sexta-feira, 20 de agosto de 2010

mesão frio

 


 



 


As colocações de professores são o martírio que se sabe até se conseguir alguma estabilidade. Dois professores que vivam juntos têm a dificuldade redobrada. A desorganização portuguesa teima em não ajudar e a coisa arrasta-se.


 


Tive a minha saga de volta a Portugal. Passou pelo Peso da Régua em meados da década de oitenta do século passado. Foram dois anos em correrias de fim-de-semana que nem deram para apreciar a vizinha vila de Mesão Frio.


 


Estas férias incluíram essa zona do Douro. A beleza da paisagem já tem visibilidade que chegue e não vou acrescentar mais palavras ao que se sabe. Mas juntar um alojamento a bons preços, e com recomendação do guia michelin, aos jantares na tasca do zéquinha em plena vila é um retempero que aconselho. Há muito que não sentia essa coisa de ter muito tempo pela frente e ainda por cima num clima de verão quente.


 



 


Dizem os especialistas que a localização da casa de canilhas é o ponto perfeito para a observação da paisagem do Douro. Na tasca do zéquinha o ambiente é acolhedor, cozinha-se bem e pratica-se preços muito aceitáveis. Mesão Frio convida à preguiça. Nas conversas percebeu-se uma notória apreensão: com a saga de despovoamento que se regista no Portugal do século XXI, o risco de desertificação destas regiões aumenta substancialmente. Neste momento, o sistema escolar condena-as ao regresso à caverna. Uma coisa é desenvolver políticas de concentração da população em regiões como o alentejo e outra bem diferente é fazê-lo em terrenos montanhosos como acontece em muitas das regiões do norte e centro do país. Mesmo para os interesses turísticos locais, o despovoamento poderá ser fatal. O que seria a casa de canilhas sem a tasca do zéquinha? Um mau oásis, certamente.


 


 


1 comentário:


  1. O Norte é sempre belo e inspirador. Pena que seja tão pouco visitado.
    Obrigada pelo post.

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