segunda-feira, 7 de junho de 2010

provisórios?

 


 



Foi daqui


 


 


 


A liberdade e a democracia são dois valores inalienáveis. As ideologias políticas são determinantes para fazer avançar o mundo nos domínios essenciais da utopia, da poesia, da regulação do que existe e da emancipação daquilo que é possível. A história já é suficientemente vasta para determinar a algumas correntes um punhado significativo de rombos no telhado que obrigam a que as pedras fiquem quietas. Da esquerda atarantada à direita passadista, passando pelo centralismo mais híbrido e oportunista, todos já praticaram ou proporcionaram momentos negros em número suficiente. Já nem a arte cínica que remete as ideologias para o conjunto dos interesses inconfessáveis é suficiente para explicar as encruzilhadas que ciclicamente se abatem sobre as sociedades. Sejamos humildes mas determinados. Nada mais nos pode valer.


 


O sistema escolar, e também a Educação, já agora, necessitam de uma agenda. A escola, que por definição é uma instituição em crise, tem sido uma entidade estudada. Embora os estudos sobre a sua organização e gestão, e principalmente nas últimos décadas, tenham obedecido a uma envergonhada subalternização aos saberes empresariais, existe património próprio e autorizado que deveria ajudar a definir um rumo.


 


A recuperação da ideia de ensino, o restabelecimento de uma lei de bases de base, passe a redundância, alargada e com exigências de estabilidade, a irrefutável desburocratização do tratamento da informação, a assunção de que à inclusão se devem associar critérios inequívocos de exigência, a aceitação sem reservas de que só uma escola com poder democrático educa para a liberdade e para a democracia, a defesa intransigente de que as desigualdades escolares se combatem com mais sociedade e não com escolas armazéns, são alguns dos pressupostos que podem definir uma agenda consensual, moderna, coerente, sustentada, sólida e com balizas claras.


 


O que é de todo impossível de sustentar é o que se tem passados nos últimos anos. O atrevimento generalizou-se. Não me lembro de tempos assim. O sistema escolar, e muitas das escolas, parece que estão ao alcance dos bárbaros. Uma barca de tresloucados atracou na costa e largou-os por aí. É a imagem que me vem à cabeça. Não me lembro de tempos sequer parecidos. É tudo isto que leva a que um anónimo olhe para o próximo ano lectivo e escreva com toda a propriedade o seguinte comentário na blogosfera:


 


"Vai ser um ano de Comissões Administrativas Provisórias, num país provisório, com professores provisórios e medidas provisórias, decididas por um governo provisório. Alguns agrupamentos de escolas aguentarão, provisoriamente, até ao proximo ano. Depois, outras medidas provisórias serão tomadas!"

7 comentários:



  1. Inalienáveis ou alienígenas? :s

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  2. ... até quando?

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  3. Falta cumprir-se Portugal...oh! se falta!

    Pessoa tinha (tem) tanta razão!

    Que tempos difíceis!

    Lídia

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  4. É perfeita a descrição feita no comentário que também li no "umbigo".
    Até quando temos de aguentar isto?
    Acho tudo muito calado e quieto a assistir à destruição da Escola Pública.

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  5. Fausto Viegas (Norte)7 de junho de 2010 às 22:55

    Até ao dia em que o povo se saturar, o que é difícil, carago.

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  6. "O sistema escolar, e muitas das escolas, parece que estão ao alcance dos bárbaros. Uma barca de tresloucados atracou na costa e largou-os por aí." É o que se passa no meu seio . Oportunistas, incompetentes e doidos varridos.

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  7. Viva cara Lídia.

    Este comentário foi lançado pela ex-chefe de serviços de administração escolar da EBI de Santo Onofre?


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