terça-feira, 30 de junho de 2009

abbas kiarostami

 



Faz quinze ou dezasseis anos, mais ou menos, claro, que acompanho o genial cinema de Abbas Kiarostami. No princípio, e se bem me lembro, parecia-me uma excentricidade esta coisa de ver cinema iraniano, mas rapidamente percebi que a linguagem cinematográfica de Kiarostami era um desafio permanente. A validade do argumento, a capacidade de contar a história e a excelência das imagens - apesar dos parcos meios ao seu dispor, considerando, claro, a exorbitância de meios e de tecnologia que acompanham grande parte das produções actuais -, são os ingredientes que mais pesam.

 

Numa altura em que o Irão vive um momento de tanta tensão política e social, é raro o dia em que não me interrogo: de que lado estará o realizador? Qual será a sua condição como homem e como artista?

 

Lembro-me que esteve em Lisboa no início do século para uma conferência de imprensa. Li que foi uma coisa rápida e que o que Kiarostami quis fazer foi mergulhar sem guias no metabolismo da capital portuguesa.



Abbas Kiarostami tem obras maiores, com saliência, na minha modesta opinião, para o filme que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1997, Ta'm e Guilass (O Sabor da Cereja): uma verdadeira obra prima; um argumento construído à volta da figura de uma taxista que se quer suicidar, mas que não consegue encontrar quem realize a sua sepultura: fascinante, uma autêntica exaltação à vida.



Encontrei um pequeno vídeo que pode entusiasmar o meu caro leitor a perseguir este grande vulto do cinema contemporâneo. Ora clique.


 


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