Pois é: o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do planeta, parece estar no centro da tormenta que pode arrastar a Grécia e outros países da Europa para uma desassossegada falência financeira. Dá ideia que a famosa instituição norte-americana se transformou num polvo que suga tudo o que tenha um smell endinheirado através de produtos de alto risco - há quem os classifique como fraudulentos -. Os especialistas consideram os desenhos financeiros do Goldman Sachs de tal modo complexos - propositadamente complicados (aonde é que já vimos uma coisa semelhante?) - que a sua fiscalização é uma tarefa ciclópica.
Tudo isto para chegar à situação portuguesa. O mundo financeiro é também um jogo especulativo e Portugal parece ter sido o próximo escolhido para a febre lucrativa dos empréstimos sobre empréstimos com os juros sempre a subir. Em poucas horas pode ganhar-se somas astronómicas. O Goldman Sachs está no centro desse jogo, ao que tudo indica.
Dizem alguns números que a dívida dos nosso privados, e de algumas empresas públicas, já duplica a do sector público. Nada que não se suspeitasse. Madoff tinha ramificações por aqui. Todo o mundo o sabe. O BPP, o BPN, o BCP e mais uns quantos sugaram a capacidade de endividamento do país e puseram-nos a jeito. Apenas o BPP faliu. Se os outros tivessem o mesmo destino - o estado segurou-os - a nossa economia podia cair como um castelo de cartas. Essa é que é a verdade. Até dinheiro das pensões da segurança social foi derretido no negócio do remuneramento de alto risco.
A única coisa que exigimos é que resolvam lá a coisa o melhor que conseguirem mas que deixem de usar os salários dos professores, e dos restantes funcionários públicos, como alibi para tanto desvario financeiro.
"Portugal continua a ser pressionado pelos mercados internacionais por causa da sua dívida pública e a pergunta, que quase ninguém colocava há alguns meses atrás, começa a ser feita com cada vez maior insistência: o Estado português pode mesmo entrar em situação de falência?
ResponderEliminarEconomistas como Joseph Stiglitz, Simon Jonhson ou Noriel Roubini dizem que é um cenário possível, aconselhando Portugal a tomar mais medidas de contenção do que as previstas e a solicitarem desde já um plano de salvamento externo aos seus parceiros europeus. Os responsáveis políticos portugueses, apoiados pelos seus parceiros europeus, fazem questão de afirmar que tudo está controlado e garantem que Portugal não é igual à Grécia.
Seja quem for que tem razão, o que é certo é que nos mercados as taxas de juro das obrigações portuguesas continuaram, ontem, pelo quinto dia consecutivo, a subir. O diferencial face à média europeia passou de 150 para 157 pontos, aproximando-se a passos largos do valor recorde registado desde a adesão de Portugal ao euro. Para obter um financiamento internacional a 10 anos, Portugal tem neste momento de pagar qualquer coisa como 4,6 por cento de juros anuais. Se esta tendência de subida continuar a agravar-se por muito mais tempo, as finanças públicas portuguesas podem entrar numa situação insustentável.
Foi exactamente por isto que a Grécia, a quem os mercados já exigem taxas de juro superiores a 7,75 por cento pelas obrigações a 10 anos, vai hoje começar a discutir com a Comissão Europeia e com o FMI a libertação de um empréstimo que permita ao país fazer face aos compromissos mais imediatos, obtendo um financiamento a uma taxa de juro de cinco por cento, um valor mais fácil de suportar por Atenas. E, mesmo assim, como noticiava ontem o Financial Times, corria ontem nos mercados a informação de que o Governo de Atenas se preparava para adiar alguns dos seus compromissos com os investidores. Não seria propriamente um default da dívida, mas ficaria lá perto."
Numa situação de crise bem pior esteve há uns anos o Brasil. Vinte e tal nos atrás inflação de manhã...e subia de tarde, até perto dos 300% ao ano...Uma dívida externa brutal!
ResponderEliminarE o Brasil não é uma potência económica?