(encontrei esta imagem aqui)
"(...)O que precisamos é de chegar a um acordo, a um compromisso doloroso. E a expressão "chegar a um acordo, a um compromisso" tem uma reputação nefasta na sociedade europeia. Especialmente entre os jovens idealistas, que continuam a achar que chegar a um acordo é oportunismo, algo desonesto, algo astucioso e obscuro, um sinal de falta de integridade. Não no meu vocabulário. Para mim, a expressão "chegar a um acordo" significa vida. E o contrário de chegar a um acordo não é idealismo nem evolução; o contrário é fanatismo e morte. Precisamos de chegar a um acordo, a um compromisso, não de chegar à capitulação. O que significa que os Palestinianos jamais se deveriam ajoelhar. Nem tão pouco os judeus.(...)"
Amos Oz, "contra o fanatismo",
página 41, edições ASA.
Já li várias vezes este pequeno livro de Amos Oz. Hoje fi-lo de novo. Tento sempre buscar mais qualquer coisa nesta prosa tão lúcida, tão humana e tão corajosa. Sei da dificuldade que existe em encontrar pontos de contacto com o adversário. Há um aspecto que ressalta do conflito que preocupa Amos Oz: a guerra que ele tenta ajudar a terminar, eterniza-se.
E por que é que isso acontece? Desde logo, porque os mais fortes não querem perder as suas conquistas e porque os mais fracos vão acumulando tantas derrotas que depois só se satisfazem com a vitória definitiva e total; e quanto mais o tempo passa, mais esse sentimento se acentua; tanto nessa como noutras guerras.
(1ª edição em 12 de Maio de 2009)
Amos Oz, Contra o fanatismo. Gosto muito. É mesmo de reler e reler.
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