terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

entupidos com planos

 


 



Foi daqui 


 


 


 


A jornalista Graça Barbosa Ribeiro dá conta, numa peça no jornal Público de hoje, da ineficácia dos planos de recuperação em ambiente escolar que visam o sucesso dos alunos com muitas classificações negativas.


 


Quem conhece mais este inexequível monstro burocrático, não pode deixar de encolher os ombros com mais uma teimosia da nossa desfaçatez centralista impregnada de má burocracia, que consiste na ideia de desenhar desde a 5 de Outubro a recolha de informação em apenas um ano de 187.638 planos de recuperação e 40.201 planos de acompanhamento.


 


A apresentação destes números dá um ar de informação tratada, mas sabe-se que é só impressão e um logro quase absoluto. Pensar-se que a partir do topo se pode desenhar uma qualquer terapia deste âmbito e plasmá-la nas milhares de escolas do país, é ignorar que com procedimentos destes sufoca-se as instituições escolares em recolha de informação apenas para arquivo e em mecanismos de desresponsabilização.


 


E então, dirá o leitor, não há solução?


 


Claro que há caminhos a percorrer (em muito lados já percorridos) que com sistemática e tempo podem ser bem sucedidos. Combater o flagelo do abandono e insucesso escolares está longe de ser uma tarefa exclusiva da escola; é de toda a comunidade.


 


Se há que apurar números e estabelecer objectivos - e claro que há -, então pegue-se na organização administrativa do país (sei que Portugal tem mais de quarenta quadros, quando o moderno e razoável seria um) e faça-se um ranking concelhio com os números do abandono, e do insucesso, e divulgue-se.


 


Não há conselhos locais da educação em todos os concelhos? Que comecem por prestar contas. Faça-se isto todos os anos e durante muito tempo. Avaliem-se os resultados, atribuam-se incentivos e estabeleçam-se programas de apoio aos que vão ficando para trás.


 


Tem de seguida um resumo da notícia na edição online.


 


 


Pode também conhecer, aqui, a opinião do Paulo Guinote sobre o mesmo assunto.


 


 


São precisos novos planos para alunos em dificuldades


 


"Nesta altura do ano lectivo, as escolas preparam-se para estender os chamados "planos de recuperação" a todos os estudantes que até à interrupção das aulas para o Carnaval apresentem indícios de que terão dificuldade em transitar de ano. Em 2007/08 foram quase 188 mil - cerca de um quarto da população escolar do ensino básico - a beneficiar deste instrumento de luta contra o insucesso. Mas isso não significa que ele seja bem-amado por professores, pais e directores de escolas, que reclamam que a nova ministra da Educação, Isabel Alçada, faça uma avaliação rigorosa da sua eficácia.(...)"


 

14 comentários:


  1. Planos de recuperação não passam de mais um braço deste polvo chamado monstro burocrático e servem para isso mesmo:números.
    O que recuperaria mesmo os meninos, de entre várias coisas, era reduzir o número de alunos por turma. Isso sim era um plano de recuperação.

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  2. Os planos são uma palhaçada, só existem no papel, pois na realidade nada se faz além do preenchimento de uns papéis e comunicar aos pais que o aluno tem dificuldades e pode reprovar se não melhorar com o dito plano...Contudo este plano não traduz nenhuma alternativa para os referidos alunos, nem poderia pois com o elevado nº de alunos por turma é impossível aos professores dedicar mais tempo a estes alunos pois teria de prejudicar ouros...O ensino anda ao ritmo destes alunos piores não se pode fazer mais nada...São em geral alunos indisciplinados que não fazem os trabalhos e que não tem por parte dos pais um acompanhamento devido...Se querem melhorar o ensino tem de dar mais autoridade aos professores, combater a indisciplina e responsabilizar os pais pe4las atitudes dos meninos...Diminuir o nº de alunos por turma e melhorar as condições de funcionamento das escolas...Os intervalos não dão tempo para os alunos irem ao bar ou fazerem as suas necessidades, chegam tarde e estão sistematicamente a sair da aula para irem à casa de banho...

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  3. É isso mesmo. Números, burocracia e onde estão os responsáveis?
    É sempre a mesma coisa.

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  4. "Se se focassem em reduzir a mediocridade dos melhores alunos e se se preocupassem mais desafiar alunos a diversficar interesses, a abandonar as vidas polarizadas em actividades lúdicas estupidificantes e a aplicar projectos nas suas comunidades, se calhar estávamos melhor! qualquer programa educativo que contemple intervencionar mais de 30 alunos duma vez não pode ser eficaz para a singularidade de cada aluno!!!! O ensino é especifico e é local: enquanto houver um bicho centralizado e idiotico estamos condenados ao atraso! Portugal tem zero desculpas para ter mau ensino... o dinheiro não faz boas escolas, são as cabeças com olhos que as fazem! Os professores não podem ser avaliados da 5 de Outubro, tem de lançar desafios de desenvolvimento com base nos alunos que têm..."

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  5. Mais autonomia administrativa e pedagógica às escolas.

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  6. pois, mas depois que função se dava aos que estão no tacho nas EAE?

    os planos já são monitorizados.

    para isso o DT e ou o CT preenche tanto modelito e aplicação.

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  7. "EAE´s?? O QUE É ISSO?"

    São as antigas Coordenações de Área Educativa: Equipas de Apoio às Escolas, aproximadamente distritais...

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  8. Mangas-de-alpaca?
    Tirem-me deste filme, por favor

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  9. Tentando abreviar, estes PRs (Planos de Recuperação), não são outra coisa que mais um embuste, mais uma traição que a nossa geração está a cometer com essa do futuro - a dos actuais Alunos... Quando nesse futuro (bem próximo por sinal, tanto que alguns de nós ainda o veremos acontecer) um destes agora Aluno, nesse momento, profissional de um qualquer ramo ou actividade, não tiver competências (quiçá por não ser dotado da indispensável capacidade para as adquirir, seja por que motivo seja) para desempenhar a sua função, está-se mesmo a ver que a empresa vai criar um grupo de trabalho que há-de "desenhar" (planear, planificar, o que se lhe queira chamar) um PR... Está-se mesmo a ver, não está?... Bom, creio bem que tal se não perspectiva, pelo que só restará a esse "coitado", candidatar-se a um desses, pagos chorudamente, cargos de político-administrativo (pode ser 1º Ministro, Secretário de Estado, Gestor de... - de preferência de uma dessas empresas de "alto gabarito") porque ninguém lhe disse/ensinou que as fragilidades que temos se combatem (e mesmo assim, por vezes, sem sucesso) com muito trabalho, muito empenho, muito esforço... Porque o que o sistema de amadurecimento, de crescimento, de aprendizagem, o que lhe "disse" foi que se não preocupasse, pois se as "coisas não correrem bem", há sempre a possibilidade de se arranjar um meio de lhes dar a volta e esse chama-se PR (não Presidente da República, que para alguns, muito poucos, o poderá ser, mas antes Plano de Recuperação)
    Esta, abreviadamente a minha leitura do "caos"...

    Abraço.

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  10. Para implementar os princípios defendidos, e muito bem, no post é necessário que os próprios professores se desprendam da sensação de securização (falsa) transmitida por uma burocracia do "faz de conta".
    O ideal seria que a desburocratização partisse da tutela, no entanto, somos nós próprios que muitas vezes nos tornamos reféns dessa mesma burocracia!

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  11. sim equipas de apoio às escolas.

    têm uma fase do ano em que mergulham nos agrupamentos à procura de dados...

    uma tristeza

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  12. Mas se são de apoio devem ser competentes. Pelos menos é isso que consta nos meandros do partido de que fazem parte.

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  13. Competentes para fazer disparates...Como os doidos,só lhes dá é para fazer mal...

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