sábado, 17 de abril de 2010

se não é corrupção, então o que é?

 



Foi daqui.


 


 


 


Aprendi com o filósofo Karl Popper, autor de "Sociedade Aberta", que uma teoria científica só é verdadeira se for refutável. Na altura, esta afirmação foi-me surpreendente mas a vida tem-me ensinado que o pensamento de Popper aplica-se também noutras áreas.


 


Lembrei-me da evidência popperiana por sermos confrontados há tempo demasiado com os desvios financeiros da sociedade portuguesa e com os tão badalados, e para nomear apenas os mais recentes, BPN, "Submarinos", "Face Oculta" ou mesmo Freeport. Lemos e ouvimos as suspeitas mais conhecidas: financiamento partidário, enriquecimento ilícito e tomada do aparelho de estado por parte dos partidos políticos do denominado bloco central ou mesmo do arco-do-poder. E a questão que coloco, para além do natural perigo que corre a nossa democracia, é muito simples: se não é corrupção, então o que é?

25 comentários:


  1. Se não é, não é que parece mesmo? Aqui está uma pertinente questão. Quem responde?

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  2. Um professor resistente22 de novembro de 2009 às 22:30

    São adultos retardados a saltar ao eixo.

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  3. [O pensamento é a verdadeira medida da dimensão do homem]

    "O pensamento é a verdadeira medida da dimensão do homem. O homem não é mais do que um junco, mas um junco que pensa. O universo não necessita de armas para o esmagar. O vapor, uma gota de água são suficientes para o matar. Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda assim, mais nobre do que o que o matou, porque sabe que morre e conhece a vantagem que o universo possui sobre ele, algo que o próprio universo desconhece. Assim, toda a nossa dignidade consiste no pensamento. Através dele nós devemos elevarmo-nos, e não através do espaço e do tempo, que não conseguimos preencher. Tentemos então pensar bem; este é o princípio da moralidade"

    Blaise Pascal

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  4. Aguenta um tempito que "eles" arranjam um nome...
    Estamos em época de neo-logismos, né?... :))

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  5. NEGÓCIOS DE ESTADO:

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  6. Dito doutra maneira: negociatas. Uma troupe de jovens turcos tomou conta disto.

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  7. "É óbvio que existe uma caça ao homem, Sócrates, nesta pseudomacracia, que para mim não passa de uma ditadura de Partidos. Mas o PS e os seus dirigentes, tal como todos os partidos, são culpados da situação de suspeição do Povo e da descrebilidade em que os mesmos partidos políticos cairam. Nenhum partido com assento parlamentar tem qualidade para governar o Povo, só revelam qualidades para se governarem a eles próprios e aos seus amigos e familiares. Ainda assim, e pelas posições que têm vindo a publico do PCP e BE, gostaria de ver estes partidos com responsabilidades Governativas. O Governo PS deve demitir-se, já que quem governa na realidade são os Partidos da oposição. Se o não fizer será cada vez mais humilhado a ter que governar com as promessas eleitorais feitas pelos Partidos da Oposição que têm a maioria absoluta dos Deputados. Formem eles Governo, PCP, BE, CDS e PSD. Gostava de ver."

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  8. "Em reacção à decisão de arquivamento das escutas e das consequentes críticas, Assis questionou mesmo: “O Primeiro-Ministro é suspeito porquê? Por ter cometido que crime? Nenhum”, rematou.
    Francisco Assis lamentou ainda a "a sistemática violação do segredo de justiça", considerando que "põe em causa o direito ao bom nome das pessoas e a eficácia da investigação criminal em curso"."

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  9. A ditadura do proletariado com a burguesia intelectual de café será?

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  10. QUANTOS SEREMOS?
    Não sei quantos seremos, mas que importa?!
    Um só que fosse, e já valia a pena
    Aqui, no mundo, alguém que se condena
    A não ser conivente
    Na farsa do presente
    Posta em cena!

    Não podemos mudar a hora da chegada,
    Nem talvez a mais certa,
    A da partida.
    Mas podemos fazer a descoberta
    Do que presta
    E não presta
    Nesta vida.

    E o que não presta é isto, esta mentira
    Quotidiana.
    Esta comédia desumana
    E triste,
    Que cobre de soturna maldição
    A própria indignação
    Que lhe resiste.

    Miguel Torga

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  11. Uma definição de corrupção que tenho proposto é "tudo aquilo que contribui para aumentar a convertibilidade recíproca entre riqueza e poder político".

    Esta definição coloca-me fora do debate jurídico, que não me interessa por aí além e em relação ao qual não sou competente, e leva-me a abordar a questão como me interessa abordá-la, ou seja, politicamente.

    Os crimes que o cidadão José Sócrates pode ter cometido ou não são entre ele e os tribunais. Se estes funcionarem bem, acabarão por condená-lo ou ilibá-lo.

    Mas a promiscuidade entre poder económico, poder político e poder mediático é uma coisa que me diz directamente respeito enquanto cidadão. O poder que os media e os financeiros têm a mais é poder que eu tenho a menos. O jogo nem sequer é de soma zero: é de soma negativa, porque uma sociedade corrupta é uma sociedade que produz pobreza.

    E nisto, penso que ninguém negará que o Primeiro-Ministro José Sócrates está metido até ao pescoço. Pode não ter cometido nenhum crime; é a sua própria governação que é corrupta, como corruptas são as leis que fez aprovar para benefício de alguns em detrimento da República.

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  12. Viva APereira.

    É bom ver-te por aqui Os outros comentadores também, claro.

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  13. Viva José Luiz.

    Excelente reflexão, como é habitual.

    Estamos a empobrecer, é triste e seguro: e estamos nesse estado contínuo e descendente acompanhados dos EUA e da UE? É uma queda irreversível e sem fim? Mais tarde saberemos. Mas não haja qualquer dúvida: com um sistema corrupto aceleramos e de que maneira a nossa pobreza. Concordo

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  14. Um professor resistente23 de novembro de 2009 às 14:16

    Nos cafés não se troca prémios de submarinos por viaturas de 300 mil euros. Essas negociatas só estão ao alcance de quem veste armani e boss.

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  15. A clique que desgoverna governa-se e tem ódio aos intelectuais e aos cafés.

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  16. "A clique que desgoverna governa-se e tem ódio aos intelectuais e aos cafés"

    Só lá vão em tempo de eleições!

    Vivam as tertúlias de café, já tão distantes.
    A leitaria Garrett, a Brasileira o café Nicola, o Majestice , são espaços temporais que já não voltam. Contam a história das cidades nos anos vinte, das tertúlias políticas e do debate de ideias.

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  17. São rosas, senhor. Mas as laranjas são iguais.

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  18. "Sócrates é “apanhado” em “arranjinhos” contra os jornais que o incomodam, mas “as escutas” tal como é apanágio das “legalidades” e da trampa juridica que nos envolve.
    Com Pinto da Costa e o Apito Dourado aconteceu o mesmo! As escutas não valem…mas o que elas demonstram (mais a sua gravidade) ninguém desmente.
    Portugal tornou-se num país de pulhas!"

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  19. Retomando Popper, tenho que pôr a hipótese de aquilo não ser mesmo um erro. Podem continuar com as negociatas, a confusão entre o interesse público e os compromissos pessoais, os prémios de carreira política para cargos que nada têm a ver com os desempenhos anteriores, pois não acontece nada.
    Até podem encher os cofres dos partidos com contas pessoais à mistura, com dinheiros de patos bravos que ninguém dá por isso. Os casos que há, servem apenas para a luta política. "Agora, vou-te tramar com esta! Ah é? Então, leva lá com esta!" E assim se vai do Freeport, para o BPN, da Casa Pia para os sobreiros.
    E nós aqui estamos limitados às teorias possíveis para quem não sai da caverna e apenas vê as sombras da triste realidade.
    O ministério público só consegue forjar casos para entreter os jornais e a TV e não para levar ninguém a julgamento.
    A vida aprende-se com os insucessos. Esses senhores não os têm. Nós também não. Entretemo-nos e, depois, votamos neles, como se nada tivesse acontecido...

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  20. Viva Luís.

    Tens razão e o teu comentário é demasiado certeiro. Vamos ver se isto se aguenta e se os nossos filhos conseguem sobreviver a tanta vilanagem.

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