quinta-feira, 24 de setembro de 2009

carta aberta

 


 


 


"Nestes dias que correm de conflito no sector da educação ninguém contestará que as mudanças introduzidas pelo governo têm levado às mais variadas reacções vindas dos mais diversos sectores políticos e sociais. Se parece amplamente justificável que o governo tenha definido a reforma da educação como uma das suas prioridades estratégicas, as evidências trazidas a público sobre a ineficiência dos mecanismos de gestão agora introduzidos sugerem que estas reformas estarão mal fundamentadas. Impregnadas de um espírito autoritário, excessivo controle de gestão e burocratização da avaliação dos professores, as práticas de participação democrática nas escolas tendem a desvanecer-se, apresentando-se a colegialidade e a participação cidadã como obstáculos à modernização da escola pública. Este é um paradigma perigoso para o exercício da cidadania, a que o MIC não pode deixar de dar a sua maior atenção. 



Talvez não seja por acaso que, num recente editorial da Revista ops! Manuel Alegre afirmava que a Escola Pública e as Universidades têm de formar cidadãos e não apenas quadros empresariais. O exercício da cidadania não se faz sem uma educação democrática e emancipatória. E a cidadania também não se faz sem diálogo. É por isso que o actual impasse na resolução do conflito não é só prejudicial para o sistema educativo como um todo, mas também pelo mau exemplo que o entrincheiramento dos nossos políticos em posições inflexíveis dá aos nossos jovens, cidadãos do futuro. Neste contexto, é preciso pensar claro e agir em conformidade. Parece cada vez mais consensual, em todos os sectores da sociedade portuguesa, que as reformas na educação recentemente introduzidas precisam ser redimensionadas, ou mesmo extensivamente repensadas. O orgulho e o calculismo político não devem sobrepor-se a uma questão tão importante como a educação. São os nossos estudantes e alunos, jovens cidadãos do futuro, que mais estão em causa neste conflito."


 




Nuno David 

Professor

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