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sexta-feira, 1 de março de 2024

Viaje


 



"Viaje segundo um seu projecto, dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cómodos e de rasto pisado, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás, ou pelo contrário, persevere até inventar saídas desacostumadas para o mundo"


José Saramago,


Viagem a Portugal (Apresentação)


Imagem: Cervo.



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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Da Reindustrialização (2)




  1. Que me lembre, a expressão "Paradigma perdido" tornou-se usual com Edgar Morin e com a crítica do afastamento do homem em relação à natureza; escrito assim para simplificar.


    Quando tanto se fala no desnorte em relação à selecção das áreas para a reindustrialização (que raio de palavrão), parecia-me curial regressar ao paradigma de Morin donde nunca se deveria ter saído: a cadeia de abastecimento no sentido mais lato, considerando o homem em todas as suas dimensões; tenho ideia que, por esse caminho, não haveria tantas bolhas originadas pelos negócios financiados pela banca que produzem muito para além da cadeia referida e que parecem dirigir-se também a outros habitantes do sistema solar.




sábado, 1 de outubro de 2022

Dos Cursos de Comandos e da Repetição

Fui Comando. Por obrigação numa tropa para voluntários (começou nessa altura a objecção de consciência). Condicionado a dar o melhor para ser oficial e não ir parar a soldado sem graduação e sem especialidade. Éramos 87 no curso de oficiais e sobraram 7. Na prova mais mediatizada (prova de choque) éramos cerca de 500: ao segundo dia estavam cerca de 250 na enfermaria improvisada. Era tal a violência e alienação, que se traficavam tampinhas de cantil com água a 500 escudos a unidade (cerca de 100 euros com "equivalência" ao custo de vida actual). Um amigo de escola em Moçambique e que reencontrei por ali (o Jaime Naldinho), queria que lhe espetasse um prego da tenda na mão para ser evacuado. Como recusei (ele ficaria com mais uma lesão para a vida), correu atrás de mim acusando-me de estar feito com os inimigos (já não bastava o esforço daqueles dias loucos e infernais; estive para desertar a meio do curso). Dei instrução e pertenci à companhia operacional 112. Foram 18 meses inesquecíveis. Aprendi muito em diversos domínios; também na "arte da guerra" que até aí me era completamente estranha. Havia muitos exageros. Nestes cursos morreram dois ou três instruendos e alguns ficaram com lesões para a vida. Era uma coisa estúpida derivada de mau planeamento ou de insuficiências no equipamento. Não havia a mediatização actual. Era uma revolta muda. É inadmissível que se repita décadas depois (a unidade de Comandos foi extinta em 1993 e reactivada em 2002).

domingo, 18 de setembro de 2022

Dos Estádios e da Relação Entre Adeptos de Clubes Diferentes

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A relação entre adeptos de clubes diferentes ajuda a perceber as sociedades. Como não aprecio multidões nem estádios, não sou a pessoa mais indicada para dar uma opinião.

Mas encontrei uma passagem interessante sobre o tema que pode ler na imagem. É de Don DeLillo (2010:94), "Submundo", Sextante Editora, Lisboa.

Por outro lado, assisti ao seguinte diálogo num noticiário televisivo:

– Assaltaram o quarto do hotel onde estou de férias – disse o jovem profissional de futebol.

– O que é que roubaram? – perguntou o jovem do canal de televisão.

– Vários objectos caros. Só um relógio custou-me 300 mil euros.



É um exemplo relacionado com os estádios e que confirma as brutais desigualdades que adoecem as democracias.



Mas o melhor é ler o que está na imagem que talvez explique mais qualquer coisa.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Do Tempo


A aceleração do tempo dificulta a percepção dos momentos de curto, médio e longo prazos (opinião pública, legislatura e constituição). A discussão à volta do orçamento do Estado tem o tempo da opinião pública. É, principalmente, um exercício retórico que governos e oposições usam com oportunidade mediática. Há, no tempo vigente em Portugal, uma sensação interessante. A sobrevivência da constituição parece um contraponto à prevalência avassaladora da opinião pública.


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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Recordando Manoel de Oliveira


"Querem ver que vai ler a carta toda". Levantou-se e saiu. Éramos uma dezena de espectadores e já estávamos reduzidos a metade ("A carta" do genial Manoel de Oliveira; um bom filme). Não aprecio comentários, mas este foi inesquecível. Uma freira recebeu uma carta no seu quarto do convento. Íamos com uns minutos num plano inamovível, a carta tinha umas quantas folhas e o saturado espectador tinha razão: leu a carta toda.


3ª edição.


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terça-feira, 6 de setembro de 2022

Obviamente Que Há Excepções


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Certa vez, ouvi o saudoso Eduardo Prado Coelho dizer literalmente assim: "uma ideologia é um conjunto de interesses inconfessáveis". Ideologias e religiões, que por muito que custe são da mesma família à luz do pensamento contemporâneo, não escapam a esta classificação e com uma ou outra excepção que não é facilmente identificável e que a imagem ajuda a complicar; e no escolar também acontece, obviamente, o mesmo.


Imagem: no Homo Sapiens de Harari.


2ª edição.




 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Dos Regimes e Das Fronteiras


"O meu avô dizia que a sua instituição foi democrática durante a ditadura. Enunciava uma fronteira: a forma como a instituição lidava com personagens com espírito pidesco e persecutório. Se as anulava, como era o caso, emitia um sinal fundamental." Ouvi a ideia num debate radiofónico e concordei. Passa-se o mesmo nas democracias. Foi por aí que avançou a discussão. Percebemos que há instituições que rapidamente se acomodavam a uma ditadura, exactamente porque "estimulam" ou "toleram" esses espíritos. As redes sociais modernas alimentam-nos. Aliás, esta fronteira de tolerância e estímulo a esses espíritos é o limite mínimo para definir um regime.


 


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domingo, 28 de agosto de 2022

Da Não Paragem do Tempo


A Europa está mergulhada na ideia de sobreviver e as suas organizações não escapam à incerteza no desenho do futuro. 


Há um conjunto de conceitos associado às novas realidades informacionais que requerem precisão conceptual para que a linguagem permita uma comunicação assente em bases sólidas. É, por exemplo, nuclear perceber a distinção entre um computador e um sistema de informação. O segundo é mais abrangente, uma vez que integra a tecnologia, os procedimentos organizacionais, os métodos e as políticas que tratam a informação, mas também as pessoas que exercem funções no seu seio.


sábado, 27 de agosto de 2022

Da Sociedade e dos Interesses


Não podemos despir a pele e ainda bem que é assim. A singularidade dos humanos é um verdadeiro oxigénio.


Mas a história já nos ensinou vezes sem conta que quando colocamos os interesses individuais muito acima dos colectivos acabamos por afectar os segundos e irremediavelmente os primeiros. Os gestos mais egoístas que prejudicam os interesses dos grupos, acabam sempre com danos sérios para ambos: seja no âmbito nacional ou local; é só deixar passar o tempo, embora se tenha que registar, e infelizmente, que há danos que são quase irreparáveis.


Ter um olhar para o grupo e outro para o individual é uma formulação difícil; sabemos disso. Mas quem olha para o interesse geral, consegue sempre proteger os interesses mais particulares.


 


 Já usei esta argumentação noutros posts.




 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Bosh


Gosto de rever museus. Não me importo quando uma viagem se resume a esses espaços, aos alojamentos e a curtos passeios. A revisão permite aprender mais e atenua a busca do tempo perdido. O acervo do Prado é o que se sabe, mas permitam-me que escolha o tríptico "The Garden of Earthly Delights" de Hieronymus Bosch (El Bosco em espanhol).


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Bosh, Museu do Prado. (este vídeo ajuda)


A internet permite saber muito mais. Basta googlar.


Contudo, a presença física continua insuperável.


 


quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Escala


A ideia mais ilusória, e nefasta, associada à globalização é o aumento da escala que, em consequência, coloca o indivíduo fora da centralidade. É como se o homem deixasse de ser o sujeito da acção. Encontrei uma passagem magistral sobre o tema.


 


DeLillo, Don (2010:72). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.


terça-feira, 23 de agosto de 2022

Do Risco e das Utopias


Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,



"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".



A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.


segunda-feira, 22 de agosto de 2022

sábado, 30 de julho de 2022

Vergílio Ferreira (5)

 


 


 




"Uma biblioteca é quase tão pessoal como as impressões digitais. Ela forma-se como os problemas que nos formaram a nós e outros virão a abandonar.


Uma forma de o medíocre convencido imitar a grandeza é não dizer mal de ninguém.


Porque a eternidade não se mede pela sua duração mas pela intensidade com que a vivemos.


Pinta-se o galo mas não a galinha, o touro mas não a vaca. Porque o macho é que é testiculado. Mas à mesa o que se come é vaca ou galinha, mesmo que a carne seja do outro. Somente a mesa é o lugar da fraqueza e da necessidade. É por isso que é aí que se fazem os melhores negócios.


Ser inteligente é ser desgraçado. O imbecil é feliz. Mas o animal também.


Dar sentido à vida. Para lho darem aos domingos, quando não trabalham, os campónios da aldeia embebedam-se e dão-se facadas. A arte do nosso tempo sabe-o e faz o mesmo.


Visitar uma terra que há muito deixámos. Não poderemos jamais reencontrá-la. Porque a vida é o presente e tudo o mais é ficção. Mas decerto uma ficção mais real que a realidade."





Vergílio Ferreira. Pensar.


Reedição.


sexta-feira, 29 de julho de 2022

"Pequenos Delitos do Coração"

 


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"Pequenos delitos do coraçãoé um livro com textos de Helena Mendes Pereira e fotos de Lauren Maganete. Vi, na RTP2, uma entrevista à primeira. Enunciou um lema interessante "estou disposta a pagar o preço necessário para buscar a minha liberdade absoluta".