quarta-feira, 2 de junho de 2010

frenesi

 



 


 




Quem me conhece bem sabe que não me convenço com a mania que tenho razão antes do tempo e que se há um aspecto que me provoca dependência profissional é a antecipação por via de muito estudo e de muito trabalho. Sou assim e já não mudo.


 


Num momento em teclo muito a propósito da megalomania dos mega-agrupamentos associada ao despesismo de milhões da indústria do eduquês que infesta os serviços centrais e regionais do ME, não resisto em publicar uma parte de um post que escrevi, a propósito do agrupamento de Santo Onofre, em meados de 2008, sobre a doideira que se instalou em quem desgoverna o nosso sistema escolar.


 


Olhando para a história mais recente, e se nos recordarmos que foi em 1997 que se lançou o modelo de autonomia e gestão das escolas, podemos afirmar que se viveu um período curto, mas de cerca de sete a oito anos, de estabilidade institucional nas escolas e que possibilitou uma primeira afirmação das propaladas, e decretadas, autonomias (sabemos que o exercício autónomo e responsável exerce-se mais do que se decreta, mas enfim); e foi assim em Santo Onofre.


 


Mas a partir de 2006 tudo isso começou a ruir.


 


Façamos então um breve levantamento cronológico.




Até 2005 exerceram-se três mandatos consecutivos de um Conselho Executivo eleito.
Em 2005 é eleito um novo CE com mandato por três anos.
Após um ano de exercício, o mandato do CE é interrompido porque havia a necessidade de amontoar uma série de escolas que perdiam, assim e todas elas, alguma da identidade que as ajudou a caminhar. Este facto originou a pronta demissão da Assembleia de Escola numa atitude subscrita pela totalidade dos seus membros.
Em 2006 a DREL nomeia uma comissão provisória, liderada pela PCE agora destituída, com mandato de um ano e com a missão de instalar o amontoado que, e entretanto, é objecto de uma nova configuração.
Em 2007 é eleito o actual CE com mandato de três anos e até Junho 2010. Ufa que até cansa descrever esta doideira toda.
Mas eis que em 2008 o governo em exercício de funções, volta a entender, numa tentativa de ocupação da agenda do partido político dito à sua direita mas que se adivinha como seu parceiro no bloco central que se aproxima, que afinal não era bem assim. Volta a mudar tudo de novo, faz-se mais uma terraplanagem sobre tudo o que mexa nas escolas e interrompe-se os mandatos dos órgãos eleitos como quem vai ali e volta já.




Com a entrada em funcionamento dos novos centros escolares e com a falência do modelo neoliberal que associava a eficiência e a eficácia à gestão unipessoal - considerando que tudo o que era colegial gerava desperdício e lideranças fracas - esperam-se novas e imperativas mudanças num curto espaço de tempo.


 


Mas que grande e comprovada desorientação.


 


O desconcerto está também no que se enuncia aqui.

3 comentários:

  1. Estes iluminados só fazem....digamos, bosta.
    Sobre este modelo de gestão, está tudo mais que dito aqui.
    Sobre o encerramento de escolas e as crianças passarem a usufruir de tantas coisinhas, mesmo que para isso tenham de ser deslocadas 15 quilómetros... É para rir.
    Façam mas é um estudo sério sobre esta porcaria que criaram e recolham as opiniões de quem está diariamente com os meninos. Não conheço um único professor que considere benéficas as famosas Actividades de EMPOBRECIMENTO Curricular.

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