquele agrupamento de escolas, os professores titulares do departamento de Matemática, avaliadores, são todos docentes da disciplina.
“Como podem avaliar um professor de Física, Química ou Informática quando cientificamente não tem nada a ver. Com a delegação de competências tenho professores de educação visual a avaliar professores de educação física”, crítica a docente.
Maria Eduarda Carvalho acrescenta que a “grande maioria” dos docentes do agrupamento trabalha “muito mais” do que as 35 horas semanais e que alguns já estão a pensar abandonar a profissão.
“Este ano já se reformaram dois professores e outros dois estão a pensar pedir a reforma para o ano, ainda que com penalizações. O que me vale é que tenho um corpo docente jovem e sem tempo de serviço para o poder fazer”, diz.
A presidente do Conselho Executivo sublinha ainda que a avaliação vai interferir com o “futuro e as vidas” dos professores, já que a classificação final influenciará o concurso de 2009, que vai ditar as colocações para os quatro anos seguintes.
“Não pode ser com uma avaliação leviana como esta”, criticou a responsável, afirmando que, no seu caso, não se sente “preparada” nem “formada” para avaliar um docente de educação física, por exemplo: “Não sei avaliar se ele está a preparar bem as aulas”.
Sublinhando que “os objectivos individuais e colectivos dos professores do agrupamento são ensinar os alunos e prepará-los para uma sólida construção de um projectos de vida”, o conselho pedagógico aprovou no final de Setembro um outro documento, onde manifesta “repúdio” e “oposição” ao modelo do Ministério da Educação.
“A existência e o uso destes instrumentos de avaliação, ou de quaisquer outros baseados na mesma legislação, merecem o nosso repúdio e a nossa total oposição por serem não só inadequados como prejudiciais à nossa função de professores”, lê-se numa declaração, igualmente enviada a Maria de Lurdes Rodrigues.
Segundo o Conselho Pedagógico, o Ministério da Educação, com as suas reformas, conseguiu “um efeito verdadeiramente subversivo”. “Subverteu a essência do trabalho dos professores: em vez de estar a ser orientado para resolver os problemas dos alunos, ele centra-se, agora, nos problemas profissionais dos professores”.
“Esperamos que este esforço não seja em vão e que, pelo menos, possa levar, no final deste ano lectivo, à revisão e alteração deste monstro aterrador que nascido do casamento entre a injustiça e o disparate só pode parir injustiças e disparates”, lê-se.
Contactado pela Lusa, o assessor de imprensa do Ministério da Educação sublinhou que o Conselho Pedagógico aprovou os instrumentos de registo e que a avaliação “não está parada” no estabelecimento de ensino.
Este assessor de imprensa do ministério da Educação (um "spin doctor"?) recorda-me o ministro da propaganda Iraquinano durante os momentos que antecederam a trágica tomada de Bagdad pelas forças invasoras. Quem não se lembra?
Ora clique.
O frio que começa a chegar aqui ao norte, sussurrou ao meu ouvido:
ResponderEliminarquem são, quem são, os representantes dos movimentos e das associações que já iniciaram, nas suas escolas, resistências internas para esboroar o "monstro"? E os seus associados?
Pois é!
Paulo,
ResponderEliminarestá muito perspicaz...
Tenho indicações de variada proveniência que indica exactamente isso. O M.E. está numa autêntica confusão...
continua!
Francisco Trindade
Olá Francisco.
ResponderEliminarObrigado.
O ME está? Isso significa que não estava? :)
Cumprimentos.
Agora está mais!...
ResponderEliminarUm abraço
Francisco
Claro, claro. O estremeção valeu :)
ResponderEliminarAbraço.
Olá caro anónimo ou anónima, claro. Boa e pertinente pergunta. Tenho pena que não se tenha identificado, pois parece-me um visitante habitual.
ResponderEliminarSabe-se que não gosto muito de responder a anónimos. Mas que seja. Imagino a confusão que vai por aí, pelo Norte. Devem estar muito baralhados sobre as datas das manifestações. Havia um movimento no norte, não tenho bem ideia do nome, que ao que me informaram estava como que out. Talvez agora acorde. O que é que essas pessoas estão a fazer nas suas escolas? Não sei.
Por aqui, pela zona de Lisboa há mais umas coisas. Mas tb não sei o que é que cada um faz. Só conheço as pessoas no âmbito exterior às escolas.
E o que se vai sabendo sobra s acções nas escolas é aquilo que os blogues vão dando notícia. Tenho ideia, digamos que uma intuição, que o onda já é muito maior do que aquilo que se conhece. Basta que os medos comecem a ser espantados.
Mas, claro: cada escola é um universo e devemos respeitar muito isso e as circunstâncias de cada um. Mas é sempre bom registar os exemplos. A situação que se vive é atroz mas também permite conhecer melhor as pessoas.
Agir livre que a luta é longa e não está para gente distraída nem medrosa.
Muito obrigado.
Cumprimentos e força aí: a força da... razão.
Paulo Prudêncio.