quarta-feira, 2 de setembro de 2009

como foi possível?

 


 


Foi daqui.


 


Houve um fenómeno estranho no que às políticas da Educação dos últimos quatro anos diz respeito - pronto, está bem, caro leitor, sei que foram imensos os acontecimentos raros e até as epifanias, mas a simplificação ajeita-me os escritos -.


 


Sabe-se que este governo emergiu do partido socialista e também se conhece que vários dos seus membros estudaram ou leccionaram no ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa) com particular destaque para os ministros da Segurança Social e da Educação. É claro que também se imagina que Émile Durkheim deve dar voltas e mais voltas no túmulo quando toma nota das habilidades deste governo: é que cerca de um século depois das suas invenções, o que se tem visto por aqui é uma dedicação exclusiva à manipulação das estatísticas, acrescentada de um rol de conclusões decorrentes daquilo que já se começa a classificar como "sociologia por encomenda".


 


E como é que foi possível que ao fim de quatro anos não tenhamos ouvido, por parte destes governantes, uma palavra sequer dirigida à organização do trabalho de modo a possibilitar mais tempo para a Educação das nossas crianças? O que se registou foi um silêncio ensurdecedor e incompreensível. Nem uns apelos aos encarregados de educação sobre duas questões fundamentais: a hora em que os mais pequenos se deitam ou o tempo gasto na utilização das tecnologias e a sua relação com o aumento da obesidade infantil, por exemplo.


 


Foram anos perdidos e com a agravante de se ter acentuado a ideia de "escola armazém" de um modo que vai ser muito difícil reverter. Nisso estamos cada vez mais afastados dos países que o actual governo gostava de apontar como exemplo.


 


Tenho escrito várias entradas sobre o assunto. Numa delas entrou um comentário muito pertinente e que colo de seguida.


 


"Não é ficção... 



Em Julho/Agosto de 2005 fui até à Holanda... cerca de 10 dias. 

Foi com surpresa que verifiquei que todo o comércio... desde lojas de chineses... a centro comerciais... fechavam rigorosamente às 18:00 ou 18:30h (não me recordo bem)... de 2ª a 5ª feira. Às 6ºs feiras fechavam às 20:30. No 1º Sábado da minha estadia... fui a um centro comercial por volta das 16:45h ... e para meu espanto... passado alguns minutos verifiquei que todas as lojas estavam a encerrar. Pensei que algo de anormal se estava a passar... perguntámos qual a razão. Era simples... informaram-nos que o comércio encerrava aos sábados às 17:00h e que no domingo estava encerrado... esclarecendo-nos que tinham sido medidas tomadas pelo governo holandês para protecção às famílias. Disseram-nos também que as empresas iniciavam o fim de semana à 6ª feira ao meio-dia... e se quisessem fazer mais 1:30h de 2ª a 5ª... não abririam à 6ª feira. 

Estranho não é? E não me lembro de os ouvir queixarem-se de falta de produtividade... 



Realmente... há gente muito estranha... 

Ah... e já agora... são loucos por andar de bicicleta... 

Também me pareceu serem pessoas que estavam muito bem com a vida... 

Mas deixem lá... provavelmente foram só impressões minhas... 



Um abração para todos vós. 



Agostinho Caetano"

4 comentários:

  1. Meu caro, permita-me a intromissão apenas para ajuntar, da minha mais recente experiência, (fresquinha de Agosto do corrente ano) que o mesmo (ou muito parecido) observei eu na viagem que fiz à Dinamarca (copenhaga).
    É curioso, não é?
    Saudações
    Elias

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  2. É bem que apareça e que comente.

    Quanto ao assunto em causa, é mesmo uma tragédia o que se está a passar no nosso país.

    Saudações tb.

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  3. Já agora, acrescento um outro país: a Alemanha. Embora já lá tenha ido outras vezes, voltei em Abril e passa-se o mesmo relativamente aos horários dos comércios. Há, porém, um aspecto que me escapa e que é o facto de haver distribuição de correio aos sábados.

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