A polémica dos últimos dias sobre os concursos leva a que ouça algumas vozes: "tens cá uma paciência. Nem sei por que é que te estás a incomodar com isso e a escrever sobre o assunto." São perspectivas, evidentemente. Cada um faz da vida o que quer, é feliz como bem lhe apetece e já tenho idade para não me incomodar por aí além com essa e com outras coisas.
A defesa das chamadas causas depende do modo como olhamos a vida e o mundo; e já se sabe: os olhares são muito diferentes e não adianta querer que vejam o que nos move. A receita é de geometria pouco variável: pés na terra, olhos nas estrelas que o céu não é eterno e tempo.
Aprendo com os mais jovens. É mesmo um dos grandes privilégios de se ser professor: lidar constantemente com a renovação da vida.
Tenho curiosidade em perceber como é que os novos professores olham a escola; tenho lidado com sucessivas gerações e fico agradado com as novidades que trazem; em regra renovam-me o entusiasmo.
Os últimos registos têm sido ligeiramente diferentes numa das vertentes fundamentais: a esperança em forma de projecto. Constato algum afastamento, não propriamente de profissionalismo, mas de contratualização com a profissão: "estou se me quiserem, se não for assim vou fazer outra coisa". Dizem-no com amargura e com algum ressentimento. Sentem-se pouco considerados pela sociedade. Têm razão. Tenho ideia que o nosso sitema escolar vai pagar um factura muito elevada por esta proletarização acentuada das novas gerações de professores.
O blogue do José Luiz Sarmento tem um texto lapidar sobre o assunto; aqui. O último parágrafo diz assim:
O sofrimento económico.
"(...)As vítimas mais visíveis do sofrimento económico são, em Portugal, a geração mil-eurista; os trabalhadores precários; as pessoas que desejam ter filhos e não os têm porque o próprio facto de os terem reduziria a probabilidade de os poderem sustentar no futuro; os que têm dois ou três empregos para sobreviver; os que trabalham de graça para além do horário contratado; os que se vêem obrigados a escolher entre um mau emprego e emprego nenhum; os que sacrificam contra sua vontade as suas aspirações, os seus afectos, as suas idiossincrasias, a sua individualidade, a sua dignidade a um trabalho concebido, não como parte da vida, mas como ele próprio a vida. São todos aqueles que, não podendo fazer greve ao trabalho, fazem greve à parentalidade, à família e à intervenção cívica e política. São, em todo o mundo, os que não têm acesso ao trabalho; e são, de entre os que lhe têm acesso, aquela imensa maioria a quem o trabalho não dignifica, mas degrada."
ResponderEliminare para bom entendedor...
Salve-se quem puder.
ResponderEliminarTão actual...
ResponderEliminar"A Política: a Grande Porca"
Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se.
A política é como uma “grande porca”.
É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta.
caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro