"Jafar Panahi: “Não houve parabéns, nunca”, em Teerão"
"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do cineasta iraniano na obra "Shirin". Encontrei-a por aqui quando ontem o recordava depois de um primeiro post sobre a sua morte.
A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).
"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do inesquecível cineasta iraniano. Encontrei-a por aqui quando ontem ouvi uma referência à sua obra.

A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).
"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do inesquecível cineasta iraniano. Encontrei-a por aqui quando ontem ouvi uma referência à sua obra.

A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).
"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do cineasta iraniano na obra "Shirin". Encontrei-a por aqui quando ontem o recordava depois de um primeiro post sobre a sua morte.
A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).
Morreu o cineasta iraniano Abbas Kiarostami. É difícil escolher, mas é o meu cineasta preferido. O "sabor da cereja" (1997) foi a revelação e o "através das oliveiras" (1994 - este vídeo terá sido removido pelo regime iraniano?) a confirmação. Vi mais de uma dezena de filmes, alguns já são clássicos, sempre rendido à tela inundada de poesia e ritmo e com parcos recursos. Paz à sua alma.
Chego ligeiramente atrasado ao anúncio do falecimento (2 de Abril de 2015) do Mestre do cinema português, mas confesso que não me preparei para o sucedido.
Vi, seguramente, mais de uma dezena de filmes do grande cineasta (sempre em salas vazias). O realizador rasgou fronteiras e tem algumas obras que me recordam um dos meus realizadores preferidos: Abbas Kiarostami. E é de um dos filmes deste iraniano, "Através das oliveiras", que me lembrei nestes dias em que os médias portugueses deram uma demonstração de planeamento com reportagens elaboradíssimas sobre o Mestre. A história começa assim: um grupo de jornalistas do canal estatal da moderníssima Teerão dirije-se a uma recôndita aldeia, a 700 kms, para documentar o choro das carpideiras. Só que o planeado defunto nunca mais falece e os jornalistas ficam inabitados com a ausência das comodidades quotidianas.
"A mais elevada forma de arte é a arte de viver", é uma opinião, que partilho, do cineasta iraniano Abbas Kiarostami. Aquele que é um dos meus cineastas preferidos dá uma interessante entrevista ao suplemento Ípsilon do Público de hoje. E acrescenta: "Mas a arte pode transformar a mais grosseira "arte de viver" numa forma mais elevada e ainda mais verdadeira do que a originalidade da vida". Bem sabemos como a arte de viver implica o relacionamento com os outros: o inferno ou o conforto será a eleição decisiva. Mas a arte, nas suas mais variadas expressões, pode desempenhar o papel que estava destinado à religião.
"O que é que copia o quê, a arte ou a vida?". É este o mote para o último filme de Kiarostami, apresentado no Estoril Film Festivail 2010, e já em exibição em Lisboa. Cópia Certificada é também inédito porque do Irão só tem o realizador.
Tanto tempo à espera de Abbas Kiarostami no Estoril Film Festival 2010 e esqueci-me. Não sei explicar. Passou-me mesmo. Para mais com uma conferência de imprensa depois da exibição de "Copie Conforme". Verei o filme noutra altura, claro.
A melhor reportagem que encontrei foi esta. Kiarostami fugiu do Irão e espera que a sua nação veja o "Copie Conforme" através do mercado negro. Para não sair dos temas da Educação, lembrei-me de imediato das receitas de Licínio Lima para as escolas que mais queiram progredir: autonomia clandestina. A mesma ementa para furar os totalitarismos.
O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria. É mais ou menos assim que Abbas Kiarostami termina mais uma obra-prima. O cineasta iraniano filma quase sem efeitos especiais, escolhe muito bem os argumentos e agarra o espectador do princípio ao fim. São fitas que se vêem num fôlego, mas que ficam dias a preencher o cérebro.
A fábula da princesa Shirin foi o mote para Kiarostami falar de mulheres - homenageá-las - e também de homens. O registo respeita a genialidade do realizador: radical com uma atmosfera terna e doce. O espectador apenas ouve a banda sonora do filme - a história é contada assim -, fica com as expressões de 114 mulheres que vão passando (umas poucas repetem-se) uma a uma e na maioria das vezes com companhias nada inocentes: um homem, uma mulher, um homem e uma mulher. É incrível como com estes ingredientes se consegue transportar o espectador para viagens sem fim.
Juliete Binoche é uma das 114.
João César Monteiro tentou um registo semelhante com "branca de neve".
Imperdível.
Depois de noutro dia ter apresentado em Cannes o "Copie Conforme", o meu realizador de culto, Abbas Kiarostami, estreou ontem em salas de cinema de Lisboa um filme que não vou perder: Shirin.
O realizador iraniano dá aqui uma entrevista sobre o tema.
Encontra aqui o resumo do filme que pode ler a seguir.
"O filme é sobre Shirin, princesa arménia, vivendo atribulados amores com o rei Khosrow e o plebeu Farhad. Só que o filme... não se vê. Mais exactamente, Shirin, de Abbas Kiarostami, filma uma galeria imensa de rostos femininos (114, para sermos exactos) assistindo a um filme cuja presença apenas adivinhamos através da banda sonora. O resultado distingue-se por uma enigmática transparência que participa, de uma só vez, do ritual e da parábola: porque sentimos o cinema como um mágico jogo de espelhos e também porque o feminino se expõe, aqui, como uma paisagem infinita de milagrosas variações (114 e todas as outras que pressentimos). Inspirando-se num poema persa do século XII, Kiarostami, o iraniano, mostra como o seu cinema está visceralmente encravado no seu país, ao mesmo tempo que participa de uma milagrosa dimensão universal."
Pode ver ainda o trailer oficial do filme.
Habituei-me à excelência dos filmes exibidos no Festival de Cannes. Este ano a curiosidade era acentuada. Como dei conta aqui, o filme do iraniano (um dos meus realizadores de culto) Abbas Kiarostami, o Copie Conforme, esteve a concurso. A actriz principal, Juliete Binoche, ganhou o prémio para a melhor interpretação. A imagem que encontrei refere-se à conferência de imprensa que os dois deram no Festival. Denunciaram a prisão política, no Irão, em que se encontra o cineasta iraniano Jafar Panahi.
Copie Conforme é o título do último filme do iraniano Abbas Kiarostami, um dos meus realizadores de eleição. É o seu primeiro filme feito fora do Irão. Está em concurso no Festival de Cannes.
Fique com a atmosfera.
Copie Conforme é o novo filme de um dos meus realizadores preferidos o cineasta iraniano Abbas Kiarostami. A nova fita vai concorrer na fase mais a doer da Palma de Ouro do Festival de Cannes deste ano. Não sei porquê, mas a coisa promete. Pode saber mais aqui.
Soube pelo suplemento ípsilon que Abbas Kiarostami estava em Itália. Afinal um dos meus realizadores preferidos filmava na Toscânia enquanto decorria a revolução verde no Irão que, e segundo a opinião de Kiarostami, foi feita pelos filhos da primeira revolução.
O suplemento do jornal Público faz uma boa reportagem a propósito do festival "Doc Lisboa", aqui, desta vez com o mote "O Irão tira o véu". A obra "Shirin" de Abbas Kiarostami, também conhecida pela fita das "114 de mulheres do realizador" dá corpo a um texto de Vasco Câmara onde o cinema de Kiarostami é bem descrito.
Tem uma passagem muito interessante que diz assim:
"(...) Mas isso é o "Kiarostami´s touch": sempre uma textura sinuosa, vertiginosa, diríamos até perversa, por trás da aparente simplicidade; uma consciência aguda, tão aguda que chega a ser cruel, das transferências que se dão em frente ao ecrã. Kiarostami falará direito por linhas tortas, como as estradas que sulcam os ecrãs nos seus primeiros filmes (nem todas existiam, aliás; tornaram-se "reais" para os filmes). E é por aí que anda a dimensão política do seu cinema, por caminhos mais elípticos do que os da nova geração de cineastas iranianos - veja-se como Abbas, que deixou o campo e chegou à cidade, e à mulher iraniana, em "Ten" (2002), na altura em que os cineastas mais jovens começavam a esventrar e a expor Teerão, filmou uma cidade enfiando-se num carro.
Por isso, por esse lado mais oblíquo do seu cinema, alguns o acusam, no Irão, de fazer filmes apolíticos. Ou de filmar para audiências estrangeiras. Num perfil/entrevista no "Guardian" Abbas respondeu: "Se político significa ser militante eu não farei nunca um filme político; nunca vou sugerir a alguém que vote por uma pessoa ou pela oposição. Não estou a forçar as pessoas a reagir, estou a tentar atingir uma verdade na vida quotidiana. Sempre que conseguirmos tocar essa dimensão isso é essencial e profundamente político".