(encontrei esta imagem aqui)
Aproveito quase sempre as férias grandes para iniciar um livro de grande fôlego. Desta vez não foi bem assim. Os dois últimos anos deixaram-me a patinar no terceiro volume de uma obra de sete e decidi-me a terminar com essa espécie de angústia.
O "Em busca do tempo perdido" de Marcel Proust mereceu-me uma segunda leitura e tenho ideia que não será a última.
A primeira leitura desta obra de uma vida, em meados da década de noventa do século passado, percorreu com gosto a tradução de Mário Quintana, numa edição dos "Livros do Brasil". Depois ainda andei pela versão francesa mas não passei do primeiro volume.
Regressei ao citado terceiro volume e sinto-me de novo envolvido pela irresistível atmosfera proustiana. Não quero deixar de sublinhar a excelência da tradução de Pedro Tamen. Li uma entrevista sua em que relatou a extrema exigência que este trabalho lhe exigiu, mas posso testemunhar que valeu a pena. Sem desprimor para a tradução de Mário Quintana, o exercício de Pedro Tamen não oferece o mais pequeno reparo. Se estiver para isso, claro, não passe pela vida sem conhecer o que o genial Marcel Proust tinha para nos dizer.
Obrigada pela dica, Paulo!
ResponderEliminarBoas férias e boas "leituras"!
Olá Paulo!
ResponderEliminarBem sei que este texto já tem algum tempo, contudo parece-me o melhor sítio para colocar a questão: qual a melhor tradução, Quintana ou Tamen? Estou a pensar adquirir a obra de Proust e gostava de saber qual a edição que devo optar. A tradução de Quintana parece-me já ser um clássico, contudo parece que é opinião geral que a de Tamen está muito melhor conseguida. Portanto, na tua opinião, qual a melhor? Qual aquela que se aproxima melhor do texto original, qual aquela que oferece uma melhor leitura?
Obrigado!
Metendo a foice em seara alheia, estudei esta obra em Literatura Francesa, na faculdade, cadeira leccionada pela temível Buescu, e a tradução recomendada foi a de Mário Quintana. Bem sei que foi há décadas!
ResponderEliminarPedro: há tempos li Eduardo Lourenço aconselhar os jovens sobre literatura: escolham um bom autor e estudem a obra toda e não se dispersem. Concordo, se me permitem :) ainda há tempos dava um conselho semelhante a alguém sobre software.
ResponderEliminarO "em busca do tempo perdido" de Marcel Proust é a minha escolha; definitivamente a obra da minha vida. Cheguei lá mesmo no inicio da década de noventa conduzido por um amigo que é o mais erudito que se pode ser. Sabia já muito sobre a obra, e sobre o autor (é mesmo determinante, parece-me, embora com o decorrer essa necessidade se aguçe), antes de a ler. Também vi os filmes todos, alguns depois da primeira leitura.
Tentei pegar no original. Nunca vivi em países de língua francesa e tive cinco anos de francês no liceu. Percebi que demorava muito e que o sentido de algumas frases me escapava.
O Mário Quintana era a única tradução disponível. Mergulhei na obra e só tenho elogios. Quem só tiver essa versão pode ir por aí que não perderá o essencial.
Mais tarde saiu a tradução do Pedro Tamen que sofreu bastante para a terminar.
Não quero ser injusto, mas vor escrever mesmo o que penso: Tamen esta mais próximo da letra da obra do que Quintana; Tamen é português e Quintana brasileiro e isso faz alguma diferença. Não me atrevo a dizer que Tamen esta mais próximo do espírito, mas é isso que sinto. As leituras que hoje faço ficam por Tamen mas olho sempre com uma eterna admiração para a obra de Quintana.
Aconselho a aquisição da do Pedro Tamen.
Tenho uma base de dados sobre as leituras. Um dia destes faço um post que te pode ajudar a ganhar a vontade.
Há uma barreira: o primeiro volume, que é como que um mapa da obra toda e uma espécie de resumo. É, por vezez, algo descritivo da vida da aristocracia e com um registo um pouco snob. Conheço quem se assute com o que acabei de escrever. Depois de se ultrapassar o primeiro volume a coisa entranha-se de tal modo que nem sei descrever. Está lá tudo Pedro.
Obrigado Ana.
Pedro: há tempos li Eduardo Lourenço aconselhar os jovens sobre literatura: escolham um bom autor e estudem a obra toda e não se dispersem. Concordo, se me permitem :) ainda há tempos dava um conselho semelhante a alguém sobre software.
ResponderEliminarO "em busca do tempo perdido" de Marcel Proust é a minha escolha; definitivamente a obra da minha vida. Cheguei lá mesmo no inicio da década de noventa conduzido por um amigo que é o mais erudito que se pode ser. Sabia já muito sobre a obra, e sobre o autor (é mesmo determinante, parece-me, embora com o decorrer essa necessidade se aguçe), antes de a ler. Também vi os filmes todos, alguns depois da primeira leitura.
Tentei pegar no original. Nunca vivi em países de língua francesa e tive cinco anos de francês no liceu. Percebi que demorava muito e que o sentido de algumas frases me escapava.
O Mário Quintana era a única tradução disponível. Mergulhei na obra e só tenho elogios. Quem só tiver essa versão pode ir por aí que não perderá o essencial.
Mais tarde saiu a tradução do Pedro Tamen que sofreu bastante para a terminar.
Não quero ser injusto, mas vor escrever mesmo o que penso: Tamen esta mais próximo da letra da obra do que Quintana; Tamen é português e Quintana brasileiro e isso faz alguma diferença. Não me atrevo a dizer que Tamen esta mais próximo do espírito, mas é isso que sinto. As leituras que hoje faço ficam por Tamen mas olho sempre com uma eterna admiração para a obra de Quintana.
Aconselho a aquisição da do Pedro Tamen.
Tenho uma base de dados sobre as leituras. Um dia destes faço um post que te pode ajudar a ganhar a vontade.
Há uma barreira: o primeiro volume, que é como que um mapa da obra toda e uma espécie de resumo. É, por vezez, algo descritooivo da vida aristocracia e com um registo um pouco snob. Conheço quem se assute com o que acabei de escrever. Depois de se ultrapassar o primeiro volume a coisa entranha-se de tal modo que nem sei descrever. Está lá tudo Pedro.
Obrigado Ana.
Paulo, muito obrigado pelo texto tão elucidativo!!
ResponderEliminarVou então optar pela tradução de Tamen (bem, vamos a ver se não acabo por adquirir, com o tempo, ambas as traduções...).
Quanto à minha vontade de ler a obra, acho que já está bastante alta! Confesso que parece ser o meu tipo de livro. Fico ainda assim à espera dessa base de dados!
Ana, obrigado pelo comentário. Vou mesmo optar pelo Tamen. Sem conhecer a tradução de Quintana, olho para ela como se se tratasse de um clássico, pelo que nunca deixarei de a ter em consideração. Porém, tendo em conta que esse foi um conselho dado quando ainda nem existia a tradução de Tamen e dado o comentário tão completo do Paulo, vou optar pela tradução mais recente!
Querem lá ver que eu vou ter de ler a versão do Tamen?!
ResponderEliminarAgora fiquei curiosa.
A verdade é que li a primeira vez na versão original, se não a Buescu matava-me (matava-nos!), já que a cadeira era Literatura Francesa, mesmo leccionada e respondida em língua portuguesa. Mas os testes/ trabalhos eram com base nos textos originais, claro! Porém, quando a Buescu estava bem disposta, lá nos falava nas traduções. Outras vezes íamos nós procurá-las. E toda a gente as lia também (mesmo assim, a cadeira era recordista em chumbos!).
Ana, já agora, o que achaste do livro?
ResponderEliminarSó tive 3 anos de Francês, e foi no ensino básico. Já não me lembro de quase nada (tenho muita pena, um dia volto a pegar na língua). Lê a nova tradução sim, pode ser que com esta conversa o Paulo também pegue nos livros outra vez!
Pedro,
ResponderEliminarConfesso que me vi grega para perceber e estudar esta obra de Proust. Tinha os meus 19 anos e, embora estudasse Francês seguidinho desde o primeiro ano do Ciclo Preparatório (actual 5º ano), aquelas frases e períodos extremamente longos, que tinha de ler e reler vezes sem conta para apreender as diversas “nuances”, davam-me cabo da paciência.
Nas pesquisas bibliográficas que, na ocasião, fiz sobre Proust, encontrei algo que me motivou para ir até ao fim, na versão original, e que não esqueço: o facto de Proust ser asmático e compararem a sua escrita aos impulsos de uma respiração ofegante, de quem se esforça para ganhar fôlego. Foi com esta comparação que aguentei firme a leitura global em língua francesa, sempre a par e passo com a tradução de Mário Quintana, mas nem o enredo me conseguia seduzir. Devia ser da idade... :-)
Fiz a cadeira com sucesso à primeira, como se aquela leitura tivesse sido um remédio mau, mas de toma necessária para não adoecer.
Felizmente, uns anos mais tarde, mais madura, depois de ver o filme, voltei a pegar na versão traduzida por Mário Quintana e descobri que não são os encadeamentos episódicos que fazem a obra genial, pois estes nem são muito originais, mas sim a análise psicológica e as conexões estabelecidas, bem como o jogo magistral das palavras. Recomendo. Hei de ler a tradução de Tamen.
Muito interessante o testemunho Ana. Obrigado.
ResponderEliminarVolto e meia releio Pedro. Neste verão andei com os volumes 3 e 4. Um dia destes faço um post.