segunda-feira, 19 de julho de 2010

small is beautiful

 



 


 


Já tinha escrito que os países que em tempos optaram por escolas de grande escala, com milhares de alunos, perceberem o erro que cometerem e iniciaram, há cerca de uma década, o processo contrário.


 


São muitas e evidentes as vantagens das escolas pequenas, como se tem enunciado. Mesmo em termos de redução da despesa e em qualquer dos ângulos de análise dessa vertente. É claro que é fundamental que exista uma máquina do estado, e das agências municipais, que seja moderna, que funcione de forma racional e que não se limite a empregar os boys e as girls dos partidos com assento no governo.


 


O caso português tem características peculiares: os amontoados de escolas iniciaram-se em 1998 e tiveram uma expressão de ou "vai ou racha" a partir de 2005 com a chegada dos que sabem-tudo-e-que-nunca-têm-dúvidas: os reformistas iluminados. Há agrupamentos a (dis)funcionar com mais de 2000 alunos desde essa data e muitos atropelos foram cometidos: os tais projectos, de anos, interrompidos e os mandatos por cumprir. Há um novo modelo de gestão que foi também (im)pensado para viabilizar tudo isso. A questão que se coloca é óbvia: por que é que só agora se protesta com uma veemência generalizada? Por que é que o protesto deixou de ser quase silencioso e reduzido a aldeias de gauleses? A resposta exige uns caracteres. Espero em breve voltar a este assunto. Todavia, são elucidativos alguns sinais: é a primeira vez que a maioria das escolas secundárias entra na lógica dos amontoados e os destinatários das cenouras vêem os seus esforços não compensados uma vez que com a introdução dos "mega-amontoados" os lugares reduzem em cerca de 50%.


 


Leia a excelente peça da jornalista Clara Viana do Público.


 


Ao contrário de Portugal, lá fora aposta-se no regresso a escolas mais pequenas


"Em Nova Iorque, a taxa de sucesso entre os alunos que foram transferidos para escolas mais pequenas é superior à dos que permanecem nos velhos estabelecimentos.(...)"

10 comentários:

  1. Claro que o fator afetivo é extremamente importante, conciliador e exitoso, quando falamos do Processo de Ensino e Aprendizagem. Os mega-Agrupamentos são como grandes caixotes do lixo onde cabe lá tudo, indiscriminadamente, sem sentimento, sem alma, sem afetividade e sem regras. O que este Ministério da (des)Educação está a fazer vai ser catalogado futuramente como autêntico "Crime", onde as Famílias e os rebentos dos mais carenciados são tratados como simples cobaias de um Regime caduco e insensível. A mim o que me espanta é o facto de reconhecer que a maioria do povo português não estava bom da cabeça quando reelegeu estes incompetentes há quase um ano.

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  2. Grandes empreiteiros não fazem escolas pequenas.

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  3. Não me leve, por favor, a mal. Permita-me a discordância curial, caro anónimo, mas, por muitas razões, discordo de quase tudo o que aqui expressa. Sou muitíssimo crítico em relação a numerosas acções deste governo. Já a exprimi publicamente e já fui invectivado por socialistas convictos por tê-lo feito. Em todo o caso, nada me explica de onde pode chegar a diminuição de "afectividade" que refere; não sei de onde vem a ideia do "caixote do lixo", das "cobaias" e creio mesmo que, ponderadas as coisas uma escola, a pública, deve ser um lugar onde caiba "lá tudo". É função da escola saber aprender com isso. Por isso defendo que o ensino privado deve ser, em exclusivo, isso mesmo, privado. Em Portugal não é. Podia escrever um texto sobre o que significa o choque para um pequenito da transição de uma escola com 10 ou 2 alunos para uma "pequena" de 900, como é a minha.
    Tudo se pode argumentar. Aquilo que me angustia, isso sim, é como nada se diz acerca da forma como pode ser possível - por ser - estabelecer metodologias concretas de gestão e de descentralização educativa e conseguir uma desejável integração de percursos escolares no quadro que está implementado (e não a implementar-se como muitos ainda desejam que esteja). No tempo de outras senhoras, a minha escola, por acção da minha querida Purificação e outros, soube apresentar um modelo concreto de funcionalidade pedagógica. Na época todos detestavam as EBIs. A minha escola venceu esse desafio porque não perdeu muito tempo a lucubrar condenações mas a estudar formas de adaptação ao novo modelo. Só isso impedirá as iniquidades, sempre próximas quando o silêncio ou a vociferação retórica pesam sobre a determinação ponderada e trabalhadora. Creio que é fundamental perceber como se deve repetir a lição da Purificação.

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  4. Li o Público logo de manhã. É impressionante como neste país se continua a implementar tudo o que nos outros não funcionou.
    Por cá, já vimos que os Agrupamentos não funcionam. Vai daí, fazem-se mega-agrupamentos. Brilhante!
    E quanto aos projectos interrompidos ou simplesmente deitados abaixo, lembro-me sempre da reunião com um tal Sr Pedro Lara, quando meteram na cabeça verticalizar tudo nas Caldas da Rainha. Falei-lhe durante largo tempo do projecto "Articulação entre ciclos" existente em Santo Onofre desde que a escola existe, dos resultados obtidos, do que os pais acreditavam nele e o que faziam para matricular os seus filhos na EBI. Ouviu-me e respondeu, tal e qual:
    - Então "sôtora", há que alargá-lo às outras escolas, para que todos possam usufruir de tão boas práticas!
    Claro que é difícil fazer mais omeletes com os mesmos ou até menos ovos. E assim, passados uns aninhos, cheira-me que se vai optar pelo mais fácil: acaba-se com o que funciona bem e ficam todas iguais. Apesar de serem realidades diferentes, apesar de uma EBI não ser uma EB1(um), apesar de ser um projecto que tem provas dadas, apesar de....
    É aquela velha coisa à portuguesa: É bom, mas como nós não conseguimos ter, vão ter de ficar como nós. Pronto.
    Ainda quero acreditar que o projecto vai continuar e que todos os esforços vão ser feitos para que, pelo menos em parte, o projecto seja alargado a outras escolas do Agrupamento.

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  5. Viva.

    Claro que é sempre difícil seguir o raciocínio de quem insere comentários como anónimo.

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  6. Viva Isabel.

    Tristezas; que raio de coisa esta. Quem diria que em 4 a 5 anos o sistema escolar ia ficar neste estado

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  7. Caros amigos e colegas,
    Li atentamente o artigo do Público.
    Pergunto se mega-agrupamentos são a mesma coisa que escolas grandes?
    É que se não são nem o artigo do Público nem este post me ajudam a tomar posição, não obstante o mérito de chamar a atenção para o problema que não é pequeno, evidentemente.
    Penso que cada escola terá a sua gestão subordinada à do mega-agrupamento. Isto não é a mesma coisa que escolas grandes. Portanto, não entendo o artigo nem a maior parte dos comentários lá colocados.
    Formarei a minha opinião, com melhor informação.

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  8. "Que não é pequeno" era uma relativa aplicada a "mérito" e não a "problema". Desculpem-me a ambiguidade sintáctica.

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  9. Viva Luís.


    Percebeu-se

    Mega-agrupamentos não é a mesma coisa do que escolas grandes. Se a dimensão passa a mega com mais de 1700 alunos, então a Santo Onofre actual é mega (tem mais de 1800); tem uma escola de 800 e outras 10 mais pequenas. E pode ser mais difícil de criar uma boa cultura organizacional do que numa escola grande, com mais de 1000 alunos, por exemplo.

    Mas tb se estão a criar escolas secundárias para mais de 2000 alunos que ficarão integradas num mega até 2500 (tenho ideia que este limite subirá).

    Já podes pensar mais um bocado.

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