quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

histórico de alunos

 



 


 


 


Já fiz três ou quatro posts, ao longo destes quase cinco anos de existência, sobre o estatuto do aluno. Também, e importa que o diga, e ao longo da minha actividade como professor em Portugal, algo de que me orgulho e que nunca escondo, participei em inúmeras reuniões onde o tema foi debatido até à exaustão.


 


Na última primavera fiz um post sobre o assunto em que escrevi assim:


 


 


E dei comigo a pensar num estatuto do aluno. O que vou escrever a seguir é muito a sério, foi objecto de uma atenta e demorada análise.


 


Proponho um estatuto sem preâmbulos e com um único artigo.


 


Os alunos reprovam se excederem o limite de faltas injustificadas a uma das disciplinas, ou áreas curriculares não disciplinares, que compõem o seu programa de estudos. Entende-se por limite de faltas injustificadas, o produto da multiplicação por três do número de aulas semanais em cada uma das actividades referidas. Compete aos directores de turma o estabelecimento dos critérios que consideram uma falta como justificada.


 


 


Realizei uma auscultação familiar sobre o "impercebível" estatuto do aluno com a ideia de fazer um histórico que ajude a acomodar a minha tese do singular artigo, digamos assim.


 


Comecei com a minha octogenária mãe, que mantém uma memória tão fresca como a minha.


 


Telefonei-lhe.


 


- Oh mãe, lembras-te como era com as faltas quando a minha avó andava na escola?, perguntei-lhe.


 


- Tens cada uma Paulo. Já não me lembro bem. Mas parece-me que era simples: havia um limite de faltas em cada disciplina e podiam justificar as faltas quando havia um motivo forte para isso. Mas porquê?.


 


 - É para um estudo que estou a fazer. E no teu tempo, lembras-te?


 


- Era como no da tua avó. Havia um limite de faltas em cada disciplina e podíamos justificar as faltas quando havia um motivo forte para isso.


 


De seguida, telefonei à minha irmã mais velha, que é de uma geração mais antiga que a minha, e fiz-lhe a mesma pergunta. A resposta foi pronta: - Era simples. Havia um limite de faltas em cada disciplina e podíamos justificar as faltas quando havia um motivo forte para isso.


 


Ainda questionei a minha mulher - temos a mesma idade - e a minha filha de 22 anos. Em ambos os casos não havia dúvidas quanto à simplicidade da resposta: - Havia um limite de faltas em cada disciplina e podíamos justificar as faltas quando havia um motivo forte para isso.


 


Faltavam os meus alunos actuais. Questionei um grupo de 20 estudantes, rapazes e raparigas com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos:


 


- As faltas justificadas contam para a reprovação por excesso de faltas?


 


Bem, que grande confusão. Não havia duas opiniões concordantes. Os alunos estavam completamente baralhados. Ninguém sabia o regime em vigor e conheciam as mais variadas versões. 


 

2 comentários:

  1. No outro dia perguntei a um operador da MEO que me explicasse como posso eu aderir a um canal de televisão. Ele explicou-me. Fiquei de estudar o caso. Quando depois voltei a telefonar para confirmar que iria aderir, a informação dada era completamente diferente da que me haviam dado inicialmente. Quase diametralmente oposta. A impressão com que eu ficaria, caso não tivesse estado num oftalmologista a conversar com uma ex-aluna que é "chefe" num call-center aqui nas Caldas é que aquilo era uma rebaldaria. A escola anda na mesma, mas só na parte da rebaldaria. Nenhum sistema funciona sem inteligibilidade. Tenho já dito muitas vezes que hoje ninguém sabe quase nada sobre o sistema de ensino. E não me refiro apenas ao regime de faltas. Se fizeres a mesma consulta sobre como se transita de ano - quantas "negativas" (que já nem se deviam chamar assim, certamente - verás que o disparate está instalado. Começa pelos professores. Vai depois aos alunos. Se puderes falar com alguém do ministério assim como quem não quer a coisa aplica o mesmo questionário. E no despiste dos alunos com necessidades especiais? Aí é que a coisa caiu completamente por terra. Existe uma total arbitrariedade que os professores vão a muito custo tentando limitar. Um embaraço.

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  2. Até fico com esta sensação: "Se puderes falar com alguém do ministério" sobre o modelo de avaliação do desempenho, por exemplo, chegarás à mesma conclusão :) A sério.

    Abraço.

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