A liberdade e a democracia são dois valores inalienáveis. As ideologias políticas são determinantes para fazer avançar o mundo nos domínios essenciais da utopia, da poesia, da regulação do que existe e da emancipação daquilo que é possível. A história já é suficientemente vasta para determinar a algumas correntes um punhado significativo de rombos no telhado que obrigam a que as pedras fiquem quietas. Da esquerda atarantada à direita passadista, passando pelo centralismo mais híbrido e oportunista, todos já praticaram ou proporcionaram momentos negros em número suficiente. Já nem a arte cínica que remete as ideologias para o conjunto dos interesses inconfessáveis é suficiente para explicar as encruzilhadas que ciclicamente se abatem sobre as sociedades. Sejamos humildes mas determinados. Nada mais nos pode valer.
O sistema escolar, e também a Educação, já agora, necessitam de uma agenda. A escola, que por definição é uma instituição em crise, tem sido uma entidade estudada. Embora os estudos sobre a sua organização e gestão, e principalmente nas últimos décadas, tenham obedecido a uma envergonhada subalternização aos saberes empresariais, existe património próprio e autorizado que deveria ajudar a definir um rumo.
A recuperação da ideia de ensino, o restabelecimento de uma lei de bases de base, passe a redundância, alargada e com exigências de estabilidade, a irrefutável desburocratização do tratamento da informação, a assunção de que à inclusão se devem associar critérios inequívocos de exigência, a aceitação sem reservas de que só uma escola com poder democrático educa para a liberdade e para a democracia, a defesa intransigente de que as desigualdades escolares se combatem com mais sociedade e não com escolas armazéns, são alguns dos pressupostos que podem definir uma agenda consensual, moderna, coerente, sustentada, sólida e com balizas claras.
O que é de todo impossível de sustentar é o que se tem passados nos últimos anos. O atrevimento generalizou-se. Não me lembro de tempos assim. O sistema escolar, e muitas das escolas, parece que estão ao alcance dos bárbaros. Uma barca de tresloucados atracou na costa e largou-os por aí. É a imagem que me vem à cabeça. Não me lembro de tempos sequer parecidos. É tudo isto que leva a que um anónimo olhe para o próximo ano lectivo e escreva com toda a propriedade o seguinte comentário na blogosfera:
"Vai ser um ano de Comissões Administrativas Provisórias, num país provisório, com professores provisórios e medidas provisórias, decididas por um governo provisório. Alguns agrupamentos de escolas aguentarão, provisoriamente, até ao proximo ano. Depois, outras medidas provisórias serão tomadas!"
ResponderEliminarInalienáveis ou alienígenas? :s
... até quando?
ResponderEliminarFalta cumprir-se Portugal...oh! se falta!
ResponderEliminarPessoa tinha (tem) tanta razão!
Que tempos difíceis!
Lídia
É perfeita a descrição feita no comentário que também li no "umbigo".
ResponderEliminarAté quando temos de aguentar isto?
Acho tudo muito calado e quieto a assistir à destruição da Escola Pública.
Até ao dia em que o povo se saturar, o que é difícil, carago.
ResponderEliminar"O sistema escolar, e muitas das escolas, parece que estão ao alcance dos bárbaros. Uma barca de tresloucados atracou na costa e largou-os por aí." É o que se passa no meu seio . Oportunistas, incompetentes e doidos varridos.
ResponderEliminarViva cara Lídia.
ResponderEliminarEste comentário foi lançado pela ex-chefe de serviços de administração escolar da EBI de Santo Onofre?