segunda-feira, 10 de agosto de 2009

pedro tamen

 



(encontrei esta imagem aqui)


 


 


Aproveito quase sempre as férias grandes para iniciar um livro de grande fôlego. Desta vez não foi bem assim. Os dois últimos anos deixaram-me a patinar no terceiro volume de uma obra de sete e decidi-me a terminar com essa espécie de angústia.


 


O "Em busca do tempo perdido" de Marcel Proust mereceu-me uma segunda leitura e tenho ideia que não será a última. 


 


A primeira leitura desta obra de uma vida, em meados da década de noventa do século passado, percorreu com gosto a tradução de Mário Quintana, numa edição dos "Livros do Brasil". Depois ainda andei pela versão francesa mas não passei do primeiro volume.


 


Regressei ao citado terceiro volume e sinto-me de novo envolvido pela irresistível atmosfera proustiana. Não quero deixar de sublinhar a excelência da tradução de Pedro Tamen. Li uma entrevista sua em que relatou a extrema exigência que este trabalho lhe exigiu, mas posso testemunhar que valeu a pena. Sem desprimor para a tradução de Mário Quintana, o exercício de Pedro Tamen não oferece o mais pequeno reparo. Se estiver para isso, claro, não passe pela vida sem conhecer o que o genial Marcel Proust tinha para nos dizer.

10 comentários:

  1. Obrigada pela dica, Paulo!
    Boas férias e boas "leituras"!

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  2. Olá Paulo!

    Bem sei que este texto já tem algum tempo, contudo parece-me o melhor sítio para colocar a questão: qual a melhor tradução, Quintana ou Tamen? Estou a pensar adquirir a obra de Proust e gostava de saber qual a edição que devo optar. A tradução de Quintana parece-me já ser um clássico, contudo parece que é opinião geral que a de Tamen está muito melhor conseguida. Portanto, na tua opinião, qual a melhor? Qual aquela que se aproxima melhor do texto original, qual aquela que oferece uma melhor leitura?

    Obrigado!

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  3. Metendo a foice em seara alheia, estudei esta obra em Literatura Francesa, na faculdade, cadeira leccionada pela temível Buescu, e a tradução recomendada foi a de Mário Quintana. Bem sei que foi há décadas!

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  4. Pedro: há tempos li Eduardo Lourenço aconselhar os jovens sobre literatura: escolham um bom autor e estudem a obra toda e não se dispersem. Concordo, se me permitem :) ainda há tempos dava um conselho semelhante a alguém sobre software.

    O "em busca do tempo perdido" de Marcel Proust é a minha escolha; definitivamente a obra da minha vida. Cheguei lá mesmo no inicio da década de noventa conduzido por um amigo que é o mais erudito que se pode ser. Sabia já muito sobre a obra, e sobre o autor (é mesmo determinante, parece-me, embora com o decorrer essa necessidade se aguçe), antes de a ler. Também vi os filmes todos, alguns depois da primeira leitura.

    Tentei pegar no original. Nunca vivi em países de língua francesa e tive cinco anos de francês no liceu. Percebi que demorava muito e que o sentido de algumas frases me escapava.

    O Mário Quintana era a única tradução disponível. Mergulhei na obra e só tenho elogios. Quem só tiver essa versão pode ir por aí que não perderá o essencial.

    Mais tarde saiu a tradução do Pedro Tamen que sofreu bastante para a terminar.

    Não quero ser injusto, mas vor escrever mesmo o que penso: Tamen esta mais próximo da letra da obra do que Quintana; Tamen é português e Quintana brasileiro e isso faz alguma diferença. Não me atrevo a dizer que Tamen esta mais próximo do espírito, mas é isso que sinto. As leituras que hoje faço ficam por Tamen mas olho sempre com uma eterna admiração para a obra de Quintana.

    Aconselho a aquisição da do Pedro Tamen.

    Tenho uma base de dados sobre as leituras. Um dia destes faço um post que te pode ajudar a ganhar a vontade.

    Há uma barreira: o primeiro volume, que é como que um mapa da obra toda e uma espécie de resumo. É, por vezez, algo descritivo da vida da aristocracia e com um registo um pouco snob. Conheço quem se assute com o que acabei de escrever. Depois de se ultrapassar o primeiro volume a coisa entranha-se de tal modo que nem sei descrever. Está lá tudo Pedro.

    Obrigado Ana.

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  5. Pedro: há tempos li Eduardo Lourenço aconselhar os jovens sobre literatura: escolham um bom autor e estudem a obra toda e não se dispersem. Concordo, se me permitem :) ainda há tempos dava um conselho semelhante a alguém sobre software.

    O "em busca do tempo perdido" de Marcel Proust é a minha escolha; definitivamente a obra da minha vida. Cheguei lá mesmo no inicio da década de noventa conduzido por um amigo que é o mais erudito que se pode ser. Sabia já muito sobre a obra, e sobre o autor (é mesmo determinante, parece-me, embora com o decorrer essa necessidade se aguçe), antes de a ler. Também vi os filmes todos, alguns depois da primeira leitura.

    Tentei pegar no original. Nunca vivi em países de língua francesa e tive cinco anos de francês no liceu. Percebi que demorava muito e que o sentido de algumas frases me escapava.

    O Mário Quintana era a única tradução disponível. Mergulhei na obra e só tenho elogios. Quem só tiver essa versão pode ir por aí que não perderá o essencial.

    Mais tarde saiu a tradução do Pedro Tamen que sofreu bastante para a terminar.

    Não quero ser injusto, mas vor escrever mesmo o que penso: Tamen esta mais próximo da letra da obra do que Quintana; Tamen é português e Quintana brasileiro e isso faz alguma diferença. Não me atrevo a dizer que Tamen esta mais próximo do espírito, mas é isso que sinto. As leituras que hoje faço ficam por Tamen mas olho sempre com uma eterna admiração para a obra de Quintana.

    Aconselho a aquisição da do Pedro Tamen.

    Tenho uma base de dados sobre as leituras. Um dia destes faço um post que te pode ajudar a ganhar a vontade.

    Há uma barreira: o primeiro volume, que é como que um mapa da obra toda e uma espécie de resumo. É, por vezez, algo descritooivo da vida aristocracia e com um registo um pouco snob. Conheço quem se assute com o que acabei de escrever. Depois de se ultrapassar o primeiro volume a coisa entranha-se de tal modo que nem sei descrever. Está lá tudo Pedro.

    Obrigado Ana.

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  6. Paulo, muito obrigado pelo texto tão elucidativo!!

    Vou então optar pela tradução de Tamen (bem, vamos a ver se não acabo por adquirir, com o tempo, ambas as traduções...).

    Quanto à minha vontade de ler a obra, acho que já está bastante alta! Confesso que parece ser o meu tipo de livro. Fico ainda assim à espera dessa base de dados!

    Ana, obrigado pelo comentário. Vou mesmo optar pelo Tamen. Sem conhecer a tradução de Quintana, olho para ela como se se tratasse de um clássico, pelo que nunca deixarei de a ter em consideração. Porém, tendo em conta que esse foi um conselho dado quando ainda nem existia a tradução de Tamen e dado o comentário tão completo do Paulo, vou optar pela tradução mais recente!

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  7. Querem lá ver que eu vou ter de ler a versão do Tamen?!
    Agora fiquei curiosa.
    A verdade é que li a primeira vez na versão original, se não a Buescu matava-me (matava-nos!), já que a cadeira era Literatura Francesa, mesmo leccionada e respondida em língua portuguesa. Mas os testes/ trabalhos eram com base nos textos originais, claro! Porém, quando a Buescu estava bem disposta, lá nos falava nas traduções. Outras vezes íamos nós procurá-las. E toda a gente as lia também (mesmo assim, a cadeira era recordista em chumbos!).

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  8. Ana, já agora, o que achaste do livro?

    Só tive 3 anos de Francês, e foi no ensino básico. Já não me lembro de quase nada (tenho muita pena, um dia volto a pegar na língua). Lê a nova tradução sim, pode ser que com esta conversa o Paulo também pegue nos livros outra vez!

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  9. Pedro,

    Confesso que me vi grega para perceber e estudar esta obra de Proust. Tinha os meus 19 anos e, embora estudasse Francês seguidinho desde o primeiro ano do Ciclo Preparatório (actual 5º ano), aquelas frases e períodos extremamente longos, que tinha de ler e reler vezes sem conta para apreender as diversas “nuances”, davam-me cabo da paciência.

    Nas pesquisas bibliográficas que, na ocasião, fiz sobre Proust, encontrei algo que me motivou para ir até ao fim, na versão original, e que não esqueço: o facto de Proust ser asmático e compararem a sua escrita aos impulsos de uma respiração ofegante, de quem se esforça para ganhar fôlego. Foi com esta comparação que aguentei firme a leitura global em língua francesa, sempre a par e passo com a tradução de Mário Quintana, mas nem o enredo me conseguia seduzir. Devia ser da idade... :-)

    Fiz a cadeira com sucesso à primeira, como se aquela leitura tivesse sido um remédio mau, mas de toma necessária para não adoecer.

    Felizmente, uns anos mais tarde, mais madura, depois de ver o filme, voltei a pegar na versão traduzida por Mário Quintana e descobri que não são os encadeamentos episódicos que fazem a obra genial, pois estes nem são muito originais, mas sim a análise psicológica e as conexões estabelecidas, bem como o jogo magistral das palavras. Recomendo. Hei de ler a tradução de Tamen.

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  10. Muito interessante o testemunho Ana. Obrigado.

    Volto e meia releio Pedro. Neste verão andei com os volumes 3 e 4. Um dia destes faço um post.

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