.... porque o actual governo deixará de contar com uma maioria absoluta; e isso é fundamental. Temos memória e sabemos como esse pormenor possibilitou que gente incompetente, arrogante e obstinada perpetrasse o mais vil ataque ao poder democrático das escolas desde o 25 de Abril de 1974. E isso acabou.
Passo pelos blogues de professores e vejo algum desencanto por causa da vitória do chefe do governo. Compreendo-os. Mas deixando de lado as ligações mais partidárias, e raciocinando apenas na defesa do poder da escola pública, temos de sublinhar que o actual PS perdeu meio milhão de votos, a alternativa real de governo, o PSD, que foi um desastre durante quase toda a legislatura, chegando atrasado e sem convicção (e com um descarado oportunismo) aos problemas dos professores e mantendo uma agenda meio encoberta e envergonhada na ideia de privatização do ensino, continua abaixo dos 30% dos votos; mas mais: o PSD mostra-se um partido conflituoso, em estado de sítio latente, sendo governado por duas figuras sisudas e muito limitadas - ambas na presidência: uma no partido e a outra em Belém -.
Os partidos das franjas cresceram. Isso abala o voto estrutural no bloco central e é estimulante para a democracia e para a defesa do poder democrático das escolas. Por outro lado, e apesar deste PS, a esquerda continua a ter mais votos e mais deputados.
É evidente que há muito trabalho de casa a realizar: o bloco de esquerda necessita de fazer "delete" no seu actual programa e conceber uma coisa de raiz e com pés e cabeça; os tradicionais CDS e PCP mantém-se fiéis aos seus percursos - muito mais os segundos do que os primeiros -, mas falta aos comunistas a experiência governativa para que alguma alteração significativa aconteça.
Por tudo isto, e se se quiser fazer uma análise atenta dos resultados eleitorais, os tempos que se avizinham são estimulantes e renovam a esperança dos professores que passaram os últimos quatro anos a lutar contra um pacote desastroso de políticas Educativas. Ficou tudo em aberto, quer parecer-me.
"Passo pelos blogues de professores e vejo algum desencanto... "
ResponderEliminarNão generalizes... é que não é verdade!
Ok. Peço desculpa. Não passei por todos e foi uma impressão de uma visita rápida. Mas ainda bem que nem todos estão desencantados
ResponderEliminarÉ que esta é uma luta antiga, longa e difícil. Mas tb é certo que nunca foi tão grave como nos últimos 4 anos. Tb por isso é bom que deixe de haver esta maioria absoluta.
O Governo de geometria variável que nos espera, tendo o CDS como braço direito de apoio básico em matéria educacional, vai comportar ganhos mas tem os seus riscos.
ResponderEliminarNo programa eleitoral deste partido, depois considerar "injusto" o actual ECD, "arrogante e redutor" o processo de avaliação dos professores, compromete-se no "CADERNO DE ENCARGOS" a uma:
"4. Avaliação dos professores inspirada no modelo em vigor no Ensino Particular e Cooperativo.
5. Revisão do Estatuto da Carreira Docente, com base na proposta por nós já apresentada, terminando com a distinção injusta entre professores e professores titulares".
É a partir desta base que deve ser feita a contabilidade dos ganhos e das perdas, que não ocorrerão se os professores desenvolverem uma estratégia adequada à situação emergente
Viva meus caros Francisco Santos E Vasco Tomás.
ResponderEliminarClaro que a questão que levantam é pertinente; muito pertinente. Para já estou satisfeito com o fim da maioria absoluta: depois de tanta e justa luta é bom festejar as vitórias.
Nada me admira nas opções de Sócrates e deste PS depois dos 4 anos negros da Educação. Vamos aguardar de modo atento e vigilante com a ideia que esta luta é antiga, é longa e muito difícil.
Força aí e uma abraço a ambos-
Obrigado Paulo.
ResponderEliminarTemos esperança.
ResponderEliminar