domingo, 30 de novembro de 2008

culturas híbridas






Despertei para Homi K. Bhabha, professor na Universidade de Harvard, no programa televisivo do canal dois da RTP, “Câmara Clara”, moderado por Paula Moura Pinheiro.



Num excelente debate com o antropólogo Miguel Val de Almeida, o presidente da Fundação Gulbenkian, Rui Vilar, explicou as motivações da conferência “Ética e Estética do Globalismo: Uma Perspectiva Pós-colonial”.



Do pensamento de Homi K. Bhabha pode ler-se:

 

“nos dias que correm, supremacia cultural é acompanhada por uma forma de cosmopolitismo global que celebra a prosperidade e o privilégio resultantes de formas de governação de cariz neo-liberal e da concorrência do mercado livre. Algumas expressões do desenvolvimento global têm uma fé quase cega no poder da inovação tecnológica e no da comunicação global.

Os efeitos electrizantes deste tipo de políticas são inegáveis: Economias estagnadas e estatizadas, imersas em corrupção burocrática, ineficiência e despotismo souberam reagir bem à cultura da reforma fiscal. Um cosmopolitismo global, com estas características, está presente nos “silicon valleys” e parques tecnológicos. Celebra um mundo de culturas múltiplas localizado na periferia das sociedades, desde que produzam margem saudáveis de lucro dentro das sociedades metropolitanas. Os estados que participam neste multinacionalismo ‘multicultural’ reiteram o seu compromisso com a ‘diversidade’ – dentro e fora de fronteiras – mas apenas desde que a demografia da diversidade seja composta essencialmente por migrantes economicamente educados – engenheiros informáticos, médicos e empresários, e não refugiados, exilados políticos ou pobres. No ensejo de celebrar uma “cultura do mundo’ ou os ‘mercados globais’, esta forma de cosmopolitismo move-se rápida e selectivamente entre um oásis de prosperidade e uma zona de produtividade tecnológica, prestando cada vez menos atenção à desigualdade crónica e à crescente miséria produzida por esse desigual e desequilibrado desenvolvimento”.


 



Homi K. Bhabha e outros cientistas da antropologia têm estudado as culturas dos filhos dos emigrantes não especializados que vêm dos países pobres para os países ricos. Chama-lhe “culturas híbridas”.



A seguir atentamente.

2 comentários:

  1. Muito interessante,
    Talvez Homi K. Bhabha seja um dos que têm que ser lidos sobre a dita globalização. Creio que os efeitos nefastos do actual capitalismo global não se resolvem com manifestações anti globalização, mas por uma política séria desenvolvida nos países e nas áreas sociais que se sentem mais marginalizados. Isto é, com democracia, mercado e liberdade de expressão combinados com poder de Estado para garantir direitos sociais, políticas de desenvolvimento ajustadas e luta política assente nos próprios marginalizados. Não se compreende, por exemplo, que a Somália exporte engenheiros para o Sílicon Valley. E estão a acontecer coisas desse género. Cursos pagos pelos países pobres devem ter empregabilidade lá e não no Centro.

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  2. "Cursos pagos pelos países pobres devem ter empregabilidade lá e não no Centro." E esta é já uma antiga discussão. Conheço até alguns resultados perversos: vão estudar ao "centro" e voltam com ideias que "arrasam" os valores das suas sociedades de origem. Um difícil combinação entre o que se aprende fora e aquilo que a origem necessita.

    Abraço.

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